Kevin Durant disse que jovem americano faz bem em copiar Luka Doncic. O MVP da NBA não vai para um americano há 8 temporadas. A fala saiu no programa dele, o Boardroom Talks, e veio com um contraponto: para Durant, os astros de fora também aprenderam o jogo com os americanos.
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O elogio veio sem meia palavra
Durant recebeu o apresentador Speedy Morman em casa para um episódio do Boardroom Talks. Em determinado momento a conversa chegou ao fenômeno dos garotos americanos que passaram a estudar o jogo de Doncic, e ele não fez rodeio.
“Porque ele é muito bom. Eles deviam pegar isso dele mesmo. Eu adoro quando os caras querem ser como o Luka ou como o Michael Jordan, ou tentar imitar os dois.”
Kevin Durant, no Boardroom Talks
Colocar Doncic e Jordan na mesma frase, vindo de quem tem quatro títulos de cestinha e dois de campeão, é o tipo de aval que dificilmente sai de graça.
Por que Doncic e não Wembanyama
O raciocínio de Durant tem uma parte prática que explica a escolha do modelo. Um garoto de 16 anos não consegue copiar Victor Wembanyama nem Giannis Antetokounmpo, porque o que os dois fazem depende de um corpo que quase ninguém tem. Doncic joga de outro jeito: leitura, mudança de ritmo, uso do corpo no contato, arremesso saindo do drible.
É repertório treinável. O jogador que copia Doncic pode ficar mais perto do modelo do que aquele que tenta copiar um pivô de 2,24 metros. Durant também gosta de outra parte da história: um esloveno driblando adversário do jeito que americano dribla, e levando esse estilo de volta para o país onde cresceu.
Essa segunda parte deixou de ser figura de linguagem neste mês. Doncic bancou do próprio bolso um minicamp do Lakers na Eslovênia, em agosto, e levou os companheiros novos para treinar no país dele antes do início da pré-temporada. A cena que Durant descreve, de mão dupla entre os dois basquetes, aconteceu na prática, com o time inteiro dentro do ginásio.
Mas a conversa não parou no elogio
Na mesma conversa, Durant contestou a ideia de que a NBA virou uma liga tomada por estrangeiros que se formaram longe da influência americana. Ele lembrou o que essa geração assistia quando era criança.
“Eles são influenciados por americanos. Esses caras todos com camisa do Iverson e tranças no cabelo, driblando. Eles também tentam jogar como a gente. Quem eles imitavam? O Dream Team, os jogadores americanos.”
Kevin Durant, no Boardroom Talks
Ele foi além e citou Shai Gilgeous-Alexander como exemplo de que o rótulo de internacional às vezes engana: o canadense se formou dentro do sistema americano, do ensino médio à universidade. Para Durant, o que está acontecendo é evolução natural de um jogo que virou global, não uma troca de comando.
O que os oito últimos MVPs dizem
O prêmio de melhor jogador da temporada regular conta a história em números. Desde 2019, todo vencedor nasceu fora dos Estados Unidos.
Prêmios de MVP por país de nascimento, de 2019 a 2026
| País | Jogador | Anos | Prêmios |
|---|---|---|---|
| 1 | Sérvia | Nikola Jokic | 3 |
| 2 | Canadá | Shai Gilgeous-Alexander | 2 |
| 2 | Grécia | Giannis Antetokounmpo | 2 |
| 4 | Camarões | Joel Embiid | 1 |
| 5 | Estados Unidos | Ninguém | 0 |
O detalhe que fecha a ironia: o jogador que Durant aponta como modelo para a nova geração americana é justamente um dos poucos desse grupo que nunca levou o troféu de MVP. Doncic fechou a temporada passada no primeiro time da liga e tem uma final da NBA perdida em 2024, ainda pelo Mavericks, mas o prêmio individual maior continua fora do currículo.
O episódio completo
A conversa com Speedy Morman passou por muito mais que isso: a ida de LeBron James ao Sixers, o título do Knicks, a aposentadoria de Russell Westbrook e o próprio futuro de Durant na liga.
O que isso muda para o Lakers
Nada no placar, e muito na conta que a franquia fez ao trazer Doncic. O Lakers apostou num jogador de 27 anos que virou referência técnica antes de virar campeão, e é essa a mercadoria que o time comprou: alguém que puxa audiência, vende camisa e agora aparece citado ao lado de Jordan por um dos maiores pontuadores da história.
Do lado esportivo, a cobrança segue sendo outra. Doncic fez 33,5 pontos por jogo na temporada passada, o Lakers foi varrido pelo Thunder na semifinal do Oeste e a franquia entrou nesta offseason trocando meia dúzia de peças ao redor dele. O próprio videogame o colocou em 96, quarto lugar entre todos, o que resume bem a posição atual: reconhecido por todo mundo e ainda sem os prêmios que os três à frente dele já têm.
O training camp abre em outubro e a temporada 2026-27 começa com Doncic como primeira opção de um time inteiro montado para ele. É o primeiro ano em que a resposta depende só disso.