JJ Redick abriu o camp do Lakers sem Bob Beyer, o assistente mais experiente do grupo e o treinador que o acompanha desde os tempos de jogador. Beyer se aposentou aos 64 anos, depois de duas temporadas no grupo montado em 2024, e Greg St. Jean assume o lugar dele ao lado de Redick no banco.
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A surpresa de agosto
Redick falou do assunto depois do primeiro treino do camp, na terça-feira (29), em El Segundo. Contou que a decisão não veio no fim da temporada, quando as comissões costumam se mexer, e sim no meio da offseason. Beyer o procurou em meados de agosto, com o planejamento do ano já em andamento, e explicou o motivo em uma frase.
“Eu já estava praticamente aposentado, aí você me chamou para fazer isso com você. Fiz por dois anos, e agora estou pronto para parar.”
Bob Beyer, nas palavras de JJ Redick, depois do primeiro treino do camp
Redick repetiu a fala do assistente aos repórteres e não escondeu que o anúncio o pegou desprevenido. “Foi uma surpresa, porque não aconteceu em maio. Aconteceu há um mês, em meados de agosto”, disse. Depois, definiu o peso da perda: “Bob é uma pessoa muito reservada. Foi alguém muito importante na minha vida na NBA e um amigo muito importante”.
Três times, três papéis
A relação entre os dois atravessa quase toda a carreira de Redick. Beyer era assistente do Magic entre 2007 e 2012, nos primeiros anos de Redick em Orlando. Voltaram a se encontrar no Pelicans, na temporada 2020-21, a última de Redick como jogador. Quando Redick virou técnico do Lakers, em 2024, foi atrás dele para a comissão.
Beyer chegou a Los Angeles com mais de quatro décadas de estrada. Começou em 1983, foi técnico principal do Siena na universidade e trabalhou como assistente de Bob Knight no Texas Tech. Na NBA, passou por Raptors, Magic, Warriors, Hornets, Pistons, Thunder, Kings e Pelicans, quase sempre com duas funções: organizar a defesa e desenvolver jogador jovem.
Era esse o papel dele no Lakers. Numa comissão chefiada por um técnico de primeira viagem, Beyer era o veterano que já tinha visto de tudo. Redick fez questão de lembrar esse lado. “Ele é um professor incrível. Foi um mentor incrível para muitos dos nossos técnicos jovens”, afirmou.
Quem ocupa a cadeira
O Lakers aproveitou a saída para reorganizar a comissão. Greg St. Jean, que está com Redick desde a montagem do grupo em 2024, sobe para a primeira fila do banco, a cadeira que era de Beyer. Michael Wexler deixa a chefia do vídeo e vira assistente técnico. Zach Guthrie sai do South Bay Lakers, a filial do time na liga de desenvolvimento, e assume como assistente e chefe de desenvolvimento de jogadores.
As mudanças descem até a base da comissão. Drew Seifert assume a coordenação de vídeo no lugar de Wexler, Gerdarius Troutman passa a técnico de desenvolvimento e Austin Pope e Lucas Vargas chegam como assistentes de vídeo. É uma troca que privilegia gente da casa, que já conhece o sistema de Redick, em vez de buscar outro veterano no mercado.
O timing pesa na defesa
A saída chega num momento sensível. A primeira das metas de Redick para o camp é justamente firmar os princípios defensivos, e o Lakers já anunciou que vai parar de trocar na defesa nesta temporada. É uma mudança de sistema, com elenco renovado, e ela vai ser ensinada sem o assistente que tinha mais horas de prancheta nesse assunto.
Redick ganhou tempo para se preparar, porque soube da decisão com seis semanas de antecedência. O vestiário, não. Para os jogadores novos, Beyer nunca vai ser mais do que um nome, e para quem ficou, a voz que corrigia a cobertura no treino agora é outra. O técnico perdeu o mentor, e o Lakers vai descobrir nos amistosos de outubro quanto da defesa ele levou junto.