O programa físico de Luka Doncic nesta offseason não é repetição do que o transformou. A base continua, mas entrou ênfase nova em prevenção de lesão e estabilidade de core, por causa do problema no posterior da coxa esquerda que ele sofreu em 2 de abril. As fotos do minicamp na Eslovênia são a parte visível disso.
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O que é novo e o que é de 2025
Vale separar as duas coisas, porque muita gente está misturando. A transformação que virou assunto mundial aconteceu na offseason de 2025, foi contada por ele numa capa da Men’s Health em julho daquele ano e envolvia jejum intermitente, mais de 250 gramas de proteína por dia, corte de açúcar e de glúten e dois treinos diários. Aquilo produziu a melhor temporada da carreira dele.
O que está acontecendo agora é a segunda rodada do mesmo método, com uma peça diferente no meio. Ele recomeçou logo depois da eliminação para o Thunder na segunda rodada dos playoffs, sem a pausa habitual de fim de temporada, e desta vez o programa incorporou mobilidade, ioga, natação e trabalho específico de estabilidade de core.
A diferença não é estética, é clínica. Em 2 de abril, contra o próprio Thunder, ele sentiu o posterior da coxa esquerda. Um armador que carrega o ataque inteiro e passa 36 minutos com a bola na mão não perde tempo com prevenção por capricho.
O que o programa anterior entregou
Antes de discutir o de agora, convém olhar o que o de 2025 devolveu em quadra. Foi a melhor temporada individual da carreira dele e a resposta mais barulhenta que um jogador pode dar a quem passou anos falando do corpo dele.
Médias por jogo em 2025-26
| Estatística | O que representa | Média | Peso na temporada |
|---|---|---|---|
| Pontos | Cestinha da liga | 33,5 | 2.144 no total |
| Assistências | Criação para os outros | 8,3 | 531 no total |
| Rebotes | Início de contra-ataque | 7,7 | 493 no total |
| Roubos | Contribuição defensiva | 1,6 | 102 no total |
Ele resumiu o efeito numa frase curta, que explica melhor do que qualquer planilha por que ele voltou a fazer tudo de novo.
“Acima de tudo, eu me cansava menos.”
Luka Doncic, sobre a maior diferença que sentiu depois da mudança física
A offseason que ele escolheu
A rotina deste ano também mudou fora da academia. Ele abriu mão de defender a seleção da Eslovênia e montou um calendário próprio, coisa que contou ao veículo esloveno 24ur em junho: treinos individuais, preparação física, outros esportes e, pela primeira vez, golfe. A explicação prática é a recuperação da coxa. A pessoal é o tempo com as duas filhas, depois de um período difícil.
O técnico da equipe tratou o assunto como um dado adquirido, não como novidade. Para JJ Redick, o que Doncic faz com o próprio corpo já deixou de ser tema de debate.
“O Luka entende o corpo dele melhor do que qualquer um. Quando ele se compromete com algo assim, os resultados falam por si.”
JJ Redick, técnico do Lakers
Por que isso pesa mais nesta temporada
O time montou o elenco principal inteiro em torno dele. LeBron James saiu, Austin Reaves renovou como segundo nome e o resto do grupo foi remontado na agência livre. Não sobrou ninguém para segurar o ataque numa noite em que o camisa 77 não estiver disponível.
Foi por isso que as fotos do minicamp circularam tanto. Durante quatro dias em agosto, com as passagens bancadas por ele, o elenco treinou na Eslovênia, e o que apareceu no vídeo do clube foi um Doncic mais magro, de cabelo comprido e faixa branca na cabeça. A imagem é boa. O que sustenta a temporada, porém, é a parte que não fotografa: mobilidade, core e um posterior de coxa que precisa aguentar 82 jogos.
A pergunta de 2025 era se ele conseguiria mudar o corpo. Ele mudou, e ganhou a cestinha. A de 2026 é diferente e mais difícil: manter o corpo mudado durante uma temporada inteira em que ele vai jogar mais, com menos ajuda ao lado.