Rob Pelinka montou um Lakers novo em volta de Doncic e agora responde por ele a donos que herdaram o dirigente. Para Jim Alexander, colunista do Orange County Register, qualquer temporada abaixo da briga pelo título pode custar o cargo. Os novos donos ainda não disseram o que pensam.

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Resumo rápido
14 meses
Tempo entre as duas trocas de dono do Lakers. Pelinka atravessou as duas.
2 de 1ª rodada
Escolhas sem proteção, de 2031 e 2033, entregues ao Jazz por Walker Kessler, além de duas inversões.
Nove
Jogadores novos no elenco que abriu o training camp.
Título
A meta que Redick assumiu em público. Para o colunista, menos do que isso é fracasso.

O que diz a coluna

A coluna de Jim Alexander no Orange County Register, publicada nesta semana, parte de uma constatação simples. Pelinka passou o verão desmontando e remontando o elenco, perdeu LeBron James para o Sixers e apostou tudo em um time construído para Doncic. Se der errado, não há a quem mais atribuir a conta.

“Lembre que Pelinka é um funcionário herdado, agora que o controle do Lakers mudou de mãos pela segunda vez em 14 meses. Ainda não sabemos o que os novos donos, Bob Iger e Joshua Kushner, têm em mente, nem quão rápido podem agir se as coisas não saírem como esperado.”

Jim Alexander, colunista do Orange County Register

O colunista vai além e fixa a régua. Para ele, qualquer coisa abaixo de disputar o título é uma temporada aquém da expectativa, e, nas palavras dele, “francamente, uma que Pelinka pode não sobreviver”. É opinião, não apuração: nenhum dos donos falou publicamente sobre o futuro do dirigente.

O que Pelinka colocou em jogo

A reformulação tem nome e sobrenome. A aposta mais cara foi Walker Kessler, que veio do Jazz por duas escolhas de primeira rodada sem proteção, de 2031 e 2033, e duas inversões de escolha, em 2028 e 2030. Pela agência livre chegaram Collin Sexton, Quentin Grimes e Sandro Mamukelashvili, e o perímetro ganhou Matisse Thybulle e Ziaire Williams.

A offseason de Pelinka
Os principais reforços para 2026-27 e como cada um chegou.
Walker Kessler
Walker Kessler
pivô, ex-Jazz
Como chegou
Troca, duas escolhas de 1ª
Sandro Mamukelashvili
Sandro Mamukelashvili
ala-pivô, ex-Raptors
Como chegou
Agência livre, 4 anos
Collin Sexton
Collin Sexton
armador
Como chegou
Agência livre
Quentin Grimes
Quentin Grimes
ala-armador, ex-Sixers
Como chegou
Agência livre
Matisse Thybulle
Matisse Thybulle
ala, ex-Blazers
Como chegou
Agência livre, 1 ano
Ziaire Williams
Ziaire Williams
ala, ex-Nets
Como chegou
Agência livre, 1 ano
Fonte: anúncios do Lakers e da NBA na offseason de 2026.

O custo não está só nas escolhas. Depois da troca pelo Kessler, o Lakers ficou praticamente sem moeda para negociar durante a temporada, como registrou Khobi Price, do California Post: a única escolha de primeira rodada que o time pode oferecer de forma livre é a de 2032. Se o elenco não render, sobra pouco para consertar no meio do caminho.

Por que a régua é tão alta

Quem subiu a régua foi o próprio Lakers. Redick assumiu em público que o time joga para ser candidato ao título, e Pelinka passou a offseason vendendo o elenco como o primeiro construído sob medida para Doncic. Com o esloveno e Austin Reaves no auge, e Kessler para proteger o garrafão, a franquia deixou de ter a desculpa da transição. E o ponto de partida é recente: na temporada passada, sem Doncic, machucado, o time passou pelo Rockets e foi varrido pelo Thunder na semifinal do Oeste.

Há também o peso do mercado. Alexander lembra que, em Los Angeles, a discussão sobre o futuro de um dirigente não espera o fim da temporada. Uma sequência ruim em novembro já basta para o assunto voltar.

O lado de Pelinka

A pressão não apaga o que o dirigente entregou. Foi Pelinka quem conduziu a troca que trouxe Doncic, em fevereiro de 2025, a jogada que redefiniu a franquia, e foi ele quem segurou Reaves com uma extensão longa. Na diretoria, ampliou o departamento de dados, contratou dois assistentes de gerente-geral e, nesta semana, um novo chefe de olheiros.

O currículo também pesa. Pelinka comanda o basquete do Lakers desde 2017 e montou o elenco campeão de 2020, em volta de LeBron James e Anthony Davis, o último título da franquia. Poucos dirigentes da liga atravessaram tantas mudanças de rumo no mesmo cargo, de LeBron a Doncic, da família Buss a dois donos novos em pouco mais de um ano.

E o recado dos novos donos, até aqui, foi de continuidade. Na coletiva de pré-temporada, Pelinka contou que as primeiras conversas com Iger e Kushner tinham sido “muito, muito positivas”. Mas a venda ainda precisa ser concluída, e dono novo costuma querer gente sua nos cargos-chave. A coluna de Alexander não diz que Pelinka cai. Diz que, a partir de agora, a resposta vem da quadra, e começa na segunda-feira, contra o Kings.