Luka Doncic marcou 40 pontos contra o Sacramento Kings e chegou ao sexto jogo seguido com pelo menos 35, marca que no Lakers apenas Kobe Bryant e Elgin Baylor tinham alcancado. A sequência também é inédita na NBA quando somados rebotes, assistências e bolas de três, como mostramos na análise da vitória em Sacramento.
A sequência de Doncic, jogo a jogo
A arrancada começou em Salt Lake City, em 25 de outubro, com 52 pontos na vitória sobre o Jazz. Depois vieram 41 contra o Blazers, 37 contra o Warriors, 45 contra o Raptors, 42 contra o Heat e os 40 de quarta-feira em Sacramento. São 257 pontos em seis jogos, média de 42,8, com pelo menos seis bolas de três em cada partida.
O Lakers ganhou quatro desses seis jogos. As duas derrotas, para o Blazers na Crypto Arena e para o Warriors em San Francisco, mostram que o volume de Doncic não resolve tudo sozinho quando a defesa do time cede mais de 110 pontos. Nas quatro vitórias, o resto do elenco acompanhou o ritmo.
A marca que nem a NBA tinha visto
Dentro do Lakers, seis jogos seguidos com 35 pontos ou mais colocam Doncic ao lado de dois nomes da parede de camisas aposentadas. Kobe Bryant e Elgin Baylor eram os únicos da franquia com uma série assim, segundo levantamento publicado pela ESPN depois do jogo de quarta.
Fora do Lakers, a conta vai além. Em nenhum momento da história da NBA um jogador tinha emendado seis partidas com pelo menos 35 pontos, cinco rebotes, cinco assistências e cinco bolas de três. Doncic fez isso nos seis jogos, o que diz muito sobre a forma como ele pontua: de longe, criando para os outros e ainda brigando por rebote.
Há ainda um detalhe de ritmo. Contra o Kings foram 23 pontos antes do intervalo, e foi o sexto jogo seguido com pelo menos 20 no primeiro tempo. Nas últimas 30 temporadas, só o próprio Doncic, em 2023, ainda pelo Mavericks, e Allen Iverson, em 2005, tinham feito uma série assim. Para quem quer comparar com as noites mais marcantes dele em Los Angeles, a lista está nas cinco maiores atuações de Doncic pelo Lakers.
Os 11 pontos seguidos que decidiram em Sacramento
O jogo de quarta estava empatado em 46 a 46 no segundo quarto quando Doncic resolveu sozinho. Ele acertou um arremesso de média distância e, em seguida, três bolas de três de muito longe, de 8 a 9 metros da cesta. Foi uma parcial de 11 a 2, com todos os pontos do Lakers saindo das mãos dele, e o placar foi a 57 a 48. O Kings, que chegou a 1-7 na temporada, não voltou mais à frente.
JJ Redick resumiu a sequência na entrevista depois do jogo. “Ele vem no segundo quarto e acerta três arremessos seguidos que só uns cinco jogadores da NBA conseguem acertar. De repente, um jogo empatado vira uma vantagem de nove ou dez pontos, e o time se alimenta disso”, disse o técnico.
Redick compara com março, e Doncic desconversa
Perguntado se aquela era a melhor fase de Doncic que ele já tinha visto, Redick respondeu que “provavelmente” sim, e lembrou o mês de março da temporada passada. Naqueles 16 jogos, Doncic teve média de 37,5 pontos, com 49,2% de aproveitamento nos arremessos e 39,2% nas bolas de três, incluindo os 60 pontos contra o Heat, em Miami, depois de o time chegar à cidade às 4h da manhã.
Doncic preferiu não fechar a comparação. “Talvez. Não sei. Tive algumas boas sequências na carreira. Essa pode ser uma das melhores, mas ainda tem trabalho a fazer”, disse. O pivô Walker Kessler foi mais direto: “Pode chamar de onda, de tsunami, do que quiser. A gente está surfando essa onda.”
O próximo teste é o líder do Oeste
A sequência vai a prova na sexta-feira, na Crypto Arena, contra o Portland Trail Blazers, que lidera a Conferência Oeste com 6-1, em jogo que vale pela fase de grupos da Copa da NBA. É o mesmo adversário da derrota de 28 de outubro, quando Doncic fez 41 pontos e o Lakers perdeu por 136 a 129.
O jogo começa à meia-noite, na virada de sexta para sábado, no horário de Brasília. Se Doncic passar de 35 de novo, a série chega a sete jogos. Com o time em 7-2 e na segunda posição do Oeste, a primeira quinzena da temporada já deixou claro que o ataque do Lakers passa, antes de tudo, pelas mãos do camisa 77.