O Lakers vai abandonar a defesa que trocava de marcador em todo bloqueio, e JJ Redick admitiu que ela existia por necessidade. Com Walker Kessler no aro e alas que pressionam a bola, o time que um dirigente rival tratou como piada na defesa quer marcar para frente.

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Resumo rápido
19º
Posição da defesa do Lakers na liga em 2025-26, mesmo com 53 vitórias.
72%
Aproveitamento dos adversários perto da cesta, o segundo pior da NBA.
2,4
Tocos por jogo de Kessler na última temporada em que esteve saudável.
4 nomes
Ziaire Williams, Thybulle, Thiero e Grimes, os que Redick citou para pressionar.

A defesa que o elenco obrigava

Nos dois primeiros anos de Redick, o Lakers trocou de marcador em quase todo bloqueio, do armador ao pivô. A ideia tem lógica quando o elenco é lento: em vez de correr atrás do adversário por cima e por baixo do corta-luz, cada um fica com quem aparecer na frente e ninguém gasta a perna que não tem. O técnico não esconde que foi escolha forçada.

“Sei que trocamos muito, de um a cinco, nos últimos dois anos. Isso foi por necessidade.”

JJ Redick, técnico do Lakers, na coletiva de pré-temporada

O preço apareceu contra quem sabia explorar. Ataque bom escolhe o confronto que quer, puxa o pivô para longe do garrafão e deixa a cesta sem ninguém. No jogo de Natal contra o Rockets, Kevin Durant conseguiu exatamente isso: a troca jogou Deandre Ayton na frente dele, longe do aro, e o arremesso saiu sem resistência. O Lakers terminou 2025-26 com 53 vitórias e a 19ª defesa da liga, levando 116,4 pontos a cada 100 posses. Time de 50 vitórias com defesa tão baixa é raro.

Kessler muda o ponto de partida

A mudança começa pelo pivô. Segundo a análise de Raj Chipalu, do Silver Screen and Roll, os adversários acertaram 72% dos arremessos na área restrita contra o Lakers, o segundo pior número da NBA. Somados, os pivôs principais do time deram 1,8 toco por jogo. Kessler, sozinho, fez 2,4 na última temporada em que esteve inteiro, com um alcance de 2,87 metros com os braços para cima, parado, sem pular.

Redick disse na quinta que Kessler é “o encaixe perfeito” para Doncic e Reaves, justamente pela proteção de aro, e que essa foi uma área em que o time sofreu. Com um pivô que fica perto da cesta, a lógica se inverte: em vez de trocar para não perder ninguém, os marcadores de fora podem arriscar mais, porque sabem que tem alguém atrás para cobrir o erro.

Tudo depende de uma condição que ninguém garante ainda: o pivô precisa ficar perto do aro. Se o adversário conseguir tirar Kessler do garrafão com a mesma facilidade com que tirava Ayton, o problema volta, só que com outro nome. E ele chega de uma cirurgia no ombro que o limitou a cinco jogos na temporada passada.

Quem pressiona a bola

A outra metade do plano está no perímetro. Redick disse que agora tem jogadores “que podem marcar a quadra inteira, defender e incomodar”, e citou quatro nomes: Ziaire Williams, Matisse Thybulle, Adou Thiero e Quentin Grimes. Thybulle é o de currículo mais pesado, duas vezes eleito para o time defensivo da temporada. Williams e ele foram os líderes dos próprios times em desvios de bola no ano passado.

O painel de estatísticas da NSN coloca lado a lado o pivô e três dos quatro alas que Redick citou, cada um na temporada que melhor o representa. Kessler entra com 2024-25, a última completa antes da cirurgia no ombro.

