Luka Doncic e o elenco do Lakers esticaram a viagem à Eslovênia para visitar uma clínica pediátrica no Dia de Kobe Bryant, 24 de agosto. Doncic entregou uma sacola de presentes a uma mãe que batizou o filho recém-nascido com o nome dele. Foi o último gesto dos quatro dias de minicamp que ele bancou.
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O último dia não era para ter agenda
O minicamp acabava na segunda-feira e o voo de volta já estava marcado. O grupo decidiu segurar a partida por algumas horas para passar numa clínica pediátrica da capital eslovena. Foram Doncic, Austin Reaves, Jarred Vanderbilt, Dalton Knecht e Jake LaRavia. Ficaram com as crianças internadas, tiraram foto, assinaram o que apareceu na frente.
A cena que rodou o mundo foi outra. Numa das alas, Doncic parou diante de uma mãe que tinha acabado de dar à luz e batizado o menino com o nome dele. Saiu de lá com a sacola de presentes entregue e a foto tirada. O time publicou o registro na conta oficial, no fim do dia.
The sweetest Kobe Day surprise in Slovenia with Luka & @UCLAHealth 🥹 pic.twitter.com/pSjOLSYRNO
— Los Angeles Lakers (@Lakers) August 24, 2026
Reaves entendeu o tamanho do problema
Quem acompanhou a viagem inteira já tinha percebido: na Eslovênia, Doncic não é jogador de basquete, é assunto nacional. Reaves foi perguntado, na saída, o que as crianças diziam. Respondeu primeiro que só falavam do Luka. Insistiram: e você, elas gostam de você?
“Elas gostam mais do Luka, e é assim que tem de ser. O Luka é um herói.”
Austin Reaves, ala-armador do Lakers, na saída da clínica
A fala circulou como piada de vestiário, e é. Mas diz uma coisa séria sobre o ano que vem: o Lakers virou um time construído em torno de um jogador que carrega um país inteiro nas costas, e o segundo nome do elenco não parece incomodado com isso.
Por que o dia é 24 de agosto
A data não é o aniversário de Kobe Bryant, que caiu no dia anterior. O 24 de agosto vale pelos dois números que ele vestiu nos vinte anos de Lakers: o 8 dos primeiros dez anos e o 24 da segunda metade da carreira, os dois pendurados no ginásio desde 2017.
A cidade de Los Angeles oficializou a data em 2016, ainda com ele vivo, citando o trabalho da fundação que ele mantinha com Vanessa Bryant. Depois vieram o condado de Orange e a própria NBA, em 2020, no ano da morte dele. Seis anos depois, a data continua sendo o único feriado informal que a franquia cumpre sem precisar de calendário.
A tradição atravessou o Atlântico
O que aconteceu na Eslovênia não foi improviso. Desde 2021, todo ano, o Lakers e a UCLA Health entregam kits para os bebês nascidos na semana do aniversário de Kobe nos hospitais da universidade em Los Angeles. É pequeno, é barato e virou a forma mais silenciosa de a franquia marcar a data.
Este ano, pela primeira vez, o mesmo kit desembarcou fora dos Estados Unidos. As fotos divulgadas pelo time mostram o conteúdo: sacola, manta, babador, macacão, chapéu e um par de pantufas, uma com o 8 e outra com o 24. Tudo em tom cru, com o letreiro do Lakers em roxo e o selo da UCLA Health.
O detalhe que não estava no roteiro é o cartão que acompanha cada kit. Foi impresso em esloveno e abre com uma frase de três palavras: “Svet te pozdravlja”. O mundo te saúda. Embaixo, o texto explica à família que aquele dia, todo ano, pertence à memória de Kobe Bryant, e que a chegada do bebê tornou a data ainda mais valiosa para eles.
The most wholesome Lakers welcome has made its way from Los Angeles to Slovenia. Babies born this week are going home repping the Lakers with special care packages thanks to @UCLAHealth 💜💛 pic.twitter.com/qhAQSQcJI0
— Los Angeles Lakers (@Lakers) August 24, 2026
O que a viagem entregou além do treino
Foram quatro dias de agenda cheia: jantar de chegada, coletivo completo, passeio de barco, visita à quadra de rua onde Doncic aprendeu a jogar. O jogador pagou tudo do próprio bolso, do jato fretado à hospedagem, e teve dezesseis dos dezessete companheiros de contrato padrão em campo. Só o calouro Cameron Carr ficou, em compromisso da liga nos Estados Unidos.
Química de elenco é a palavra mais gasta da offseason e a mais difícil de comprovar. Ninguém sabe se quatro dias na Europa valem alguma coisa em janeiro, quando o time perder três seguidas fora de casa. Mas a última imagem que o Lakers deixou dessa viagem não foi um arremesso nem um treino: foi um recém-nascido do outro lado do mundo levando o nome do armador para casa, no dia em que a franquia lembra o jogador que definiu o que aquela camisa significa.