Jonathan Kuminga perdeu a principal peça da sua negociação. Com o Cleveland Cavaliers fechando com Mario Hezonja por um ano e US$ 2,8 milhões, o ala ficou sem leilão. Sobrou o Lakers, que oferece dois anos e US$ 20 milhões no total. O pedido de US$ 20 milhões por temporada perdeu o comprador alternativo.

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Resumo rápido
  • O Cavaliers fechou com Mario Hezonja em 26 de julho: um ano e US$ 2,8 milhões.
  • Kuminga pede perto de US$ 20 milhões por temporada; o Lakers oferece esse total em dois anos.
  • O Hawks recusou a opção de equipe do ala e exige um sign-and-trade favorável.
  • Kuminga, 23 anos, teve 12,3 pontos e 5,3 rebotes em 16 jogos por Atlanta.
  • Folha de Cleveland travada por Mitchell, Mobley, Allen e Harden inviabilizou o pedido.

O que a contratação de Hezonja realmente significa

Cleveland não anunciou desistência. Fez melhor: gastou. Segundo Shams Charania, o Cavaliers acertou com Mario Hezonja por um ano e US$ 2,8 milhões em 26 de julho, trazendo de volta à NBA o quinto escolhido do draft de 2015. Hezonja passou as últimas quatro temporadas no Real Madrid, onde teve médias de 15 pontos, 4,3 rebotes e 2,1 assistências na última campanha, e não jogava na liga desde 2019-20, ainda pelo Portland Trail Blazers.

A leitura em Cleveland saiu sem rodeios: a chegada de Hezonja “não elimina o Cavaliers do mercado de Kuminga, mas reduz drasticamente a urgência”. Traduzindo em números, o time resolveu a vaga de ala por uma fração do que Kuminga pede para uma temporada só.

A folha de Cleveland nunca comportou o pedido

O motivo é aritmético, não estratégico. A folha salarial do Cavaliers está dominada pela extensão máxima de Donovan Mitchell somada aos compromissos com Evan Mobley, Jarrett Allen e James Harden. Para bancar Kuminga no valor que ele pede, Cleveland precisaria mandar salário embora numa troca, exatamente o que a diretoria evitou desde o começo da offseason. O aperto do apron não é opinião de dirigente, é regra de convenção coletiva.

Kuminga só tinha virado assunto por lá porque era o plano B caso LeBron James escolhesse outro destino. Com James a caminho do Philadelphia 76ers, o time de fato precisava de um ala. Só que escolheu o ala barato.

Sobrou um comprador, e ele não tem pressa

Sem concorrente, o Lakers virou o único endereço realista para Kuminga. E aí mora a ironia da situação. Enquanto havia dois interessados, o jogador podia usar um contra o outro para empurrar o valor. Agora, o time que restou é justamente aquele que menos precisa correr, porque não existe ninguém do outro lado da linha para roubar o alvo.

Rob Pelinka e JJ Redick já haviam apresentado a Kuminga a ideia de ser um ala de muitos minutos ao lado de Doncic, num ataque espaçado desenhado para quem ataca o aro em linha reta. Era um argumento de projeto quando existia leilão. Virou argumento de projeto e de mercado depois que o leilão acabou.

O Hawks continua sendo o outro problema

Nada disso acontece sem Atlanta. O Hawks recusou a opção de equipe do ala e, segundo Marc Stein e Jake Fischer, pretende ser “bem seletivo” nos cenários de sign-and-trade que aceitar. O desenho que circula, publicado por Khobi Price, do California Post, manda Kuminga a Los Angeles e devolve Jarred Vanderbilt mais uma troca de escolha de primeira rodada do Lakers em 2032.

Dan Woike, do The Athletic, escreveu que a franquia não está “muito motivada a empurrar capital de draft relevante” na operação. É a mesma posição de sempre, com uma diferença importante: agora ela custa muito menos risco de perder o jogador para outro.

O que Kuminga vale de verdade

Aos 23 anos, o ala chegou ao Hawks vindo do Golden State Warriors e disputou 16 partidas pela franquia, com médias de 12,3 pontos e 5,3 rebotes. É produção de rotação. O pedido é de titular estabelecido. Essa distância entre o que o boletim mostra e o que o agente cobra sempre foi o nó da negociação, e ela só se sustentava enquanto dois times estivessem dispostos a pagar pela promessa.

Vale lembrar que Kuminga deixou o Warriors justamente porque a franquia nunca lhe deu a função que ele reivindica. Trocou de time e seguiu sem ela. É o terceiro verão consecutivo em que a discussão sobre o papel dele antecede a discussão sobre o preço, e esse padrão começa a virar argumento contra o jogador na mesa de negociação.

O relógio virou contra o jogador

Resumo do que mudou em pouco mais de uma semana:

  • Cleveland resolveu a vaga de ala por US$ 2,8 milhões e saiu da urgência.
  • O Lakers deixou de ter concorrência direta pela assinatura.
  • O Hawks manteve intacto o poder de veto sobre qualquer sign-and-trade.
  • Kuminga perdeu o único mecanismo que empurrava o preço para cima.

Kuminga entrou nesta offseason como o melhor jogador disponível fora dos holofotes. Segue sendo. Só que o mercado parou de disputá-lo, e mercado sem disputa não paga prêmio. Resta ao jogador decidir se o número importa mais que o minuto, porque a chance de ter os dois passou em 26 de julho.