Austin Reaves contou nesta semana como foi o primeiro contato com Rui Hachimura no Lakers, em 2023: nas duas primeiras semanas, nem sabia se o novo companheiro falava inglês. A história veio antes do primeiro reencontro dos dois. Em quadra, Reaves levou a melhor, com 28 pontos na vitória por 125 a 117.
A história do avião
Perguntado sobre o ex-companheiro depois de um treino, Reaves riu antes de responder. Segundo o Lakers Nation, ele lembrou dos primeiros dias de Hachimura no Lakers, depois da troca com o Wizards, em janeiro de 2023.
“Ele é um ser humano inacreditável. Eu não sabia se ele falava inglês nas duas primeiras semanas.”
Austin Reaves, sobre Rui Hachimura
A explicação veio em seguida. Reaves contou que sentou ao lado de Hachimura num voo do time e que o japonês não disse uma palavra durante a viagem. Depois disso, completou rindo, não conseguia mais fazê-lo parar de falar. “Então, é um cara ótimo, um ótimo jogador, e eu sinto falta dele”, resumiu.
Os dois dividiram o vestiário por três temporadas e meia. Hachimura chegou como reforço para a ala e ficou até o fim de 2025-26, quando terminou com 11,5 pontos por jogo e 44,3% nas bolas de três, a melhor marca da carreira. Em julho, assinou com o Clippers um contrato de dois anos e US$ 28 milhões. Segundo Marc Stein, a decisão não foi só pelo dinheiro: o ala queria continuar morando em Los Angeles.
No Lakers, ele teve noites que a torcida não esquece. Em 2023-24, a melhor temporada dele no time, fez 13,6 pontos por jogo, com 53,7% nos arremessos e 42,2% nas bolas de três, como titular em 39 dos 68 jogos. Era o arremessador de canto que abria espaço para LeBron James e Anthony Davis atacarem a cesta, e depois para Doncic.
O reencontro em quadra
Na sexta, a amizade ficou no vestiário. Hachimura voltou à Crypto Arena com vontade e começou bem: fez 12 pontos no primeiro tempo, com duas bolas de três, ajudando o Clippers a ir para o intervalo empatado em 64 a 64. Luka Doncic chegou a sorrir para ele em quadra, num dos momentos registrados pelos fotógrafos.
No segundo tempo, o jogo mudou. Hachimura acertou mais uma de três logo no começo do terceiro quarto, mas depois sumiu do ataque. Não fez nenhum ponto no último quarto e terminou com 5 de 14 nos arremessos e saldo de -17. Reaves, do outro lado, comandou a virada: acertou 10 dos 13 arremessos, deu 9 assistências e fez a cesta que garantiu a vitória nos minutos finais.
O Lakers que ficou para trás
A história de Hachimura ajuda a entender o tamanho da mudança no Lakers nesta offseason. O time perdeu LeBron James para o Sixers e o japonês para o vizinho, e montou um elenco novo em volta de Doncic e Reaves. Reaves virou o jogador há mais tempo no elenco e a voz que explica aos recém-chegados como o time funciona.
Por isso a frase de que sente falta do ex-companheiro tem peso. Ele viu o grupo de 2023, que chegou à final do Oeste, ser desmontado peça por peça. Hachimura foi uma das últimas a sair.
A revanche já tem data
Os dois voltam a se encontrar em menos de uma semana. O Lakers visita o Clippers na quarta, às 23h30, no Intuit Dome, a casa nova do japonês. Antes, o time de Redick encara o Jazz no domingo e o Blazers na terça. Até lá, Hachimura tem uma tarefa: reencontrar a pontaria. Na estreia, contra o Kings, tinha acertado só 3 de 13 arremessos. Em dois jogos pelo Clippers, soma 8 de 27.
Se a primeira rodada foi de Reaves, a segunda promete mais. Hachimura vai jogar diante da própria torcida, e o Lakers vai tentar manter a invencibilidade fora de casa. A amizade continua. A rivalidade, agora, também. E os dois sabem disso.