Tabela comparativa · NBA 2024-25 / 2025-26
Cada jogador na sua própria temporada: médias por jogo da temporada escolhida.
Walker KesslerLAL · C2024-25 Matisse ThybulleLAL · G-F2025-26 Ziaire WilliamsLAL · G-F2025-26 Quentin GrimesLAL · G2025-26
Tempo de jogo
Jogos disputados 58 30 56 75
Minutos 30,0 16,0 22,9 29,4
Vitórias 14 17 13 42
Derrotas 44 13 43 33
% de vitórias 24,1 % 56,7 % 23,2 % 56,0 %
Pontuação e aproveitamento
Pontos 11,1 5,8 10,2 13,4
% de cestas 66,3 % 43,3 % 42,5 % 45,0 %
Bolas de 3 convertidas 0,1 1,2 1,5 1,7
% de 3 pontos 17,6 % 39,8 % 34,3 % 33,4 %
Lances livres convertidos 1,4 0,7 2,1 2,7
% de lances livres 52,0 % 84,0 % 85,0 % 84,0 %
Criação
Assistências 1,7 0,9 1,1 3,3
Perdas de bola 1,5 0,9 1,1 1,8
Assistências por 100 posses 14,6 13,4 9,9 19,8
Rebotes
Rebotes 12,2 2,0 2,4 3,6
Rebotes ofensivos 4,6 0,6 0,5 0,6
Rebotes defensivos 7,6 1,4 1,9 3,0
Defesa
Roubos de bola 0,6 2,0 1,4 0,9
Tocos 2,4 0,5 0,4 0,4
Faltas 2,2 1,4 2,1 2,1
Impacto avançado
+/- -5,7 +2,9 -5,0 +0,1
Rating líquido -9,1 +9,0 -10,1 -0,1
Kessler aparece em 2024-25, pelo Utah, a última temporada em que esteve saudável (em 2025-26 foram só cinco jogos). Thybulle jogou 2025-26 pelo Portland, Ziaire Williams pelo Brooklyn e Grimes pelo Philadelphia. Fonte: balldontlie.io

No radar, só os números de defesa. Os dois picos são de funções diferentes: Kessler domina tocos e rebotes defensivos, Thybulle rouba bolas como ninguém do grupo, com 2,0 por jogo em apenas 16 minutos. Grimes é o que mais ficou em quadra, com 75 jogos.

Radar · NBA 2024-25 / 2025-26
Médias por jogo, normalizadas pelo máximo de cada eixo entre os jogadores escolhidos.
Jogos disputadosMinutosRebotesdefensivosRoubos de bolaTocos5830,07,60,62,43016,01,42,00,55622,91,91,40,47529,43,00,90,4
Walker KesslerLAL 2024-25 · 58 JMatisse ThybulleLAL 2025-26 · 30 JZiaire WilliamsLAL 2025-26 · 56 JQuentin GrimesLAL 2025-26 · 75 J
Kessler aparece em 2024-25, pelo Utah, a última temporada em que esteve saudável (em 2025-26 foram só cinco jogos). Thybulle jogou 2025-26 pelo Portland, Ziaire Williams pelo Brooklyn e Grimes pelo Philadelphia. Fonte: balldontlie.io

É uma troca de perfil completa. Marcus Smart, Rui Hachimura e Luke Kennard estavam entre os oito jogadores com mais minutos em 2025-26 e foram embora. Só Smart tinha fama de defensor, e ele tinha 32 anos e jogava com minutos controlados. LeBron James, que faz 42 em dezembro, também saiu. No lugar deles entraram jogadores mais jovens e mais rápidos, escolhidos para defender adiantado.

A pressão na bola e a proteção do aro se ajudam. Um marcador que força o drible para o lado errado entrega o atacante para o pivô, e um pivô que corta a infiltração deixa o marcador livre para arriscar o desvio. No ano passado, o Lakers ficou no meio da tabela em bolas roubadas. É aí que o time espera ganhar posses.

A parte que cabe aos dois astros

Doncic e Reaves não vão ser os responsáveis pela marcação mais dura, e nem faria sentido, com a carga que carregam no ataque. Mas não existe defesa boa com os dois desligados. Reaves já mostrou que persegue bem o adversário nos bloqueios sem bola e deve ficar com os armadores mais rápidos, dependendo de quem for o quinto titular. Doncic liderou o time em desvios de bola na temporada passada, o que surpreende quem só conhece a fama dele. O que falta é constância, e ele passou a offseason inteira cuidando do físico.

Sem LeBron, os dois passam a ser as referências do vestiário também na defesa. Se o astro não volta correndo, ninguém volta.

O que o camp vai testar

Redick fechou a coletiva com uma frase que resume o verão: “Com este grupo, provavelmente é a primeira vez nos meus três anos aqui que eu sinto que as peças realmente se encaixam.” Nos dois primeiros anos, o esquema foi escolhido pelo elenco. Agora, o elenco foi escolhido pelo esquema. O training camp que começa na terça é onde essa inversão deixa de ser discurso, e a primeira resposta de verdade vem em 21 de outubro, contra o Warriors.