A defesa do Lakers segurou o Heat em 45 pontos no segundo tempo e o Kings em 87 nos 43 minutos finais, depois de um tempo pedido por JJ Redick. Nos dois jogos o time entrou mal sem a bola e se corrigiu durante a partida, como já tinha aparecido na vitória em Sacramento.
O que Redick viu nos dois jogos
Contra o Heat, na segunda-feira, na Crypto Arena, o Lakers foi para o intervalo vencendo por 79 a 72, com uma defesa que tinha deixado Giannis Antetokounmpo e Bam Adebayo à vontade no garrafão. Na volta, o Heat fez 21 pontos no terceiro quarto e 24 no último. Pelo Cleaning the Glass, o segundo tempo terminou com 95,7 pontos sofridos a cada 100 posses, marca de defesa de primeira linha. O placar final foi 138 a 117.
Em Sacramento, dois dias depois, o roteiro se repetiu de outro jeito. O Kings abriu 16 pontos em quatro minutos e meio, Redick parou o jogo e, dali em diante, o rival marcou 87 pontos em pouco mais de 43 minutos. O Lakers venceu por 116 a 103, a sétima vitória em nove jogos.
“Quando o jogo começou, a gente estava apagado. Pedi tempo cedo, eles já tinham 16 pontos, e depois fizeram 87 no resto do jogo. O que anima desse lado da quadra é que o esforço e a vontade de executar estão muito altos. Os segundos esforços foram muito bons, tivemos várias trocas de marcação e coberturas, e eles terminaram muitas posses com o relógio estourando.”
JJ Redick, técnico do Lakers, depois da vitória sobre o Kings
A entrevista foi registrada pela Silver Screen and Roll, em texto de Jackson Frank. Pelo mesmo levantamento, os 105,1 pontos sofridos a cada 100 posses em Sacramento formam a terceira melhor atuação defensiva do Lakers na temporada, atrás da vitória sobre o Clippers em 28 de outubro (90,9) e da estreia contra o Warriors (96,5).
Os números da noite em Sacramento
O Kings acertou 35 de 90 arremessos, 38,9%, e só 12 de 38 bolas de três, 31,6%. O Lakers somou 13 tocos e 11 roubos de bola, e as 18 perdas de posse do rival viraram 23 pontos. A diferença pesou porque o ataque, um dos mais eficientes da liga até ali, teve uma noite travada: 45% nos arremessos de quadra e as mesmas 12 bolas de três em 38 tentativas. Quem segurou o placar foram a defesa e a linha de lance livre, com 34 acertos em 38.
Kessler fechou a porta no último quarto
O fim do jogo teve a assinatura de Walker Kessler. O Kings chegou a encostar em 101 a 94 com quatro minutos para o fim, e o pivô respondeu com 10 pontos, cinco rebotes, quatro tocos e um roubo só no último quarto, antes de ser eliminado por faltas. Ele é o terceiro da NBA em tocos. Kessler admitiu que sofreu nos três primeiros quartos e disse que se apoiou nos companheiros e na comissão técnica para virar a noite.
Luka Doncic também apareceu desse lado da quadra. Além dos 40 pontos, ele sofreu faltas de ataque e entrou nas linhas de passe. Para Eric Lambkins II, do The Sporting Tribune, que acompanhou o jogo em Sacramento, é a melhor temporada defensiva da carreira do esloveno, e com folga.
Onde a conta ainda não fecha
O próprio Kessler deixou o alerta depois do jogo. “A gente precisa acertar algumas coisas na defesa. Quando o time se arma na meia quadra, a defesa é boa. Precisamos melhorar na transição, como grupo”, disse o pivô.
Os números confirmam a leitura. O Lakers é o oitavo melhor da liga na defesa de meia quadra, com 91,3 pontos sofridos a cada 100 posses, e o sétimo na defesa de contra-ataque. O problema é a frequência: é o sexto time que mais deixa o rival correr, em 16,9% das posses. Somado tudo, aparece só em 16º na eficiência defensiva geral. Os pontos sofridos jogo a jogo mostram a oscilação:
- Warriors, 105 (vitória)
- Clippers, 117 (vitória)
- Jazz, 123 (vitória)
- Blazers, 136 (derrota)
- Clippers, 87 (vitória)
- Warriors, 112 (derrota)
- Raptors, 125 (vitória)
- Heat, 117 (vitória)
- Kings, 103 (vitória)
A média é de 113,9 pontos sofridos por jogo. Os dois melhores números da lista, contra Clippers e Warriors, vieram em vitórias com folga, e o pior, contra o Blazers, foi a primeira derrota da temporada.
O teste de sexta contra o Blazers
A próxima prova é a mais dura possível para essa defesa. O Blazers tem o melhor ataque da NBA pelo Cleaning the Glass, está entre os cinco melhores tanto na meia quadra quanto no contra-ataque e foi o time que mais pontuou contra o Lakers no ano: 136 a 129, em 27 de outubro, na Crypto Arena. A revanche é nesta sexta, no mesmo ginásio, à meia-noite de sábado no horário de Brasília. Os detalhes de transmissão e escalação estão na prévia de Lakers x Blazers.
Se a defesa que apareceu depois dos sustos contra Heat e Kings entrar em quadra desde o primeiro minuto, o Lakers chega a esse jogo com um argumento que não tinha em outubro. Se repetir o começo lento, o Blazers é justamente o time que não costuma dar uma segunda chance.