O Lakers contratou Pooh Jeter, ex-armador do Kings, para chefiar seus olheiros de jogadores profissionais. Ele deixa o Blazers e vai estudar rivais e alvos de troca. É a primeira contratação do departamento de Eric Amsler, o assistente de gerente-geral vindo do Heat.

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Resumo rápido
62 jogos
A passagem de Jeter pela NBA como jogador, toda pelo Kings, na temporada 2010-11.
Cinco países
Ucrânia, China, Espanha, França e Israel, onde ele jogou depois de sair da liga.
Desde 2023
No Blazers, como técnico de desenvolvimento e assistente de gerente-geral do time da G League.
15 ou mais
Contratações da diretoria nos últimos meses, pela conta de Rob Pelinka.

O que muda com a chegada dele

A notícia foi dada por Marc J. Spears, da Andscape, na quinta-feira. Jeter assume a direção de observação de jogadores profissionais, um cargo de bastidor que pesa no dia a dia. Na prática, o departamento dele faz duas coisas. A primeira é estudar os adversários antes de cada jogo, com relatórios sobre jogadas, tendências e pontos fracos que chegam à comissão de JJ Redick. A segunda é acompanhar jogadores de outros times e de outras ligas que possam virar alvo de troca, de agência livre ou de draft.

Num time com pouca escolha de primeira rodada para negociar, a segunda parte vale ouro. Encontrar o jogador subvalorizado, o contrato que o outro time quer passar adiante e o veterano barato que ainda rende é o trabalho que separa uma diretoria que reage de uma que se antecipa.

A promessa de Pelinka

A contratação fecha uma promessa feita há pouco mais de uma semana. Na coletiva de pré-temporada, Rob Pelinka contou que a diretoria tinha feito mais de 15 contratações nos últimos meses e garantiu que viriam mais olheiros para o departamento de Amsler. Foi o mesmo dia em que ele falou pela primeira vez dos novos donos do Lakers, Bob Iger e Josh Kushner.

Segundo Spears, foi Amsler quem trouxe Jeter. O assistente de gerente-geral passou duas décadas no Heat, uma franquia conhecida justamente por achar jogador onde ninguém procura, e chegou a Los Angeles em setembro. Jeter é o primeiro nome que ele escolhe para montar a própria equipe.

Quem é Pooh Jeter

Jeter é de Los Angeles. Estudou no colégio Junipero Serra, em Gardena, ao sul da cidade, e jogou basquete universitário pela Universidade de Portland. Armador baixo e rápido, não foi escolhido no draft e fez carreira longe da NBA antes de ganhar uma chance no Kings, onde disputou 62 jogos em 2010-11.

A carreira de jogador foi quase toda no exterior. Passou por Ucrânia, China, Espanha, França e Israel, além da G League. Naturalizado ucraniano, defendeu a seleção do país na Copa do Mundo de 2014, na Espanha, e foi o principal jogador do time no torneio, segundo a própria FIBA. É um currículo que conta para o cargo novo: quem rodou por cinco ligas diferentes conhece por dentro os mercados onde o Lakers pode procurar reforço barato.

Depois de parar, Jeter foi para o lado de fora da quadra. Desde 2023 trabalhava no Blazers, primeiro como técnico de desenvolvimento de jogadores e depois como assistente de gerente-geral do Rip City Remix, o time de Portland na G League. Foi lá que aprendeu a parte de escritório do basquete, a de avaliar, negociar e montar elenco.

O vídeo acima, da FIBA, mostra o Jeter jogador na Copa de 2014: armador de 1,80 m, rápido no drible e sem medo de arremessar marcado. É o tipo de jogador que a NBA costuma descartar cedo e que as ligas da Europa e da Ásia aproveitam por uma década, e é exatamente o perfil que um bom olheiro aprende a reconhecer antes dos outros.

O desenho da diretoria nova

A chegada de Jeter completa uma sequência. Nos últimos meses vieram Amsler e Rohan Ramadas, o assistente de gerente-geral responsável por teto salarial e pelo departamento de análise de dados que Pelinka está montando. Agora o departamento de observação ganha um chefe. É uma diretoria que cresce em gente enquanto a franquia passa por mais uma troca de dono.

Para o torcedor, o efeito não aparece em quadra nesta pré-temporada. Aparece em fevereiro, no prazo de trocas, e no próximo verão, quando o nome que chegar ao elenco tiver passado antes pelos relatórios de um armador que jogou em cinco países e conhece o caminho de quem chega à NBA pela porta dos fundos.