O Lakers pode ter no fim da temporada o que faltou em outros anos: como pagar para segurar quem der certo com contrato barato. A alta do teto de 2027-28 para US$ 176 milhões, anunciada em setembro, ajuda a manter as exceções que permitiriam renovar Ziaire Williams e Matisse Thybulle.
O problema que o Lakers já conhece
A franquia tem um histórico de achados baratos que não ficaram. O caso mais lembrado é o de Malik Monk, que fez boa temporada em 2021-22 com salário mínimo e saiu no verão seguinte porque o Lakers não tinha como pagar o que ele valia. A regra que travou aquela renovação é a mesma que vai valer para Ziaire e Thybulle.
Os dois assinaram por um ano nesta offseason. Ziaire, que voltou para a cidade onde cresceu, recebe cerca de US$ 3 milhões. Thybulle chegou para ser o especialista de defesa do perímetro. Se qualquer um deles explodir, o Lakers terá só os chamados direitos non-Bird no fim do contrato, e com eles não pode oferecer mais do que 120% do salário anterior ou do mínimo da liga, o que for maior. Para pagar além disso, precisa usar uma exceção salarial.
Onde entra o teto novo
A NBA avisou os times em setembro que o teto de 2027-28 deve ficar em US$ 176 milhões, US$ 2 milhões acima da projeção anterior. A linha do imposto e os dois limites acima dela sobem cerca de US$ 2 milhões cada. Para quem vive colado nessas linhas, como o Lakers, cada milhão de folga muda a conta.
Segundo a análise de Bryan Toporek, do Silver Screen and Roll, o ganho torna mais fácil manter o acesso a duas ferramentas no próximo verão: a exceção de nível médio para quem não paga imposto e a exceção bienal, projetada em cerca de US$ 5,85 milhões. A segunda, sozinha, talvez já baste para renovar um dos dois alas. A primeira pode ser dividida, como fez o 76ers nesta offseason ao repartir a dele entre Dean Wade e Anfernee Simons.
A conta que o Lakers já começou a fazer
Nada disso é acaso. O Lakers montou os contratos do verão pensando em 2027. Austin Reaves aceitou cerca de US$ 5 milhões a menos que o máximo, com aumento de aproximadamente 4% em 2027-28 em vez dos 8% a que tinha direito, para dar ao time mais flexibilidade no futuro, como contamos quando ele falou da negociação. O contrato de Sandro Mamukelashvili cai US$ 650 mil justamente nesse ano e volta a subir nos dois seguintes.
O limite é estreito. Usar qualquer uma das duas exceções trava a folha no primeiro limite, projetado em cerca de US$ 222 milhões, e o Lakers precisa ficar ao menos US$ 22 milhões abaixo dele para usar as duas. Se Jarred Vanderbilt e Collin Sexton exercerem as opções de 2027-28, o time já chega a US$ 181,6 milhões garantidos. Somando as opções do time em Dalton Knecht, Jaden Hardy, Bronny James e Adou Thiero, vai a US$ 199,1 milhões com 12 jogadores. Sobra o suficiente, mas sem margem.
Há escapes. O Lakers pode recusar a opção de Hardy até o fim de junho se precisar de alguns milhões a mais, e a de Knecht precisa ser decidida até o fim de outubro. Uma troca no meio da temporada também pode desmontar tudo isso de uma vez.
O que muda para os dois
Para Ziaire e Thybulle, a temporada vira vitrine com uma vantagem rara: se der certo, o time que os contratou pode ter como pagar. O plano principal da diretoria para o próximo verão continua sendo um reforço de peso. Mas, se ele não vier, as exceções ficam disponíveis para segurar quem mostrou serviço. Para um time que perdeu Monk por falta de instrumento, é uma rede de proteção que não existia.