Matisse Thybulle quase nunca aparece nos destaques do Lakers, mas o time tem sido melhor com ele em quadra do que o box score mostra. Nos dois jogos como titular, somou saldo de +25, acertou metade das bolas de três e cometeu um erro em 47 minutos. Contra o Jazz, a tarefa dele deve ser Keyonte George.
O titular que não pede a bola
No quinteto de JJ Redick, cada jogador tem uma função clara. Luka Doncic e Austin Reaves criam, Walker Kessler termina as jogadas perto do aro e Ziaire Williams ataca os espaços. Thybulle é o que sobra para fazer o trabalho que ninguém vê: marcar o melhor jogador de perímetro do adversário, correr para fechar os arremessos e esperar a bola sobrar no canto.
Na estreia, contra o Warriors, a contribuição ofensiva foi mínima: 3 pontos, com 1 de 4 nos arremessos. Mesmo assim, o Lakers venceu os minutos dele por 12. No clássico, apareceu mais no ataque, com 13 pontos e três bolas de três em seis tentativas. O saldo foi ainda melhor: +13.
Uma especialidade antiga
A fama de Thybulle vem do 76ers. Em Philadelphia, ele entrou duas vezes na segunda seleção de defesa da NBA, em 2021 e 2022, mesmo jogando pouco mais de 20 minutos por noite. Era conhecido por roubar bolas e por dar tocos em arremessos de três, algo raro para um ala. Em 2021-22, teve 1,7 roubo e 1,1 toco por jogo em 25 minutos.
Depois, foi para Portland, onde passou quatro temporadas e jogou cada vez menos nos dois últimos anos. Em 2025-26, jogou só 30 partidas, todas saindo do banco. Chegou ao Lakers com um contrato de um ano, na mesma situação de Ziaire, precisando provar que ainda pode ser titular em um time que briga no topo.
Há um detalhe que mudou desde Philadelphia: o arremesso. No 76ers, Thybulle acertava cerca de 31% das bolas de três, e as defesas o deixavam livre de propósito. Em Portland, a mira melhorou. Foram 43,8% em 2024-25 e 39,8% em 2025-26, em menos tentativas. No Lakers, já são 4 de 8. Se esse número se mantiver perto dos 40%, a defesa adversária não vai mais poder ignorá-lo, e o espaço para Doncic e Reaves cresce.
Por que o saldo importa
O saldo de quadra é uma estatística imperfeita, principalmente em amostra pequena. Mas, no caso de Thybulle, ele ajuda a contar o que o box score esconde. Com ele em quadra, o Lakers pode deixar Doncic marcando um jogador menos perigoso, o que poupa energia do esloveno para o ataque. É uma troca que Redick valoriza desde a pré-temporada, quando o colocou entre os titulares.
O cuidado com a bola também pesa. O Lakers comete 19,5 erros por jogo, e Thybulle cometeu um só em dois jogos. Em um time em que os criadores perdem a bola com frequência, ter um titular que não arrisca passe nem drible desnecessário dá estabilidade ao quinteto.
A dupla de alas titulares também funciona em conjunto. Com Ziaire Williams do outro lado, o Lakers tem dois jogadores longos e atléticos no perímetro, capazes de trocar marcação sem perder tamanho. Ziaire teve saldo de +21 nos dois jogos, Thybulle de +25. Para um quinteto que chegou a ser questionado na pré-temporada, é um começo que dá argumentos a Redick.
O teste contra Keyonte George
Neste domingo, em Salt Lake City, o trabalho dele deve ter nome. Keyonte George é o cestinha do Jazz, com 20,5 pontos por jogo, e o principal criador do time, com 10 assistências contra o Pelicans. Se Thybulle conseguir tirar o armador do ritmo, o ataque do Jazz perde a primeira opção, e o resto do time, jovem e irregular, passa a decidir.
É o tipo de missão em que ele cresce. Não vai render manchete nem destaque no Instagram. Mas, se o Lakers voltar de Utah com o 3-0, boa parte da explicação pode estar nos minutos de um titular que quase ninguém nota. A bola sobe às 18h, horário de Brasília.