Matisse Thybulle roubou pelo menos sete bolas nos dois primeiros treinos do Lakers, segundo JJ Redick. O treinador disse que o elenco ainda vai aprender a não passar a bola perto dele. Foi o primeiro sinal, no camp, de que o ala contratado em julho pode brigar por minutos.
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O que Redick viu nos dois primeiros treinos
O Lakers abriu o camp na terça-feira, em El Segundo, e repetiu a dose na quarta. Depois do segundo treino, ao falar de quem tinha se destacado, Redick creditou a Thybulle pelo menos sete roubos nas duas sessões. E deixou claro que o problema, por enquanto, é dos companheiros.
“O Matisse é um jogador único, de verdade. Espero que, em algum momento da temporada, o nosso pessoal perceba que, se ele está na linha de passe, não dá para mandar a bola para aquele lado, porque ele provavelmente vai roubar.”
JJ Redick, técnico do Lakers, depois do treino de quarta-feira
A fala foi reproduzida pelo Lakers Daily e pelo HoopsHype. O número, vale dizer, é de treino: ninguém publica súmula de coletivo, e a conta é a do técnico. Mas o recado é claro. Em um camp em que Redick avisou que ninguém tem minuto garantido, Thybulle começou a juntar argumentos logo na primeira semana.
Reaves também sentiu na pele
O elogio não veio só do banco. Austin Reaves, perguntado sobre a defesa do elenco novo, citou Thybulle e Ziaire Williams como os marcadores mais chatos do camp até aqui. E fez questão de lembrar quem fica atrás deles.
“Tentar pontuar contra o Matisse e o Ziaire, ainda mais com o Adou em quadra e o Walker lá atrás, não é fácil”, disse Reaves, depois do treino de quarta. “Tive que lidar com isso o dia inteiro ontem e hoje, e não é divertido. Acho que eles são dois dos melhores defensores da liga. A antecipação do Matisse é de primeira linha.”
A lista dele desenha exatamente a defesa que Redick quer montar: alas longos pressionando a bola no perímetro e Walker Kessler esperando no garrafão.
Os números por trás dos roubos
Thybulle não virou ladrão de bola em setembro. O roubo é a marca da carreira dele desde o Sixers, onde entrou duas vezes no segundo quinteto defensivo da NBA. A diferença é que ele faz isso em pouco tempo de quadra. Em 2025-26, pelo Blazers, teve média de 2,0 roubos em apenas 16 minutos por jogo.
Para ter ideia do tamanho disso, a liderança da liga na temporada passada ficou com Ausar Thompson e Dyson Daniels, com 2,0 por jogo, só que jogando bem mais. Convertendo tudo para 36 minutos, a régua usada para comparar jogadores de minutagens diferentes, a distância fica assim:
A ressalva é justa: 30 jogos é amostra curta, e minuto de reserva costuma ser disputado contra reservas. Ainda assim, a proporção se repete na carreira inteira. Em sete temporadas, Thybulle tem 1,6 roubo em 20,6 minutos de média, ritmo que pouca gente na liga sustenta.
Por que o Lakers foi atrás dele
O contrato explica a aposta. Thybulle assinou por um ano, pelo mínimo de veterano, depois de duas temporadas atrapalhadas por lesões em Portland: foram só 45 jogos somando 2024-25 e 2025-26. Chegou barato justamente porque o corpo virou dúvida. Se estiver inteiro, é o tipo de especialista que custaria bem mais no mercado.
E o encaixe é com a defesa nova. Redick já explicou que o Lakers vai parar de trocar tanto na marcação e manter Kessler perto do aro. Com um pivô de 2,18 m guardando o garrafão, os alas podem arriscar mais na linha de passe, porque quem errar o bote ainda encontra alguém lá atrás. É o cenário em que Thybulle rende mais.
A briga que ele entra agora
O problema é o congestionamento. Doncic, Reaves e Kessler já estão confirmados no quinteto, Quentin Grimes é o favorito para a quarta vaga, e a última está aberta. Atrás deles, Ziaire Williams, Adou Thiero, Jarred Vanderbilt e Jake LaRavia disputam os mesmos minutos de ala que Thybulle quer. O elenco do Lakers ainda tem 16 contratos garantidos para 15 vagas até a estreia, em 21 de outubro.
Thybulle dificilmente disputa vaga de titular, porque o arremesso nunca foi confiável o bastante para abrir a quadra ao lado de Doncic. A briga dele é por minutos de fechamento de jogo na defesa, aqueles cinco minutos em que o técnico precisa de um roubo mais do que de uma cesta.
A pré-temporada começa em 5 de outubro, contra o Kings, e é ali que roubo de treino vira número de verdade. Até lá, o recado de Redick vale para o próprio vestiário: quem ainda não aprendeu a olhar para onde Thybulle está vai continuar entregando a bola para ele.