O Lakers subiu uma posição no draft de 2026, negociou com o Knicks para ficar com o pick nº 24 e selecionou Cameron Carr, ala de Baylor que acertou 37,4% dos três e ataca o aro com violência. A escolha confirma o plano traçado por Rob Pelinka: montar o elenco em torno do que Luka Doncic precisa.

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Resumo rápido
  • Lakers subiram um lugar e pagaram o Knicks para chegar ao pick nº 24.
  • O escolhido foi Cameron Carr, ala de Baylor com 18,9 pontos por jogo.
  • Carr acertou 37,4% dos três tentando 6,1 bolas de fora por partida.
  • Defensivamente, somou 2,2 roubos mais tocos por jogo na temporada.
  • A escolha responde à falta de atletismo exposta pelo Thunder nos playoffs.

A subida no draft e a aposta em Carr

Antes da primeira escolha da noite, o comissário Adam Silver resumiu por que a data importa para todas as 30 franquias. “Cada escolha conta na busca por ser campeão da NBA, e essa caça começa hoje”, disse. O Lakers ouviu o recado e agiu: depois de horas de espera, trocou com o Knicks para subir um lugar e cravar Carr no draft.

Ler a cabeça de uma franquia em noite de draft é tarefa quase impossível. Treinos viraram segredo, informação confiável fica escassa e o objetivo de cada time fica nos bastidores. Por isso o movimento desta noite deve agradar o torcedor: a aposta foi feita com convicção, sem deixar o alvo escapar para outro time.

Carr pode virar peça de rotação, pode até estourar como estrela, ou pode não vingar. O destino dele ainda é uma página em branco. O que importa, neste momento, é que a escolha conversa com tudo que a diretoria vinha dizendo desde o fim da temporada.

O perfil que o projeto de Luka pede

Na entrevista de despedida da temporada, Pelinka deixou o desenho claro. “O arquétipo de elenco que queremos vai ser ajustado em torno do Luka e das coisas que ele precisa”, afirmou o presidente de operações de basquete. “Ele é o líder e o jogador do futuro em volta de quem queremos construir do jeito certo.”

O que Doncic precisa, fora um pivô de elite, são jogadores que acertem o arremesso e pressionem a cesta. Carr encaixa nessa descrição com folga. É arremessador com volume, explosivo e um jogador disposto a defender, exatamente o tipo de peça que abre espaço para o armador esloveno respirar.

Os números que sustentam a escolha

Na única temporada em Baylor, Carr teve médias de 18,9 pontos, 5,8 rebotes e 2,6 assistências por jogo. O dado que pesa é o de fora: 37,4% de aproveitamento nos três tentando 6,1 bolas de longa distância por partida, segundo os registros universitários. Volume com eficiência é raro em calouro.

Como finalizador acima do aro, ele deixa o Lakers mais explosivo de imediato, no estilo de Adou Thiero, com enterradas que arrancam reação da arquibancada. E não é só ataque: somou 2,2 entre roubos e tocos por jogo, tem instinto natural e arrisca bem as linhas de passe. Tamanho e vontade de marcar vêm no pacote.

A lição que o Thunder deixou

O Lakers terminou a fase de classificação em 22º em tocos, com apenas 4,3 por jogo. A carência de atletismo ficou escancarada na eliminação para o Thunder nos playoffs: o time não acompanhou o ritmo de Oklahoma City, que venceu as bolas divididas e ganhou também nas margens, no físico, no tamanho e na profundidade.

Escolher Carr é admitir a fraqueza e começar a corrigi-la. A franquia precisa de gente capaz de contestar os melhores finalizadores da liga, e a noite do draft foi o primeiro passo concreto nessa direção.

Palavra e ação caminhando juntas

Quando falou pela última vez à imprensa, o técnico JJ Redick simplificou o tipo de jogador que o time procura. “O Luke Kennard é um ótimo exemplo”, disse. “É um cara que dribla, passa e arremessa. Por causa das lesões, teve momentos em que não tivemos o suficiente disso. Precisamos ser melhores em driblar, passar e arremessar.”

Carr é justamente esse perfil de ameaça tripla, e o Lakers não deixou nada atrapalhar a aquisição. No esporte, como na vida, você quer que a palavra de uma franquia bata com a ação. Neste início de offseason, o Lakers não se contradisse: prometeu buscar jogadores que driblam, passam e arremessam, e foi atrás de um. Há muito a resolver na offseason, e o movimento de hoje foi só o início.