O Lakers terminou a temporada passada em quarto lugar no Oeste, e o painel de especialistas da ESPN projeta uma queda grande para 2026-27. Fomos conferir o que aquele número valeria de verdade: nas 45 vitórias que o painel deu ao time, a vaga direta não vem em quatro das cinco últimas temporadas.
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O que a vaga direta custou nos últimos cinco anos
O Oeste tem seis vagas diretas nos playoffs e quatro no play-in. Quem fecha a temporada regular em sexto entra sem jogar repescagem, e é esse o corte que interessa a um time que quer chegar longe. Fomos ao histórico da conferência, temporada por temporada, olhando quantas vitórias o sexto colocado precisou fazer.
A leitura é direta. Em três das últimas cinco temporadas o corte foi exatamente 49 vitórias, e a mais barata de todas, a de 2022-23, ainda pediu 44. Não existe, nesse período, um ano em que 45 fosse folgadamente suficiente.
Onde 45 vitórias teriam terminado
Pegamos as mesmas cinco temporadas e colocamos um time hipotético de 45 vitórias em cada uma delas, contando quantas equipes ficaram acima disso. O resultado é pior do que a média sugere.
Em 2023-24 o Oeste foi tão duro que 45 vitórias teriam deixado o time em décimo primeiro, fora até do play-in. No ano seguinte, nono. Na temporada passada, sétimo. Só em 2022-23, a mais fraca da série, aquele número teria rendido quarto lugar.
A distância que o Lakers precisa cobrir
O time fez 53 vitórias na temporada passada e terminou em quarto. Para repetir a posição, precisa de algo parecido. Para não cair no play-in, o histórico diz 49. A projeção do painel está quatro vitórias abaixo disso, e quatro jogos em uma temporada de 82 é menos do que parece: é uma sequência ruim de duas semanas em janeiro.
O programa Road Trippin’, com Richard Jefferson, Channing Frye e Allie Clifton, colocou o Lakers em oitavo no Oeste na própria previsão. Oitavo é play-in. A conta bate com a nossa: quem projeta o time em 45 vitórias está, sem dizer com essas palavras, projetando repescagem.
Por que a conferência não afrouxa
O Oeste ficou mais duro justamente no ano em que o Lakers perdeu LeBron James. O Thunder terminou as três últimas temporadas regulares em primeiro na conferência, com 57, 68 e 64 vitórias, e não perdeu ninguém importante. O Spurs fez 62 vitórias e terminou logo atrás. O Nuggets, 54, com Nikola Jokic.
Há um detalhe que agrava a conta. Um time só chega a 49 vitórias ganhando a maioria dos jogos contra os outros sete ou oito times bons da própria conferência, e não dá para ganhar esses jogos no talento de dois jogadores. Precisa de rotação, e é aí que o Lakers apostou barato nesta offseason.
Vale lembrar como o corte se move. Ele não depende só de quantas partidas o Lakers ganha, depende de quantas os rivais perdem. Em 2023-24 o Oeste teve seis times acima de 46 vitórias e o play-in virou disputa de time bom; em 2021-22, a décima vaga saiu com 34. O mesmo desempenho vale coisas diferentes em anos diferentes, e é por isso que vitória contra time da própria conferência conta dobrado na prática.
O que muda se Doncic jogar 75 partidas
Luka Doncic jogou 64 jogos na temporada passada e liderou a NBA em pontos, com 33,5 por partida. Austin Reaves ficou em 51. Nenhum dos dois passou de 70 partidas, e o time ainda assim fez 53 vitórias.
É o argumento mais forte contra a projeção. Se os dois jogarem 75 jogos cada, o Lakers ganha algo perto de vinte partidas de dupla titular que não teve, e a conta muda sozinha. Se repetirem 64 e 51, a projeção de 45 vira otimismo.
Walker Kessler entra na mesma conta. Ele jogou cinco partidas na temporada passada antes da cirurgia no ombro, e o Lakers passou o ano inteiro sem pivô titular de verdade. Um pivô que protege o aro em setenta jogos vale mais vitórias do que qualquer contratação de ala que o time fizesse agora.
O número que vale é o de abril
Projeção de setembro não ganha jogo. O que o histórico do Oeste diz não é que o Lakers vai ficar de fora, é que a margem sumiu: o time que fez 53 vitórias e terminou em quarto precisa repetir quase tudo aquilo só para não jogar repescagem em abril.