O Lakers vai ter um dono só, e não é Bob Iger. Josh Kushner será o único acionista controlador do time, segundo o New York Post, enquanto Iger fica como sócio minoritário e governador alternativo, tocando o dia a dia. A venda de US$ 12,5 bilhões que noticiamos em agosto tem um detalhe que mudou tudo.
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Só pode haver um governador, e a regra é da liga
A informação é de Charles Gasparino, do New York Post, publicada na quinta-feira. O ponto central dele é simples e desmonta a versão que circulou em agosto: cada time da NBA tem um único governador, a pessoa que representa a franquia nas reuniões da liga e responde por ela diante do comissário. No Lakers, esse nome será Josh Kushner.
Não é uma escolha de estilo, é exigência escrita. A NBA obriga quem exerce o controle a ter pelo menos 15% da franquia em nome próprio. Em uma operação avaliada em US$ 12,5 bilhões, isso significa US$ 1,875 bilhão saindo do bolso de Kushner, e não de um consórcio.
O que sobra para Bob Iger
Sobra muita coisa, só não a caneta final. Iger entra como sócio minoritário e governador alternativo, o suplente que assume a cadeira quando o titular não está. É ele quem deve aparecer, falar e cuidar da gestão do dia a dia do time, papel que combina com uma carreira inteira à frente da Disney e com a experiência recente no futebol feminino, onde ele e a mulher, Willow Bay, controlam o Angel City desde 2024.
A confusão veio da largada. Quando a operação foi revelada em agosto, o New York Times, o Wall Street Journal e o Los Angeles Times trataram os dois como compradores em pé de igualdade, e o nome de Iger, muito mais conhecido do público, virou o rosto do negócio. Gasparino escreve que essa leitura foi exagerada. Aos 75 anos, Iger vai comandar sem ser o dono de controle.
Kushner, aos 41, faz o caminho inverso: é o menos famoso e vai ser quem manda. Ele já tem participação minoritária no Miami Heat e vai precisar se desfazer dela para concluir a compra, porque a liga não deixa ninguém ter parte em dois times ao mesmo tempo.
Quem é quem no novo comando
| Nome | Posição no negócio | O que decide |
|---|---|---|
| Josh Kushner | Acionista controlador e governador | Palavra final, com no mínimo 15% em nome próprio |
| Bob Iger | Minoritário e governador alternativo | Gestão do dia a dia e representação pública |
| Todd Boehly | Minoritário, sócio de Walter | Segue no time, sem voz de controle |
| Mark Walter | Vendedor da fatia de controle | Sai do comando pouco mais de um ano depois de chegar |
O tamanho do cheque, comparado com a liga
US$ 12,5 bilhões não é apenas o maior valor da história da NBA. É mais que o dobro da maior venda anterior de uma franquia de basquete que não fosse o próprio Lakers, e essa distância explica por que a liga cuida tanto de saber exatamente quem assina embaixo.
O que ainda pode mudar
Nada disso está fechado. A operação depende do aval do conselho de governadores da NBA, e é esse conselho que carimba quem exerce o controle. Enquanto o carimbo não sai, o time trabalha no escuro, com os cargos altos das operações de basquete parados e a disputa da família Buss ainda correndo na Justiça.
Para a torcida, a diferença é prática e vale mais do que o organograma. Um dono que aparece pouco e decide tudo governa de um jeito. Um executivo que aparece muito e decide o cotidiano governa de outro. O Lakers vai ter os dois arranjos ao mesmo tempo, e ninguém no longo histórico de donos da franquia assumiu em uma divisão parecida com essa.
O primeiro teste chega antes do que parece. O training camp abre em cerca de um mês, o time ainda tem uma vaga de titular em aberto e qualquer decisão grande de elenco vai passar por gente que ainda não sabe a quem responde. Quando a bola subir em outubro, o torcedor já vai saber o nome do dono. O que ninguém sabe é quantas dessas decisões vão ter sido tomadas antes de ele assumir.