O Lakers quer Jonathan Kuminga, e Kuminga quer o Lakers, mas o acordo esbarra no dinheiro. A franquia trabalha com uma proposta de dois anos e US$ 20 milhões, enquanto o ala de 23 anos busca algo acima dos US$ 25 milhões que recebeu do Golden State. O impasse pode definir o rumo do offseason em Los Angeles.

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Resumo rápido
  • O Lakers oferece dois anos e US$ 20 milhões; Kuminga quer superar os US$ 25 milhões de 2024.
  • Para abrir espaço salarial, o time cogita trocar Vanderbilt e Knecht sem receber salário de volta.
  • A alternativa é um sign-and-trade com o Atlanta Hawks, último time de Kuminga na temporada.
  • Jake Fischer duvida que Kuminga ache número maior: “não sobrou espaço salarial em lugar nenhum”.
  • Em cinco temporadas, Kuminga tem 12,5 pontos e 50,2% de aproveitamento por jogo.

A conta que não fecha

O desejo é mútuo, e isso raramente basta na NBA. Segundo apuração de Khobi Price, do California Post, Kuminga também vê Los Angeles como destino preferido. O problema não é a vontade, é a matemática. O Lakers quer resolver a carência nas alas por um preço específico, e o jogador chega à mesa com uma expectativa que não cabe nesse orçamento.

O número que a franquia tem em mente é modesto para os padrões de um ala atlético de 23 anos: dois anos e US$ 20 milhões no total. É uma aposta de baixo risco, do tipo que dá saída rápida caso o encaixe não funcione. Do outro lado da mesa, Kuminga e seu agente olham para um teto bem mais alto.

Os caminhos do Lakers para abrir espaço

Mesmo pelo valor que prefere, o Lakers precisa mexer no elenco para caber o contrato. Há dois roteiros na mesa. O primeiro é liberar espaço salarial trocando dois jogadores, provavelmente Jarred Vanderbilt e Dalton Knecht, sem receber salário de volta na operação. O segundo é montar um sign-and-trade com o Atlanta Hawks, time com que Kuminga encerrou a última temporada.

Nenhum dos dois caminhos é trivial. Abrir mão de Vanderbilt e Knecht sem retorno imediato mexe na profundidade de um grupo que já ficou mais jovem em torno de LeBron James e Doncic. E um sign-and-trade depende de o Hawks topar o papel de facilitador. São peças que precisam se encaixar ao mesmo tempo, e a janela para isso não é infinita.

O número que Kuminga quer

A distância entre as partes ganhou contorno numa transmissão ao vivo em Las Vegas, sede da principal Summer League. O insider Jake Fischer revelou o patamar que o entorno de Kuminga persegue, e ele mira acima do que o jogador já tirou do Golden State.

“Acredito que o Kuminga busca algo acima daquele patamar de US$ 25 milhões que ele conseguiu no ano passado no Golden State”, disse Fischer. Na sequência, o próprio jornalista jogou um balde de água fria na pretensão: “Sendo bem honesto, acho difícil imaginar que ele vá encontrar esse número neste mercado.”

A leitura de Marc Stein empurra a conversa para o lado do Lakers. Para o veterano do mercado, a escassez de dinheiro pela liga pode fazer a proposta modesta virar a melhor carta na mesa. “Se ele conseguir 20 em dois anos a esta altura da free agency, considerando onde está o espaço salarial? Não sobrou espaço salarial em lugar nenhum, na real”, afirmou Stein.

É o tipo de cenário em que o tempo trabalha contra o jogador. Quanto mais o calendário avança e menos caixa sobra pelas outras 29 franquias, mais a oferta de Los Angeles deixa de ser um teto baixo e passa a ser, simplesmente, a oferta que existe.

O que Kuminga entrega em quadra

O talento nunca esteve em dúvida, e é o que mantém o Lakers interessado apesar do impasse. Em cinco temporadas, Kuminga acumula médias de 12,5 pontos, com 50,2% de aproveitamento de quadra, e 4,2 rebotes em 22,1 minutos por jogo. É pontuação, é transição e é potencial defensivo num corpo de 23 anos.

Os pontos de interrogação também são conhecidos. O arremesso de três não convence, e o que o mercado chama de intangíveis, a leitura de jogo, a consistência, a maturidade competitiva, ainda oscila. Mas Kuminga entrega o que um elenco recém-rejuvenescido não tem de sobra: um finalizador vertical que castiga a defesa em campo aberto e tem lampejos de defensor de alto nível.

Há um detalhe de bagagem que pesa. Kuminga foi peça de um Golden State campeão em 2022, e experiência de título não é algo que se compra num elenco que, de repente, ficou jovem. Para um grupo em transição, ter alguém que já pisou no ponto mais alto da temporada tem valor que não aparece na planilha salarial.

Quem vence primeiro

O que resta é um jogo de paciência. O Lakers aposta que o mercado seco vai empurrar Kuminga de volta para o valor que a franquia já definiu. Kuminga aposta que o talento vale mais do que dois anos e US$ 20 milhões. Um dos dois vai ceder, e a leitura de quem conhece os bastidores é que a maré do calendário corre a favor de Los Angeles. Até lá, o desejo mútuo segue esbarrando na única coisa que ninguém na NBA consegue driblar: a conta.