O time do Lakers na G League anunciou Alex Cerda como tecnico em 18 de setembro. Ele era auxiliar ali havia tres temporadas e foi promovido. Cerda assume no ano em que a filial trocou de cidade e de nome, e ocupa a cadeira que ficou vaga em julho, quando o antecessor subiu para o time principal.
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Quem sobe da filial não é só jogador
A história aqui não é bem a chegada de Cerda. É o caminho que ele completou. Zach Guthrie comandava o time da G League e foi promovido em julho para a comissão técnica de JJ Redick, no time principal. A cadeira que ele deixou foi preenchida por quem já estava na sala, o auxiliar de três temporadas.
É o mesmo princípio que a franquia aplica com atletas, só que aplicado a quem fica na lateral da quadra. Quem trabalha na filial não está ali só para desenvolver jovens: está sendo desenvolvido também. Nick Mazzella, gerente geral do time, colocou a lógica em palavras ao anunciar a escolha.
“A capacidade dele de se conectar com os jogadores, o entendimento que tem da nossa filosofia de desenvolvimento e a experiência que acumulou na NBA e na G League fazem dele um encaixe natural para a função.”
Nick Mazzella, gerente geral do time da G League
De onde Cerda veio
O currículo é de bastidor, do tipo que quase nunca aparece em manchete. Cerda foi coordenador-chefe de vídeo e treinador de desenvolvimento no Fort Wayne Mad Ants em 2016, passou duas temporadas no departamento de vídeo do Clippers e foi auxiliar e coordenador de ataque do Texas Legends entre 2021 e 2023. Depois disso veio para a filial do Lakers, onde ficou três anos antes de assumir o comando.
É a trilha clássica de quem começa carregando equipamento e editando lance para técnico ver. O próprio Redick, que nunca foi auxiliar de ninguém, é a exceção que confirma a regra: o caminho normal passa por sala de vídeo e G League, não por microfone de televisão.
O time que ele pega mudou de tudo
Cerda assume no momento mais estranho possível para uma transição. Em abril, a franquia anunciou que o time deixaria a região sul de Los Angeles, onde se chamava South Bay Lakers, e passaria a jogar no deserto da Califórnia, a leste da cidade, sob o nome de Coachella Valley Lakers. A estreia sob o nome novo é justamente na temporada 2026-27, que começa agora.
Então ele herda um time que trocou de casa, de identidade visual e de comando ao mesmo tempo, e que ficou dois meses sem técnico entre a saída de Guthrie e o anúncio desta semana. Do lado prático, o elenco que ele vai treinar inclui os três jogadores de two-way do elenco principal do Lakers, que dividem a temporada entre os dois times e são o motivo pelo qual essa filial importa para quem acompanha o time de cima.
Vale lembrar de onde esse time saiu. O Lakers foi a primeira franquia da NBA a comprar a própria filial, em 2006, quando fundou o Los Angeles D-Fenders. O modelo hoje é padrão na liga, mas na época era novidade, e foi de lá que nasceram o South Bay de 2017 e o Coachella Valley de agora. Trocar o nome pela segunda vez em vinte anos é menos radical do que parece: a casa muda, a função continua a mesma.
Por que isso interessa a quem torce
Porque é ali que os contratos baratos viram rotação. Arthur Kaluma, AK Okereke e Chris Mañon vão passar boa parte do ano sob o comando de Cerda, e a chance de algum deles virar peça útil em abril depende bem mais do trabalho diário no deserto do que dos minutos que pegarem em Los Angeles.
Cerda disse estar grato e honrado pela oportunidade, e prometeu um grupo competitivo, conectado e resistente. É o tipo de frase que todo técnico novo diz. A diferença é que, no caso dele, quem ocupou a mesma cadeira no ano passado está hoje em pé ao lado de Redick, em um banco da NBA. Essa é a promessa que a filial realmente faz.