Luka Doncic e o elenco do Lakers esticaram a viagem à Eslovênia para visitar uma clínica pediátrica no Dia de Kobe Bryant, 24 de agosto. Doncic entregou uma sacola de presentes a uma mãe que batizou o filho recém-nascido com o nome dele. Foi o último gesto dos quatro dias de minicamp que ele bancou.

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Resumo rápido
24/08
Dia de Kobe Bryant, data tirada dos dois números que ele usou no Lakers, o 8 e o 24.
1 bebê
Recém-nascido batizado de Luka pela mãe, que ganhou uma sacola de presentes do jogador.
2016
Ano em que a cidade de Los Angeles oficializou o 24 de agosto como Dia de Kobe Bryant.
2021
Ano em que nasceu a ação de entregar kits do Lakers a recém-nascidos na semana do aniversário de Kobe.
16 de 17
Jogadores do elenco que foram à Eslovênia. Só o calouro Cameron Carr ficou nos Estados Unidos.

O último dia não era para ter agenda

O minicamp acabava na segunda-feira e o voo de volta já estava marcado. O grupo decidiu segurar a partida por algumas horas para passar numa clínica pediátrica da capital eslovena. Foram Doncic, Austin Reaves, Jarred Vanderbilt, Dalton Knecht e Jake LaRavia. Ficaram com as crianças internadas, tiraram foto, assinaram o que apareceu na frente.

A cena que rodou o mundo foi outra. Numa das alas, Doncic parou diante de uma mãe que tinha acabado de dar à luz e batizado o menino com o nome dele. Saiu de lá com a sacola de presentes entregue e a foto tirada. O time publicou o registro na conta oficial, no fim do dia.

Reaves entendeu o tamanho do problema

Quem acompanhou a viagem inteira já tinha percebido: na Eslovênia, Doncic não é jogador de basquete, é assunto nacional. Reaves foi perguntado, na saída, o que as crianças diziam. Respondeu primeiro que só falavam do Luka. Insistiram: e você, elas gostam de você?

“Elas gostam mais do Luka, e é assim que tem de ser. O Luka é um herói.”

Austin Reaves, ala-armador do Lakers, na saída da clínica

A fala circulou como piada de vestiário, e é. Mas diz uma coisa séria sobre o ano que vem: o Lakers virou um time construído em torno de um jogador que carrega um país inteiro nas costas, e o segundo nome do elenco não parece incomodado com isso.

Por que o dia é 24 de agosto

A data não é o aniversário de Kobe Bryant, que caiu no dia anterior. O 24 de agosto vale pelos dois números que ele vestiu nos vinte anos de Lakers: o 8 dos primeiros dez anos e o 24 da segunda metade da carreira, os dois pendurados no ginásio desde 2017.

A cidade de Los Angeles oficializou a data em 2016, ainda com ele vivo, citando o trabalho da fundação que ele mantinha com Vanessa Bryant. Depois vieram o condado de Orange e a própria NBA, em 2020, no ano da morte dele. Seis anos depois, a data continua sendo o único feriado informal que a franquia cumpre sem precisar de calendário.

A tradição atravessou o Atlântico

O que aconteceu na Eslovênia não foi improviso. Desde 2021, todo ano, o Lakers e a UCLA Health entregam kits para os bebês nascidos na semana do aniversário de Kobe nos hospitais da universidade em Los Angeles. É pequeno, é barato e virou a forma mais silenciosa de a franquia marcar a data.

Este ano, pela primeira vez, o mesmo kit desembarcou fora dos Estados Unidos. As fotos divulgadas pelo time mostram o conteúdo: sacola, manta, babador, macacão, chapéu e um par de pantufas, uma com o 8 e outra com o 24. Tudo em tom cru, com o letreiro do Lakers em roxo e o selo da UCLA Health.

O detalhe que não estava no roteiro é o cartão que acompanha cada kit. Foi impresso em esloveno e abre com uma frase de três palavras: “Svet te pozdravlja”. O mundo te saúda. Embaixo, o texto explica à família que aquele dia, todo ano, pertence à memória de Kobe Bryant, e que a chegada do bebê tornou a data ainda mais valiosa para eles.

O que a viagem entregou além do treino

Foram quatro dias de agenda cheia: jantar de chegada, coletivo completo, passeio de barco, visita à quadra de rua onde Doncic aprendeu a jogar. O jogador pagou tudo do próprio bolso, do jato fretado à hospedagem, e teve dezesseis dos dezessete companheiros de contrato padrão em campo. Só o calouro Cameron Carr ficou, em compromisso da liga nos Estados Unidos.

Química de elenco é a palavra mais gasta da offseason e a mais difícil de comprovar. Ninguém sabe se quatro dias na Europa valem alguma coisa em janeiro, quando o time perder três seguidas fora de casa. Mas a última imagem que o Lakers deixou dessa viagem não foi um arremesso nem um treino: foi um recém-nascido do outro lado do mundo levando o nome do armador para casa, no dia em que a franquia lembra o jogador que definiu o que aquela camisa significa.