Rob Pelinka falou pela primeira vez dos novos donos do Lakers na quinta e disse que as primeiras conversas com Bob Iger e Josh Kushner foram excelentes. Os compradores, que pagaram US$ 12,5 bilhões, já mostraram a investidores o plano para a franquia: quase triplicar o valor em dez anos.
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O que Pelinka pôde dizer
A venda ainda não foi aprovada pela liga, e as regras da NBA limitam o que um dirigente pode comentar sobre uma transação em andamento. Pelinka deixou isso claro logo na primeira resposta sobre o tema, na coletiva de pré-temporada, mas não fugiu de dar um sinal.
“Tivemos reuniões de apresentação com o Bob e com o Josh, e elas foram excelentes. Com uma transação pendente, não temos liberdade para falar mais, pelas regras da liga. Mas tivemos conversas preliminares com eles que foram muito, muito positivas.”
Rob Pelinka, presidente de operações de basquete do Lakers, na coletiva de pré-temporada
Ele também garantiu que o dia a dia não mudou com a troca de comando. Disse que a diretoria segue sendo ampliada, agradeceu o apoio de Jeanie Buss e citou mais de 15 contratações nos últimos meses, entre elas os dois novos assistentes de gerente-geral: Eric Amsler, que passou duas décadas no Heat, e Rohan Ramadas, responsável por teto salarial e análise de dados. E prometeu mais olheiros para o departamento de Amsler.
A pergunta que ele deixou sem resposta
Um ponto ficou em aberto. Desde a compra por Mark Walter, dono do Dodgers, dois executivos do time de beisebol, Andrew Friedman e Farhan Zaidi, atuam como conselheiros do Lakers. Perguntado se isso continua com os novos donos, Pelinka não respondeu. Disse que aprendeu muito com Friedman, desejou sorte ao Dodgers na busca pelo tricampeonato e encerrou com um “vamos ver”.
É a resposta de quem não sabe como vai ficar o próprio entorno. O Lakers vai para a segunda troca de dono em pouco mais de um ano, e cada uma trouxe gente e ideias novas para a diretoria. O próprio Walter, que vendeu a franquia, virou alvo de uma ação coletiva nos Estados Unidos nas últimas semanas.
E há a frente familiar. Jeanie Buss contesta na Justiça a venda da participação dos irmãos aos novos compradores, e a audiência do caso ficou para dezembro. É mais um motivo para a cautela de Pelinka, que responde a ela e, em breve, a quem pagou pela franquia.
O plano que os compradores mostraram
Se Pelinka não pode falar, o papel fala por ele. Jessica Toonkel e Mark Maurer, do Wall Street Journal, tiveram acesso a uma apresentação que a Thrive Capital, empresa de Kushner, fez circular entre investidores. Nela, o grupo comprador projeta que o Lakers valha pelo menos US$ 30 bilhões em dez anos, desde que os direitos de TV e streaming dobrem de valor. No cenário mais otimista, o número chega a US$ 62 bilhões.
O documento também traz os números do negócio hoje. O Lakers deve faturar cerca de US$ 681 milhões nesta temporada, puxado por bilheteria e direitos de mídia, e a meta é chegar a US$ 1,6 bilhão em 2037. O lucro operacional ajustado, estimado em US$ 129 milhões, passaria de US$ 589 milhões no mesmo período. O caminho, segundo o grupo, passa por crescimento internacional e por novas oportunidades nos direitos de mídia locais.
Onde o torcedor entra na conta
Receita que quase triplica em uma década não sai só de contrato de TV. Parte dela passa pela arena, e o plano dos novos donos para os ingressos já apareceu: cortar o espaço dos cambistas e ficar com a diferença que hoje vai para o mercado de revenda. Na prática, ingresso mais caro na bilheteria oficial.
A diretoria que Pelinka descreveu, maior e com mais gente de dados, é a outra ponta do mesmo projeto. Os novos donos vão cobrar resultado em quadra de um time que já custa caro e que vai custar mais. A primeira impressão, segundo o próprio dirigente, foi boa. A segunda vai sair na tabela.