O Lakers aparece em um processo contra Mark Walter sem figurar entre os acusados. O caso foi aberto no dia 17 e cobra respostas do ex-dono. Um comprador de previdência na Flórida acusa Walter e empresas de seguro ligadas a ele de esconder para onde ia o dinheiro dos segurados, e aponta a compra do time entre os destinos.

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Resumo rápido
Nenhum
Pedido contra o Lakers: o time não é réu e não é acusado de nada na peça
Nove
Acusações na ação, entre elas ocultação fraudulenta e quebra de contrato
US$ 5 mi
Valor mínimo cobrado, em nome de dezenas de milhares de segurados
US$ 16 bi
Volume de operações das seguradoras que procuradores federais já examinam

Começando pelo que o processo não diz

O Lakers não é réu. O Dodgers também não. Nenhuma das duas franquias é acusada de irregularidade, e não há pedido de condenação contra elas. As duas entram na peça como exemplo, no trecho em que o autor tenta mostrar para onde teria ido o dinheiro que ele diz ter sido desviado de rota. Registrar isso primeiro não é formalidade: é a diferença entre o que aconteceu e o que a manchete apressada vai sugerir por aí nos próximos dias.

Quem responde são Mark Walter, a seguradora Delaware Life, o grupo Group 1001, a TWG Global e a Guggenheim Partners. A ação foi apresentada em uma corte federal da Flórida e pede o reconhecimento de uma classe, ou seja, quer valer para todo mundo que estiver na mesma situação do autor, e não só para ele.

O que o comprador de previdência alega

O autor é Ira Rosner, morador da Flórida, de 67 anos. Ele comprou um plano de previdência da Delaware Life e afirma que as empresas esconderam quanto do dinheiro dos segurados foi parar em negócios ligados ao próprio Walter. A peça descreve um esquema de ocultação e distorção da alocação desses ativos em entidades controladas por ele ou a ele associadas.

São nove acusações, entre elas ocultação fraudulenta, quebra de contrato, auxílio a fraude e conspiração civil. O pedido é de ao menos 5 milhões de dólares, em nome do que a peça descreve como dezenas de milhares de compradores em todo o país. O escritório responsável é o Robbins Geller Rudman e Dowd, especializado nesse tipo de causa. A apuração é do Front Office Sports, e o caso foi replicado desde então por Yahoo Finance, Yardbarker e HoopsWire.

Do outro lado, a defesa já se manifestou.

“Nenhum tribunal decidiu que a Group 1001 Insurance ou a Delaware Life Insurance Company fizeram algo errado, e pretendemos defender o caso com vigor.”

Porta-voz do Group 1001, em nota

Em agosto, quando o assunto era a apuração criminal, a TWG Global tinha usado um tom mais duro e dito que ali não havia vítima, que ninguém tinha sido prejudicado e que ninguém havia alegado prejuízo.

A apuração que corre por fora, e é a mais pesada

A ação civil não nasceu no vácuo. Desde fevereiro, a Delaware Life e a Clear Spring Life and Annuity, as duas ligadas a Walter, foram intimadas por procuradores federais que querem saber se investimentos em crédito privado bancavam outras partes do império dele sem que isso ficasse claro para quem comprou os planos. A Comissão de Valores Mobiliários americana apura em paralelo. O volume sob exame chega a 16 bilhões de dólares em operações.

Houve resposta prática. A Delaware Life aceitou se desfazer de até 6,5 bilhões de dólares em ativos ligados ao grupo, e quem compra essa carteira é a própria TWG Global, a empresa de Walter, devolvendo à seguradora o mesmo valor em ativos sem vínculo com ele. É um movimento que separa as duas pontas justamente naquilo que os investigadores questionam.

Por que isso chega ao Lakers

Porque a peça liga a necessidade de caixa de Walter à venda da franquia por 12,5 bilhões de dólares, fechada com Josh Kushner e Bob Iger. A tese do autor é que o dinheiro dos segurados ajudou a sustentar ativos como o time de basquete e o de beisebol, e que a venda serviu para resolver um problema criado antes. É uma tese, não um fato provado, e nenhum tribunal se pronunciou sobre ela.

Para quem torce, o efeito prático hoje é zero. A venda está encaminhada, o comando passa a Kushner, e na semana passada o comissário Adam Silver disse que a liga ouviu órgãos de governo, a seguradora regulada e outras ligas em que Walter investe antes de aprovar a compra, sem encontrar sinal de alerta. Walter também já se desfez da fatia que tinha no futebol europeu e segue como codono do time de beisebol de Los Angeles.

O que observar daqui para frente

Duas coisas, e nenhuma delas é a manchete de hoje. A primeira é se o juiz reconhece a classe: sem isso, a ação encolhe para o caso de um único comprador e perde o tamanho que a fez virar notícia. A segunda é o que a apuração criminal produz, porque intimação não é acusação e o caso pode terminar sem nenhuma.

Enquanto isso corre, o time trabalha. O elenco ainda precisa cortar um nome antes de outubro, a pré-temporada começa em duas semanas e nada disso depende de uma corte na Flórida. A história de quem pagou a conta do Lakers vai continuar sendo contada em documentos por um bom tempo, e ela interessa. Só não muda quem entra em quadra na estreia.