Sandro Mamukelashvili avisou no Media Day do Lakers que o contrato de quatro anos assinado em julho serve para cobrar mais de si mesmo, e nunca de conforto. O ala-pivô disse que quem relaxa na NBA começa a cair e que pretende provar o valor que o Lakers pagou em cada treino.
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O que ele disse no Media Day
A pergunta era simples: como é chegar ao Lakers com a segurança de um contrato longo pela primeira vez na carreira. Mamukelashvili agradeceu, mas mudou de assunto em uma frase e passou a falar do que ele entende como o risco da estabilidade.
“É ótimo, mas você não pode ficar confortável. Falo sério. O momento em que você se acomoda nesta liga é o momento em que começa a cair. Ter assinado por quatro anos não quer dizer nada: sinto que preciso provar em cada jogo, em cada treino, em cada ano.”
Sandro Mamukelashvili, no Media Day do Lakers
A fala foi publicada pelo Lakers Nation. Ele ainda completou dizendo que quer ser o jogador que não se contenta, que quer ganhar e fazer parte de algo grande, e que foi essa forma de encarar cada dia como um desafio que o trouxe até aqui. “Mesmo com um contrato grande, isso não quer dizer que vou sentar e ficar feliz com ele. O trabalho nunca para”, disse.
De onde vem esse discurso
O discurso tem lastro na carreira. Mamukelashvili entrou na NBA como a 54ª escolha do Draft de 2021, na segunda rodada, e passou as cinco primeiras temporadas entre contratos curtos e papéis de fim de banco. Passou por Bucks, Spurs e Raptors, onde chegou com um acordo de dois anos perto do salário mínimo.
O contrato com o Lakers muda de patamar. São US$ 52 milhões por quatro temporadas, perto de US$ 13 milhões por ano, várias vezes o que ele ganhava em Toronto. É o tipo de salto que costuma mudar a cabeça de um jogador, para bem ou para mal, e é justamente sobre isso que ele foi perguntado.
Onde ele entra no Lakers
A resposta tem peso porque o lugar dele no time ainda não está decidido. Redick confirmou três titulares, Doncic, Austin Reaves e Walker Kessler, e deixou as outras duas vagas para o camp. Depois do primeiro treino, nesta terça (29), o técnico avisou que ninguém tem minuto garantido e que a rotação vai mudar ao longo do ano.
Mamukelashvili é o ala-pivô que arremessa de três no elenco do Lakers, e isso abre o garrafão para Doncic atacar o aro. Em agosto, pela Geórgia, ele ainda mostrou um lado passador que o papel em Toronto não pedia, com seis assistências em cada um dos dois jogos das eliminatórias europeias. A nossa leitura, publicada em setembro, é que ele rende mais comandando a segunda unidade ao lado de Collin Sexton do que disputando vaga no quinteto.
A disputa começa de verdade em 5 de outubro, contra o Kings, na abertura da pré-temporada. São cinco jogos até a estreia contra o Warriors, em 21 de outubro, e cada um deles vai servir para Redick medir quem encaixa melhor ao lado de Doncic e Kessler. Para um jogador que diz precisar provar algo em cada treino, é o calendário perfeito.
Seja qual for o papel, a fala do Media Day deixa claro como ele pretende chegar lá. O contrato de julho resolveu o futuro financeiro de um jogador que passou cinco anos trocando de camisa. O que ele quer agora é o que o dinheiro não compra: um lugar fixo na rotação de um time que joga para ser campeão.