Bronny James tem duas tarefas claras no camp do Lakers: marcar pressionando na quadra inteira em toda posse e conduzir o ataque do time reserva. Foi o que ele contou depois do treino de sábado (3), com o elenco ainda acima do limite de vagas e a função que Redick já tinha desenhado para ele ganhando forma.

InstagramSiga o Lakers Brasil no Instagram@lakersbrasilnba: notícias, bastidores e vídeos do Lakers todo diaSeguir

Resumo rápido
Toda posse
A comissão quer Bronny marcando o armador rival desde a quadra de defesa, depois de cada cesta.
16 para 15
Contratos garantidos contra vagas na temporada regular. Alguém sai até a estreia, em 21 de outubro.
3º ano
Só Reaves e Vanderbilt estão há mais tempo no Lakers. Bronny divide o terceiro lugar com Knecht.
42 jogos
O que ele disputou na temporada regular passada, com 2,9 pontos por partida.

A defesa que começa lá atrás

O pedido da comissão técnica é simples de explicar e cansativo de cumprir. Toda vez que o adversário pega a bola depois de uma cesta, Bronny sobe para marcar o armador antes do meio da quadra. Não em algumas posses, em todas. É a mesma defesa que ele mostrou nos oito jogos de playoffs da temporada passada, quando chamou atenção mais pela marcação do que pelos pontos.

“Estou construindo em cima do instinto defensivo, do jeito que eu estava nos playoffs, marcando na quadra inteira”, disse ele, segundo Broderick Turner, do Los Angeles Times. “Eles vêm enfatizando isso, então sou um dos caras que sobem na quadra inteira em toda posse, toda vez que a gente faz cesta.”

O teste diário não é pequeno. Nos coletivos do camp, quem ele marca são Luka Doncic e Austin Reaves. Bronny contou que um irrita o outro, e que é exatamente por isso que o treino vale: “Com certeza vai me deixar melhor na defesa”. O Lakers montou o elenco em volta de defensores de perímetro como Matisse Thybulle e Quentin Grimes, e Bronny quer ser contado entre eles.

A bola na mão do reserva

A segunda tarefa é do outro lado da quadra. No coletivo de sábado, com Doncic e Reaves no time adversário, a condução ficou com Bronny, Grimes e Jaden Hardy. É o ensaio do que Redick já tinha anunciado na primeira semana: os dois astros vão se revezar em quadra, e alguém precisa organizar o ataque nos minutos em que um deles descansa.

Para um jogador que sempre falou pouco, a mudança é de postura. Bronny admitiu que é reservado por natureza e que, nos dois primeiros anos, a voz do time era a do pai. Agora a função pede outra coisa. “É isso que um armador faz. Você tem que falar com os seus companheiros, ajudar cada um a chegar onde precisa”, contou. “Se alguém sair, Deus me livre, eu tenho que ser o cara que assume a condução da bola.”

Ele também mexeu no arremesso. Passou o verão trabalhando a fluidez e a velocidade da soltura, manteve o peso, entre 97 e 100 quilos, e diz que continua magro o suficiente para se mexer rápido. Fisicamente, chega mais definido ao terceiro camp.

O veterano de 21 anos

Bronny riu quando ouviu que já é um dos mais antigos do elenco. Com a reformulação do verão, só Reaves, no sexto ano, e Jarred Vanderbilt estão há mais tempo no time. Ele divide o terceiro lugar com Dalton Knecht, justamente o nome mais citado quando se fala em quem pode sair. “Loucura, né? O AR fica me chamando de veterano. E eu: acho que sou”, brincou.

A brincadeira esconde uma conta séria. O Lakers tem 16 contratos garantidos para 15 vagas e precisa resolver isso até a estreia contra o Warriors, em 21 de outubro. O contrato de Bronny, de cerca de US$ 2,3 milhões, é garantido, mas isso não tira ninguém da conversa. Executivos rivais já apontam Knecht como o mais exposto, e cada amistoso conta para todos os que disputam os últimos lugares da rotação.

O primeiro deles é na segunda-feira, em Sacramento, contra o Kings, e o segundo na terça, contra o Warriors. Bronny sabe que a resposta não vem de uma vez. “Ainda é um processo. Vai levar alguns jogos para todo mundo se encaixar”, disse. A diferença é que, pela primeira vez, ele entra nesse processo com uma função escrita, e não só com um sobrenome.