A NBA diz que não encontrou nenhum sinal de alerta ao avaliar Mark Walter antes de ele assumir o Lakers. Adam Silver afirmou que a liga consultou órgãos de governo, o setor de seguros e outras ligas onde ele investe, e que o dono que vendeu a franquia dez meses depois nunca foi investigado pela NBA.
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O que a liga diz ter checado
A fala veio na coletiva que o comissário dá depois da reunião do conselho de governadores, que aconteceu na segunda e na terça em Nova York. Foi a primeira vez que Silver falou publicamente sobre a troca de comando no Lakers, e ele começou lembrando que Walter não era um desconhecido: já tinha uma fatia minoritária da franquia antes de assumir o controle.
“Passamos pelo processo completo que sempre fazemos. Falamos com órgãos de governo e, no caso do Mark Walter, com um setor de seguros fortemente regulado. Não encontramos nenhum sinal de alerta.”
Adam Silver, comissário da NBA, em coletiva após a reunião do conselho de governadores
Silver disse ainda que a liga procurou outras ligas nas quais Walter tem investimento, e acrescentou uma frase que responde à pergunta que circulava desde agosto: independentemente de ele ter escolhido vender agora, não havia investigação da NBA sobre ele.
O comissário soube pelos compradores
O detalhe que diz mais sobre a velocidade do negócio é como a notícia chegou à liga. Silver contou que ficou sabendo da intenção de vender quando os compradores o procuraram para avisar que já havia acordo fechado. Ou seja, a NBA não acompanhou a negociação se formando: soube quando ela estava pronta.
A conta que ninguém desmente
O que a checagem da liga não altera é a aritmética. Walter comprou o controle do Lakers em outubro de 2025, em uma operação que avaliou a franquia em US$ 10 bilhões. Em agosto de 2026 vendeu para Josh Kushner e Bob Iger, com avaliação de US$ 12,5 bilhões. São US$ 2,5 bilhões de diferença em dez meses, no negócio mais caro já feito no esporte americano.
Não há nada de irregular nisso, e é justamente esse o ponto do comissário. Mas explica por que a torcida recebeu a notícia como recebeu: quem chegou prometendo estabilidade saiu antes de completar uma temporada inteira no comando, e quem manda agora é outro grupo, com outro desenho de poder.
O assunto ganhou peso pelo que estava ao lado dele na mesma mesa. O conselho tratou também da punição aplicada ao Clippers por burla ao teto salarial, o caso de governança mais caro da história recente da liga. Discutir checagem de dono na semana em que a NBA pune um dono não é coincidência de agenda, é o tema do momento entre as trinta franquias.
O que continua em aberto
Duas coisas a coletiva não resolveu. A primeira é que reportagens americanas apontam negócios do grupo empresarial de Walter sob investigação federal, assunto que Silver não confirmou nem comentou, limitando a resposta ao que cabe à liga. Vale separar as duas esferas: dizer que a NBA não investigava alguém não é dizer que ninguém investigava.
A segunda é Jeanie Buss. Ela não concordou com a venda nem participou da decisão, e levou o caso à Justiça. A petição para barrar a operação será ouvida em dezembro. Foi sobre esse assento que a reunião desta semana em Nova York levantou a dúvida mais desconfortável, a de saber se ela ainda representará o Lakers na próxima.
Silver falou como quem fecha um capítulo administrativo, e do ponto de vista da liga ele fecha mesmo: processo cumprido, nada encontrado, dono aprovado, dono substituído. Para quem torce, o capítulo continua aberto em um tribunal da Califórnia, e a data já está marcada.