Sandro Mamukelashvili vai dividir com Kevon Looney os minutos de reserva de Walker Kessler no Lakers e explicou no camp o que muda no jogo dele quando sai da ala para o garrafão. O georgiano, que não quer ficar confortável com o contrato novo, abre a quadra onde Kessler não abre.
O plano para o garrafão reserva
Com Walker Kessler como titular, a dúvida da rotação estava no banco: quem segura o garrafão quando o pivô descansa? Redick respondeu ainda antes do camp, numa entrevista à rádio ESPN LA. “Vamos ter que jogar minutos de pivô reserva com o Looney como o pivô tradicional, e vamos ter que jogar alguns com o Mamu. Acho que a chegada do Mamu nos dá muita flexibilidade de formação por causa do conjunto de habilidades dele.”
São dois perfis opostos para a mesma vaga. Kevon Looney é o pivô de garrafão, de rebote ofensivo e bloqueio, que fez carreira no Warriors. Mamukelashvili é o pivô que joga longe da cesta, arremessa de três e passa a bola. Em vez de escolher um, Redick quer usar os dois conforme o adversário.
Looney chega com currículo que nenhum outro do elenco tem: três títulos da NBA pelo Warriors, em 2017, 2018 e 2022, quase sempre como o pivô que fazia o trabalho sujo ao lado de Stephen Curry. Passou a última temporada no Pelicans, com pouco espaço, e assinou com o Lakers para ser exatamente isso de novo: o reserva que garante rebote e defesa quando o jogo pede tamanho.
O que muda quando ele vira pivô
Depois do treino de quarta-feira, Mamukelashvili descreveu as duas funções com detalhe de quem já pensou no assunto. No ataque, a diferença está em onde ele recebe a bola.
“Jogando de pivô, é abrir a quadra, fazer o corta-luz e sair para o arremesso, ir para o outro lado e participar de muitas jogadas de espera. Quando estou de ala-pivô, é aquele jogo de receber logo depois do bloqueio, perto da linha de lance livre, e decidir dali.”
Sandro Mamukelashvili, ala-pivô do Lakers, depois do treino de quarta-feira
A fala foi registrada pelo Lakers Nation, que publicou a entrevista inteira no vídeo abaixo. Na defesa, ele explicou, a lógica se inverte. De ala-pivô, joga longe da bola, pronto para ajudar. De pivô, a responsabilidade é de comunicação: são muitos bloqueios para defender e muita coisa para avisar aos companheiros em voz alta.
O conector que Redick quer
Redick usa uma palavra para definir o que espera dele: conector. “A posse morreu, ele recebe a bola, ele consegue driblar”, disse o técnico depois do primeiro treino. É o jogador que pega uma jogada travada e a destrava com um passe ou uma infiltração curta, sem precisar que a bola volte para Doncic ou Reaves.
O próprio Mamukelashvili gosta do papel. “Eu adoro passar. Acho que tenho boa leitura para isso e adoro achar o companheiro livre”, contou. Quando perguntado sobre a posição, deu a mesma resposta que tinha ouvido de Redick no telefonema da agência livre, quando quis saber onde se encaixaria: “Sou jogador de basquete, independentemente de qualquer coisa.”
Por que isso importa para Doncic
A diferença entre os dois reservas aparece no espaço. Com Kessler ou Looney em quadra, o pivô fica perto da cesta, e a defesa adversária pode congestionar o garrafão. Com Mamukelashvili, o pivô vai para a linha de três, leva o marcador junto e abre o caminho para a infiltração de quem está com a bola. Para um armador que vive de atacar a cesta e achar o passe, é uma formação feita sob medida.
O preço está do outro lado da quadra. Mamukelashvili pegou 4,9 rebotes por jogo na temporada passada, menos da metade do que Kessler costuma pegar, e não protege o aro como um pivô de ofício. É por isso que Redick fala em usar os dois reservas conforme o adversário. Contra time grande, Looney. Contra time que joga aberto, Mamukelashvili. A pré-temporada, a partir de segunda-feira, vai mostrar quanto de cada um o técnico pretende usar.