Ziaire Williams cresceu torcendo pelo Lakers no norte do condado de Los Angeles e, depois de dois treinos, entrou na lista de Austin Reaves dos marcadores mais chatos do camp. O ala que recebeu do time a função de defensor principal começou a cumprir o combinado.
Siga o Lakers Brasil no Instagram
O menino da camisa do Lakers
Williams nasceu e cresceu em uma cidade do deserto ao norte de Los Angeles, a pouco mais de uma hora do centro. Fez o último ano de colégio na Sierra Canyon, a mesma escola de Bronny James, com quem dividiu a quadra, e saiu de lá para Stanford e depois para a NBA. Foi a décima escolha do Draft de 2021, passou três temporadas no Grizzlies e duas no Nets. Voltar para perto de casa, e justamente para o Lakers, foi o assunto dele no Media Day.
“É uma bênção fechar esse ciclo. Lembro de ter seis anos e usar uma camisa do time infantil do Lakers na minha cidade. Cresci vendo o desfile de título na rua, era roxo e dourado para todo lado. A minha família é Lakers de sangue, então vestir essa camisa e jogar no maior palco do mundo é uma bênção, com certeza.”
Ziaire Williams, ala do Lakers, no Media Day
A fala foi registrada pelo Silver Screen and Roll. Ele era criança quando o Lakers de Kobe Bryant ganhou o bicampeonato de 2009 e 2010, os últimos títulos do time comemorados com desfile pelas ruas, já que o de 2020, conquistado na bolha, não teve festa. É desse Lakers que ele fala.
O que ele mostrou em dois dias
Emoção de Media Day não garante minuto, e Williams sabe disso. O que conta a favor dele é o que apareceu depois, em quadra. Depois do treino de quarta-feira, Reaves citou os dois marcadores que mais tinham dado trabalho a ele: Williams e Matisse Thybulle, o ala que, segundo JJ Redick, roubou pelo menos sete bolas nas duas primeiras sessões.
Redick também falou dele depois do treino. “Começa pela defesa. Ele é um carrapato, incomoda, tem uma envergadura enorme. Desde setembro, quando a gente via os jogos informais, e nos dois primeiros dias de camp, o físico dele chamou atenção”, disse o técnico, segundo o Silver Screen and Roll.
É exatamente o papel que o Lakers desenhou para ele ainda na agência livre. Redick e Rob Pelinka pediram a Williams que fosse o homem que pega o armador adversário desde o primeiro passe, para tirar esse peso de Doncic e Reaves. Com 2,06 m e pernas longas, ele consegue marcar três posições, e a defesa nova do técnico, com Walker Kessler guardando o aro, deixa o perímetro livre para pressionar.
O arremesso decide o tamanho do papel
O problema de Williams nunca foi a defesa. Foi o arremesso de fora. Na carreira, ele acerta 32,2% das bolas de três, abaixo do que um ala precisa para jogar ao lado de Doncic sem entupir o garrafão. A boa notícia é a curva: a pontaria melhorou nas duas últimas temporadas e chegou a 34,3% em 2025-26, o melhor número da carreira.
Comparado com os outros alas que disputam minutos no Lakers, o número dele deixa de parecer fraco:
Só Thybulle arremessou melhor, e em uma temporada curta. Entre os que tentam volume, Williams fica à frente de Quentin Grimes, o favorito para a quarta vaga do quinteto, e bem à frente de Jarred Vanderbilt, que quase não arrisca de fora. Se os 34% virarem 36%, a conversa muda de figura.
A fila que ele tem pela frente
Doncic, Reaves e Kessler já estão confirmados como titulares, e Grimes largou na frente pela quarta vaga. Para a quinta, e para os minutos de ala no banco, Williams disputa com Thybulle, Vanderbilt, Jake LaRavia e Adou Thiero. É gente demais para uma rotação que, na temporada regular, costuma usar nove ou dez jogadores. O elenco atual ainda tem 16 contratos garantidos para 15 vagas até a estreia, em 21 de outubro.
Redick deixou claro no primeiro dia que o minuto vai ser ganho em quadra, e citou o caso de Max Christie, que perdeu espaço no começo da primeira temporada dele e voltou para virar titular. Williams, com contrato de um ano, tem pressa diferente: a temporada é também a vitrine para o próximo contrato.
A pré-temporada abre em 5 de outubro, contra o Kings. O menino que vestia a camisa infantil do Lakers vai ter a primeira chance de defender de verdade com a camisa adulta, e de mostrar que o arremesso acompanhou a defesa.