Luka Doncic voltou a jogar depois de seis meses e saiu de Sacramento falando menos de si e mais de dois colegas novos. Para ele, a largada de Matisse Thybulle e Ziaire Williams na defesa contagiou o time inteiro e foi, nas palavras dele, inspiradora.
“Senti muita falta”
O jogo de segunda-feira, vitória por 127 a 103 sobre o Kings, foi o primeiro de Doncic desde 2 de abril, quando sofreu um estiramento de grau 2 na coxa esquerda contra o Thunder e perdeu os playoffs. Nunca, desde que chegou à NBA, ele tinha ficado tanto tempo sem jogar uma partida competitiva. Também não defendeu a Eslovênia no verão, o que alongou a pausa.
“Senti muita falta. Eu já disse que o basquete é uma das melhores coisas da minha vida, e senti muita falta. Foram o quê, cinco, seis meses, acho. Voltar para os jogos, competir, é muito divertido para mim, e estou muito feliz de estar de volta.”
Luka Doncic, depois da vitória sobre o Kings
Sobre o corpo, a resposta foi curta. “Me senti ótimo, sinceramente”, disse. “Acho que o time inteiro estava se movendo mais rápido. Mas, pessoalmente, me senti ótimo.” Ele jogou só o primeiro tempo, como estava combinado, e fez 21 pontos em 16 minutos, com 8 de 9 nos lances livres. O preparo físico por trás disso foi o assunto de Redick nesta terça.
O elogio aos dois colegas novos
O que mais chamou atenção na entrevista foi o tempo que Doncic gastou falando dos outros. O Lakers começou o jogo pressionando a bola desde o primeiro segundo e forçou o estouro do relógio de posse na primeira posse do Kings. Thybulle e Williams, os dois titulares nas alas, estavam no centro dessa largada.
“Acho que todo mundo se divertiu em quadra. Principalmente com Matisse e Ziaire, aquele começo de jogo, a largada. Isso contagia todo mundo, e o jeito como eles começaram o jogo foi inspirador. Depois os outros entraram do banco, e foi incrível só de ver. Eles estavam se divertindo, estavam dividindo a bola.”
Luka Doncic, sobre Thybulle e Ziaire Williams
Os números dão razão a ele. O Lakers forçou 27 perdas de posse do Kings e transformou isso em 32 pontos, a defesa que Redick vinha pedindo desde o camp. No ataque, o time deu 29 assistências, e é a isso que Doncic se refere quando fala em dividir a bola.
Por que o elogio pesa
Thybulle e Williams chegaram neste verão para resolver um problema antigo: o Lakers precisava de defensores no perímetro ao lado de Doncic e Austin Reaves. Thybulle já tinha avisado que marcar os dois no treino era mais difícil que qualquer jogo, e Williams já incomodava na defesa nos primeiros dias de camp.
O elogio de Doncic tem peso porque as duas vagas de titular nas alas seguem abertas. Quentin Grimes, que fez 16 pontos com 5 de 7 nos arremessos, também briga por esse espaço, assim como Jake LaRavia, que terminou a noite com o melhor saldo do time, +27. Ser citado pelo astro do time na primeira entrevista da temporada não decide a disputa, mas diz o que ele quer ver ao lado dele.
Também é um Doncic diferente do que se via em Dallas, onde as entrevistas giravam em torno do que ele fazia com a bola. Agora, sem LeBron James, o discurso do líder do Lakers começa pela defesa dos outros.
O que vem hoje
O Lakers enfrenta o Warriors hoje, às 23h de Brasília, em San Francisco, na segunda noite seguida em quadra. No pré-jogo estão a transmissão, o provável quinteto e as lesões. Doncic não está no relatório de lesões, mas não há confirmação de quanto ele vai jogar. Se a dupla repetir a largada diante de Stephen Curry, que obriga o perímetro a correr o jogo inteiro, o elogio de segunda vai parecer ainda mais certeiro.