Segunda escolha do Lakers no Draft de 2015 e titular na campanha de 2023, que terminou na final do Oeste, o armador trocou a NBA pela liga chinesa aos 30 anos. D’Angelo Russell assinou com o Shanghai Sharks uma semana depois de ser dispensado pelo Grizzlies, como mostramos quando ele ficou livre no mercado.

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Resumo rápido
11 temporadas
Na NBA, com 655 jogos, 17,0 pontos e 5,6 assistências de média.
2 passagens
Pelo Lakers, de 2015 a 2017 e de 2023 a 2024, somando 265 jogos.
26 jogos
Todos pelo Mavericks, na temporada passada, com 10,2 pontos.
3 times
Em oito meses: Mavericks, Wizards e Grizzlies, sem jogar pelos dois últimos.

Como ele chegou até a China

A assinatura foi anunciada pela própria liga chinesa, a CBA, na quarta-feira. O Shanghai Sharks é o time em que Yao Ming jogou antes de ir para a NBA, e que já recebeu americanos com passagem pela liga, como Jimmer Fredette e Eric Bledsoe. Para Russell, é a primeira vez como profissional fora dos Estados Unidos.

O caminho até ali foi rápido e pouco glamoroso. Em fevereiro, o Mavericks o mandou para o Wizards na troca que envolveu Anthony Davis. Ele nunca entrou em quadra por Washington. Em julho, foi repassado ao Grizzlies, que o dispensou em 25 de setembro, quatro dias antes da abertura dos training camps. O Memphis segue devendo a ele os cerca de US$ 5,97 milhões garantidos desta temporada.

Livre, Russell podia assinar com qualquer time da NBA pelo mínimo de veterano. Nenhum apareceu com proposta concreta, e em 12 de setembro nós já tínhamos mostrado que ele corria o risco de ficar sem time. A China resolveu o problema em uma semana.

A curva de um ex-All-Star

O auge foi no Nets, em 2018-19, quando entrou no Jogo das Estrelas com 21,1 pontos e 7,0 assistências por jogo. Depois disso, passou por Warriors e Timberwolves ainda como armador titular de alto volume. A queda começou justamente na segunda passagem pelo Lakers e acelerou depois dela:

A queda de Russell
Pontos por jogo no auge e nas três últimas temporadas
Nets
Temporada 2018-19
All-Star
Pontos por jogo
21,1
Lakers
Temporada 2023-24
76 jogos
Pontos por jogo
18,0
Lakers e Nets
Temporada 2024-25
58 jogos
Pontos por jogo
12,6
Mavericks
Temporada 2025-26
26 jogos
Pontos por jogo
10,2
Dados da ESPN, temporada regular.

Parte da queda é função, e não só talento. No Mavericks, Russell virou reserva de pouco minuto. Mas o aproveitamento também caiu: 29,5% nas bolas de três na temporada passada, contra 41,5% em 2023-24, pelo Lakers. Para um armador que nunca foi forte na defesa, perder o arremesso encurta muito o mercado.

As duas passagens pelo Lakers

Russell chegou ao Lakers como a aposta do pós-Kobe. Foi a segunda escolha do Draft de 2015 e jogou duas temporadas em um time que perdia muito, até ser trocado para o Nets em 2017, no negócio que trouxe Brook Lopez e a escolha que virou Kyle Kuzma.

A volta, em fevereiro de 2023, foi mais feliz no começo. Chegou na troca que levou Russell Westbrook embora, virou titular e fez parte da virada que tirou o time do fundo da tabela e o levou até a final do Oeste. No jogo que fechou a série contra o Grizzlies, na primeira rodada, marcou 31 pontos. Depois, contra o Nuggets, a série terminou em varrida e ele foi um dos mais criticados, com arremesso frio justamente quando o time mais precisava.

Renovou por dois anos no verão de 2023, teve uma boa temporada regular em 2023-24, com 18,0 pontos e 41,5% de três, e foi trocado em dezembro de 2024 para o Nets, no negócio que trouxe Dorian Finney-Smith. Desde então, não voltou a ser o mesmo.

O que a ida para a China diz

Aos 30 anos, jogador com o currículo de Russell costuma encontrar pelo menos um contrato mínimo como terceiro armador. Que nenhum time tenha oferecido isso diz mais sobre a liga atual, que paga caro por tamanho e defesa no perímetro, do que sobre o talento dele com a bola. Ele sempre foi um armador de arremesso e passe, e esse perfil perdeu valor quando não vem acompanhado de marcação.

Alguns americanos já usaram uma temporada na China para mostrar que ainda tinham ritmo de jogo e voltar à NBA depois. É a aposta mais provável de Russell: jogar muito, de novo com a bola na mão, e tentar reabrir a porta da NBA na próxima offseason.