A fase de testes do Lakers ainda tem dois jogos pela frente, mas as partidas disputadas desde o dia 5 deram pistas importantes sobre o time que entra em quadra em 21 de outubro. Há um sinal muito bom, um alerta que se repete a cada jogo e algumas decisões que Redick ainda precisa tomar.
O sinal bom: a química veio rápido
Com tantos jogadores novos e sem LeBron James, era natural esperar um começo truncado. Não foi o que aconteceu. Em análise publicada neste sábado, Alex Regla, do Silver Screen and Roll, destacou que os reforços já se entendem com os companheiros, seja em jogadas ensaiadas, seja no improviso. Ainda há passes errados e falhas de cobertura na defesa, mas a intenção está lá.
A explicação, segundo ele, é que ninguém tem dúvida sobre o próprio papel. Sem LeBron, a hierarquia ficou clara: Luka Doncic e Austin Reaves criam as jogadas, e o resto do elenco se encaixa em volta. Matisse Thybulle e Ziaire Williams viraram alas que defendem e arremessam de três sem precisar da bola, e Sandro Mamukelashvili assumiu o papel de conector do ataque, com passe extra, contra-ataque e espaçamento.
Os números dos três jogos
As estatísticas de equipe mostram os dois lados com clareza. O Lakers arremessou melhor de três, forçou mais perdas de bola do que cometeu e roubou bolas em ritmo alto, reflexo da defesa de pressão de Redick. Mas perdeu por larga margem em tudo o que acontece perto da cesta: pegou quase oito rebotes a menos por jogo, cedeu 14,7 rebotes ofensivos e levou, em média, 54 pontos no garrafão.
O alerta: o garrafão sem Kessler
O lado ruim apareceu justamente onde se temia desde o verão. Walker Kessler ainda não estreou, por causa de uma lesão no dedo, e os minutos sem ele expuseram o garrafão. Kevon Looney tem dado conta, mas as limitações físicas aparecem quanto mais ele joga. Mamukelashvili como pivô melhora o ataque, mas deixa a defesa frágil e deve ser usado com moderação.
O reflexo está nos rebotes. O Lakers perdeu essa briga nos três jogos e é o quarto time que mais permite rebotes ofensivos na pré-temporada. Parte disso vem de uma escolha de Redick: os alas maiores marcam a bola no perímetro, e os armadores ficam com a tarefa de brigar no garrafão contra adversários mais altos. Kessler não resolve tudo sozinho, mas a ausência dele mostra o que pode acontecer se o pivô perder muitos jogos na temporada.
O painel de estatísticas da NSN ajuda a medir o tamanho do buraco. Ele coloca Kessler na última temporada saudável, pelo Utah, ao lado de Looney e Mamukelashvili na temporada passada, pelo New Orleans e pelo Toronto.
| Tempo de jogo | |||
| Jogos disputados | 58 | 21 | 80 |
| Minutos | 30,0 | 14,6 | 21,9 |
| Vitórias | 14 | 3 | 44 |
| Derrotas | 44 | 18 | 36 |
| % de vitórias | 24,1 % | 14,3 % | 55,0 % |
| Pontuação e aproveitamento | |||
| Pontos | 11,1 | 2,8 | 11,2 |
| % de cestas | 66,3 % | 41,7 % | 52,3 % |
| Bolas de 3 convertidas | 0,1 | 0,1 | 1,4 |
| % de 3 pontos | 17,6 % | 15,4 % | 38,9 % |
| Lances livres convertidos | 1,4 | 0,3 | 1,5 |
| % de lances livres | 52,0 % | 70,0 % | 74,7 % |
| Criação | |||
| Assistências | 1,7 | 1,6 | 1,9 |
| Perdas de bola | 1,5 | 0,4 | 0,8 |
| Assistências por 100 posses | 14,6 | 31,5 | 16,5 |
| Rebotes | |||
| Rebotes | 12,2 | 5,6 | 4,9 |
| Rebotes ofensivos | 4,6 | 2,3 | 1,4 |
| Rebotes defensivos | 7,6 | 3,3 | 3,6 |
| Defesa | |||
| Roubos de bola | 0,6 | 0,4 | 0,8 |
| Tocos | 2,4 | 0,5 | 0,5 |
| Faltas | 2,2 | 1,6 | 1,8 |
| Impacto avançado | |||
| +/- | -5,7 | -3,0 | +2,3 |
| Rating líquido | -9,1 | -10,4 | +5,3 |
No radar, cada um ocupa um canto diferente. Kessler se estica em rebote, toco, aproveitamento e minutos, com 12,2 rebotes e 2,4 tocos por jogo. Mamukelashvili vai para o outro lado, com 38,9% de três e mais assistências, o perfil de conector que a pré-temporada mostrou. Looney fica no meio, sem se destacar em nenhum eixo. É por isso que nenhum dos dois reservas substitui o titular sozinho: um traz o arremesso, o outro a experiência, mas o rebote e a proteção de aro dependem de Kessler.
O que ainda está em aberto
A maior dúvida é a rotação com todo mundo disponível. Pelas formações que Redick usou até aqui, Ziaire Williams aparece na frente pela última vaga do quinteto, ao lado de Doncic, Reaves, Kessler e Quentin Grimes. Jarred Vanderbilt, por outro lado, parece fora da rotação: entrou pouco e quase sempre nos minutos finais, mesmo com tantos desfalques.
O corte obrigatório também segue pendente. O Lakers tem 16 contratos garantidos para 15 vagas, e Dalton Knecht é o candidato mais provável a sair. Regla cita outro nome: Jaden Hardy, que foi mal nas chances que teve e pode perder minutos para os armadores mais jovens. A favor dele pesa o contrato de 6 milhões de dólares, que termina nesta temporada e pode ser útil em trocas mais adiante.
O que vem
As respostas devem chegar nos dois jogos que restam: contra o Warriors, na terça, em Las Vegas, e contra o Nuggets, na sexta seguinte, em Los Angeles. Se Kessler estrear, Redick finalmente vai ver o quinteto que imaginou, e a pré-temporada vai deixar de ser um laboratório para virar um ensaio geral antes da estreia, em 21 de outubro.