O Lakers contratou tres dirigentes em quatro meses e montou um departamento que o time nao tinha. Rob Pelinka trouxe um especialista em dados e teto salarial, um olheiro vindo do Miami e um diretor de desempenho físico. Nenhum deles joga, e os três respondem direto a ele.
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Três cadeiras, três buracos diferentes
As contratações não se repetem, e é isso que faz o conjunto significar algo. Rohan Ramadas chegou em maio para cuidar de estratégia, com foco em análise de dados e teto salarial. É a função que decide se uma troca cabe na regra antes de alguém discutir se ela é boa de basquete.
Eric Amsler foi anunciado em 9 de setembro como o segundo assistente de gerente geral. Ele cuida de observação de jogadores profissionais e de draft, e de desenvolvimento. Keith D’Amelio entrou dois dias depois para comandar os sistemas integrados de desempenho, que é a parte de condicionamento, carga de treino e prevenção de lesão tratada como dado, não como palpite do preparador.
Juntas, as três cobrem o ciclo inteiro de uma decisão: descobrir o jogador, verificar se ele cabe na folha e manter o sujeito inteiro depois de contratado.
De onde eles vêm
Amsler é o currículo mais revelador. Ele entrou no Miami como estagiário em 2004 e saiu de lá como vice-presidente de pessoal de jogadores, depois de passar por observação, operações e pelo comando do time do Heat na G League. Ou seja, o Lakers contratou alguém que subiu todos os degraus de uma organização que virou referência exatamente em achar jogador barato e transformá-lo em peça útil.
D’Amelio vinha de diretor de inovação do New York Liberty, na WNBA, com treze anos de Nike antes disso e passagens por Celtics, Raptors e pelo basquete masculino de Stanford. É gente de laboratório, não de quadra. A escolha diz que a franquia parou de tratar desempenho físico como assunto da comissão técnica e passou a tratar como área própria.
“Continuar investindo e fortalecendo nosso grupo de operações de basquete é uma prioridade enquanto construímos o sucesso do time no longo prazo.”
Rob Pelinka, ao anunciar a chegada de D’Amelio
O movimento também aparece um degrau abaixo. Nesta semana, o técnico do time do Lakers na G League foi promovido à comissão de JJ Redick e quem assumiu a vaga foi o auxiliar que já estava lá havia três temporadas. É a mesma lógica das contratações de cima, vista de baixo: a franquia passou a tratar a estrutura como um lugar por onde se sobe, e não como um conjunto de cargos avulsos.
Por que isso acontece agora
O calendário não é coincidência. As três chegadas acontecem no ano em que a franquia trocou de dono e passou a responder a um grupo que promete transformar o time em outra coisa. Estrutura de bastidor é o tipo de investimento que dono novo gosta de aprovar, porque é barato perto do elenco e aparece em apresentação.
Também é o primeiro ano sem LeBron James, o que muda o modo de montar time. Com ele, o Lakers vivia de janela curta: trocar escolha futura por ajuda imediata, porque o relógio do jogador mandava. Sem ele, com Luka Doncic aos 27 anos, a franquia precisa de um processo que funcione por uma década. Processo se faz com gente, e é isso que está sendo contratado.
O que dá para cobrar disso
Nada em outubro, e convém ser honesto sobre isso. Departamento novo não ganha jogo, não conserta ombro e não resolve a vaga que sobra no elenco atual. O efeito de um bom trabalho de observação e de dados aparece em dois ou três anos, em forma de segunda rodada que vira rotação e de contrato que não vira peso morto.
O teste virá nas escolhas pequenas. O Lakers tem histórico ruim em achar jogador fora dos holofotes e histórico caro em contratar veterano no fim da linha. Se daqui a duas temporadas o time estiver girando a rotação com gente que ninguém conhecia, essas três contratações terão sido a notícia mais importante deste setembro. Se não, terão sido três nomes numa nota oficial.