O Grizzlies dispensou Russell na sexta, 25, e o armador escolhido pelo Lakers em 2015 pode assinar com qualquer time. Menos com o Lakers, que tem 16 contratos garantidos para 15 vagas e precisa cortar um antes da estreia. O risco de ficar sem time que mostramos em 12 de setembro virou fato.

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Resumo rápido
25/09
Dia em que o Grizzlies dispensou Russell, quatro dias antes da abertura dos training camps.
US$ 5,97 mi
Salário garantido desta temporada, que o Memphis continua devendo a ele.
US$ 3,88 mi
O mínimo de veterano que ele pode receber de um time novo, por um ano.
16 para 15
Contratos garantidos do Lakers e o limite da liga na estreia, em 21 de outubro.
1 time
O Heat, o único ligado a ele por um repórter até agora.

O elenco do Lakers já está um acima do limite

A conta que tira o Lakers da disputa é a mesma que ocupa a diretoria desde agosto. São 16 jogadores com contrato garantido no plantel atual, um a mais do que a NBA permite na noite de estreia, e o time ainda não decidiu quem sai. Para contratar Russell, seria preciso abrir duas vagas, e não uma.

Rob Pelinka tratou do assunto na coletiva de pré-temporada, na quinta, 24. “Para ir de 16 para 15 jogadores, temos até a noite de estreia para a disputa se resolver e para ver quem são os 15 melhores”, disse o presidente de operações de basquete. Na mesma entrevista, ele admitiu que uma troca de dois por um também está sendo estudada.

Nem essa troca abriria espaço para ele. Um negócio de dois por um leva o elenco de 16 para 15, ou seja, exatamente até o limite. Para caber mais um, o Lakers teria de fazer a troca e ainda dispensar outro jogador garantido, pagando o salário de quem sai sem ter quem jogue por ele.

A armação já tem gente sobrando

Também falta a necessidade. Luka Doncic e Austin Reaves dividem a criação de jogadas, e atrás deles estão Collin Sexton, que chegou nesta offseason, e Jaden Hardy, que veio na troca de Deandre Ayton. Bronny James completa o grupo, e os dois convidados de pré-temporada assinados em 18 de setembro, Chase Ross e Meechie Johnson, também são armadores.

E tem o dinheiro. A folha do Lakers para 2026-27 está em US$ 200,9 milhões, pouco acima da linha do imposto de luxo, de US$ 200,4 milhões. Para o teto, Russell custaria bem menos do que recebe, porque a liga banca a diferença em contrato mínimo de um ano para veterano. Só que, acima da linha, qualquer valor que entra na folha vira imposto, e o Lakers, que já passou dela em anos anteriores, paga a taxa mais alta.

A conta do contrato de Russell
Quem paga o quê na temporada 2026-27
Memphis
Salário garantido
Continua na folha do Grizzlies mesmo com a dispensa
Valor
US$ 5,97 mi
Russell
Mínimo de veterano
O que ele recebe de um time novo, com dez anos ou mais de liga
Valor
US$ 3,88 mi
Time novo
Valor lançado no teto
Em contrato de um ano, a liga cobre o resto
Valor
US$ 2,45 mi
Valores exatos: US$ 3.876.529 e US$ 2.449.421. Fonte: Hoops Rumors e NBA.

Por que o Memphis desistiu dele

O Grizzlies nunca contou com Russell. Ele chegou em julho, vindo do Washington na troca de seis times que envolveu Isaiah Stewart, Santi Aldama, John Collins e Khris Middleton, e entrou no negócio para acertar os salários. Ainda em julho, Kelly Iko, do Yahoo Sports, informou que as duas partes trabalhariam por uma rescisão ou uma troca. Nenhum time aceitou receber o contrato.

Com 19 jogadores sob contrato padrão e um time em reconstrução, o Memphis cortou o mais velho e o mais caro do grupo e, no mesmo dia, assinou o novato Brendan Hausen. Russell não disputou uma partida sequer pelo Grizzlies, nem pelo Wizards, para onde tinha ido em fevereiro na troca de Anthony Davis.

Agora ele passa 48 horas na lista de dispensas, e quem o reivindicar assume os US$ 5,97 milhões inteiros, hipótese remota a esta altura. Liberado, ele segue recebendo o que o Memphis deve e pode assinar pelo mínimo de veterano. Segundo Brett Siegel, do ClutchPoints, Russell quer um time que brigue por playoffs.

O Heat foi o primeiro a entrar na conversa

Até aqui, só um repórter ligou Russell a um time. Ira Winderman, que cobre o Heat para o South Florida Sun-Sentinel, escreveu nas redes sociais no dia da dispensa: “Com margem no elenco e no teto salarial, fica difícil ver por que D’Angelo Russell não valeria a tentativa para o Heat”. É opinião de setorista, não notícia de negociação.

Adam Wells, do Bleacher Report, acrescentou Hornets e Nuggets à lista de destinos possíveis. O Lakers não apareceu em nenhuma delas, e nem deveria, pelos motivos da conta acima.

Duas passagens, e a segunda foi a melhor

O Lakers escolheu Russell na segunda posição do Draft de 2015 e o mandou para o Brooklyn dois anos depois, no negócio que trouxe Brook Lopez e a escolha usada em Kyle Kuzma. A volta veio em fevereiro de 2023, na troca de três times que levou Russell Westbrook para o Utah, e durou até dezembro de 2024, quando ele foi de novo para o Brooklyn em troca de Dorian Finney-Smith e Shake Milton.

Foi na segunda passagem que ele deu ao time a melhor temporada. Em 2023-24, fez 18,0 pontos e 6,3 assistências em 76 jogos, acertou 41,5% de três e converteu 226 bolas de longe, recorde da franquia em uma temporada até Doncic passar dele em março deste ano. Ao todo, foram 265 jogos com a camisa do Lakers, com média de 15,3 pontos.

Depois disso, a queda foi rápida. Em 2024-25, dividido entre Lakers e Nets, fez 12,6 pontos por jogo. Na temporada passada, pelo Dallas, foram 10,2 pontos em 26 partidas, com 29,5% de três, a pior pontaria de longe da carreira.

O que teria de mudar para a porta abrir

Não existe caminho simples. O Lakers precisaria sair do training camp com uma vaga sobrando, o que exige resolver o 16º contrato e ainda abrir mais um espaço, tudo para contratar um armador em uma posição onde já sobra gente. A janela também é curta: os camps abrem na terça, 29, e quem assinar com Russell vai querer tê-lo desde o primeiro treino.

Nas duas vezes em que deixou o Lakers, Russell saiu em uma troca, por decisão do time. Desta vez, nem é o Lakers que decide. A conta de 16 para 15 fecha a porta antes de qualquer conversa começar.