Rui Hachimura enfrenta o Lakers nesta sexta pela primeira vez desde que trocou de lado em Los Angeles e foi para o Clippers. O ala passou mais de três temporadas no Lakers, deixou o time em julho e chega ao clássico depois de uma estreia apagada no ataque, com 3 de 13 nos arremessos.
O caminho até o outro lado do corredor
Hachimura chegou ao Lakers em janeiro de 2023, numa troca com o Wizards, e virou peça importante logo na primeira temporada, a da campanha até a final do Oeste. Ficou três temporadas e meia, sempre na rotação, e terminou 2025-26 com 11,5 pontos por jogo e 44,3% nas bolas de três, a melhor marca da carreira.
Em julho, com o mercado aberto, o Lakers deixou o ala sair, e o Clippers fechou com ele um contrato de dois anos e US$ 28 milhões, com opção do time para 2027-28, segundo a Associated Press. A troca de lado aconteceu sem sair da cidade: o Clippers joga hoje no Intuit Dome, em Inglewood, a poucos quilômetros da antiga casa dele. Já explicamos por que o Lakers deixou Hachimura ir embora.
Na despedida, Hachimura agradeceu à torcida do Lakers numa publicação no Instagram e disse que sempre vai lembrar das memórias construídas juntos. A diretoria do Clippers, por sua vez, deixou claro por que foi atrás dele. Lawrence Frank, presidente de operações de basquete, chamou o ala de arremessador de três de elite e de pontuador eficiente de meia distância, capaz de usar o tamanho para explorar marcações mais baixas.
Uma estreia para esquecer no ataque
O primeiro jogo oficial pelo novo time não foi bom na pontaria. Titular ao lado de Darius Garland, Kris Dunn, Derrick Jones Jr. e Isaiah Jackson, Hachimura fez 10 pontos em 32 minutos, mas acertou só 3 de 13 arremessos e 2 de 7 bolas de três. Compensou em outras frentes, com 8 rebotes, e o Clippers venceu o tempo dele em quadra por 13 pontos.
Contra o Lakers, o papel deve ser parecido. Hachimura é o ala de força que abre espaço para Garland atacar a cesta, e o tipo de jogador que o antigo time conhece de cor. Redick e a comissão técnica passaram duas temporadas vendo de perto onde ele gosta de arremessar, e a marcação deve tirar dele exatamente esse canto.
Ele não é o único rosto novo do vizinho. O Clippers que chega ao clássico já não tem Kawhi Leonard nem James Harden, e passou pela maior renovação de elenco da liga em relação à última estreia, segundo o Elias Sports Bureau, citado pela Associated Press. Na temporada passada, ainda com Kawhi, o time terminou com 42 vitórias e 40 derrotas. A aposta agora é em Garland, que fez 30 pontos contra o Kings, e em veteranos como Hachimura e Brook Lopez para dar estabilidade.
Do lado do Lakers, a tarefa de marcar o ex-companheiro deve cair com Ziaire Williams e Matisse Thybulle, os dois alas titulares da estreia. Thybulle, especialista em defesa, teve 1,3 roubo de bola por jogo na pré-temporada e é o tipo de marcador que pode deixar a noite do japonês ainda mais difícil.
O que o reencontro diz sobre o novo Lakers
A volta de Hachimura também lembra o tamanho da mudança no elenco. Na offseason, o Lakers perdeu LeBron James para o Sixers e Hachimura para o vizinho, e montou um time novo em volta de Luka Doncic e Austin Reaves, com Walker Kessler, Collin Sexton, Quentin Grimes, Sandro Mamukelashvili e Ziaire Williams chegando.
Na quarta, o time novo deu a primeira resposta, com a vitória sobre o Warriors. Na ala, onde Hachimura jogava, os titulares agora são Ziaire Williams e Matisse Thybulle, mais defensores do que pontuadores. Sexton, liberado para estrear, chega para dar pontos ao banco.
Para a torcida do Lakers, a sexta vai ser estranha. O jogador que comemorou tantas bolas de três na Crypto Arena agora vai tentar acertá-las contra o time da casa, num clássico que vale a liderança de LA. A bola sobe às 23h, e o aplauso, se vier, deve durar só até o primeiro arremesso.