Matisse Thybulle roubou pelo menos sete bolas nos dois primeiros treinos do Lakers, segundo JJ Redick. O treinador disse que o elenco ainda vai aprender a não passar a bola perto dele. Foi o primeiro sinal, no camp, de que o ala contratado em julho pode brigar por minutos.

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Resumo rápido
Sete
Roubos de Thybulle nos dois primeiros treinos, pelo menos, na conta de Redick.
4,5
Roubos a cada 36 minutos em 2025-26, pelo Blazers, em 30 jogos.
2 vezes
No segundo quinteto defensivo da NBA, em 2020-21 e 2021-22, ainda pelo Sixers.
1 ano
De contrato, pelo mínimo de veterano, cerca de US$ 2,4 milhões.

O que Redick viu nos dois primeiros treinos

O Lakers abriu o camp na terça-feira, em El Segundo, e repetiu a dose na quarta. Depois do segundo treino, ao falar de quem tinha se destacado, Redick creditou a Thybulle pelo menos sete roubos nas duas sessões. E deixou claro que o problema, por enquanto, é dos companheiros.

“O Matisse é um jogador único, de verdade. Espero que, em algum momento da temporada, o nosso pessoal perceba que, se ele está na linha de passe, não dá para mandar a bola para aquele lado, porque ele provavelmente vai roubar.”

JJ Redick, técnico do Lakers, depois do treino de quarta-feira

A fala foi reproduzida pelo Lakers Daily e pelo HoopsHype. O número, vale dizer, é de treino: ninguém publica súmula de coletivo, e a conta é a do técnico. Mas o recado é claro. Em um camp em que Redick avisou que ninguém tem minuto garantido, Thybulle começou a juntar argumentos logo na primeira semana.

Reaves também sentiu na pele

O elogio não veio só do banco. Austin Reaves, perguntado sobre a defesa do elenco novo, citou Thybulle e Ziaire Williams como os marcadores mais chatos do camp até aqui. E fez questão de lembrar quem fica atrás deles.

“Tentar pontuar contra o Matisse e o Ziaire, ainda mais com o Adou em quadra e o Walker lá atrás, não é fácil”, disse Reaves, depois do treino de quarta. “Tive que lidar com isso o dia inteiro ontem e hoje, e não é divertido. Acho que eles são dois dos melhores defensores da liga. A antecipação do Matisse é de primeira linha.”

A lista dele desenha exatamente a defesa que Redick quer montar: alas longos pressionando a bola no perímetro e Walker Kessler esperando no garrafão.

Os números por trás dos roubos

Thybulle não virou ladrão de bola em setembro. O roubo é a marca da carreira dele desde o Sixers, onde entrou duas vezes no segundo quinteto defensivo da NBA. A diferença é que ele faz isso em pouco tempo de quadra. Em 2025-26, pelo Blazers, teve média de 2,0 roubos em apenas 16 minutos por jogo.

Para ter ideia do tamanho disso, a liderança da liga na temporada passada ficou com Ausar Thompson e Dyson Daniels, com 2,0 por jogo, só que jogando bem mais. Convertendo tudo para 36 minutos, a régua usada para comparar jogadores de minutagens diferentes, a distância fica assim:

Roubos a cada 36 minutos
Temporada 2025-26: Thybulle contra nomes do topo da liga em roubos por jogo
Matisse Thybulle, do Lakers
Matisse Thybulle
Blazers, 30 jogos, 16,0 min
Roubos por 36 min
4,5
Ausar Thompson, do Pistons
Ausar Thompson
Pistons, 73 jogos, 26,0 min
Roubos por 36 min
2,8
Cason Wallace, do Thunder
Cason Wallace
Thunder, 77 jogos, 26,6 min
Roubos por 36 min
2,6
Dyson Daniels, do Hawks
Dyson Daniels
Hawks, 76 jogos, 33,2 min
Roubos por 36 min
2,2
Cálculo nosso sobre as médias da ESPN. Thybulle jogou 30 partidas, abaixo do mínimo para entrar no ranking oficial da liga.

A ressalva é justa: 30 jogos é amostra curta, e minuto de reserva costuma ser disputado contra reservas. Ainda assim, a proporção se repete na carreira inteira. Em sete temporadas, Thybulle tem 1,6 roubo em 20,6 minutos de média, ritmo que pouca gente na liga sustenta.

Por que o Lakers foi atrás dele

O contrato explica a aposta. Thybulle assinou por um ano, pelo mínimo de veterano, depois de duas temporadas atrapalhadas por lesões em Portland: foram só 45 jogos somando 2024-25 e 2025-26. Chegou barato justamente porque o corpo virou dúvida. Se estiver inteiro, é o tipo de especialista que custaria bem mais no mercado.

E o encaixe é com a defesa nova. Redick já explicou que o Lakers vai parar de trocar tanto na marcação e manter Kessler perto do aro. Com um pivô de 2,18 m guardando o garrafão, os alas podem arriscar mais na linha de passe, porque quem errar o bote ainda encontra alguém lá atrás. É o cenário em que Thybulle rende mais.

A briga que ele entra agora

O problema é o congestionamento. Doncic, Reaves e Kessler já estão confirmados no quinteto, Quentin Grimes é o favorito para a quarta vaga, e a última está aberta. Atrás deles, Ziaire Williams, Adou Thiero, Jarred Vanderbilt e Jake LaRavia disputam os mesmos minutos de ala que Thybulle quer. O elenco do Lakers ainda tem 16 contratos garantidos para 15 vagas até a estreia, em 21 de outubro.

Thybulle dificilmente disputa vaga de titular, porque o arremesso nunca foi confiável o bastante para abrir a quadra ao lado de Doncic. A briga dele é por minutos de fechamento de jogo na defesa, aqueles cinco minutos em que o técnico precisa de um roubo mais do que de uma cesta.

A pré-temporada começa em 5 de outubro, contra o Kings, e é ali que roubo de treino vira número de verdade. Até lá, o recado de Redick vale para o próprio vestiário: quem ainda não aprendeu a olhar para onde Thybulle está vai continuar entregando a bola para ele.