JJ Redick mexeu no fim do segundo treino do Lakers, na quarta-feira, e cortou atividades porque o elenco estava pegando forte demais na defesa. O técnico gostou do que viu: as alas sobem a marcação e Walker Kessler promete um time difícil de enfrentar. É o primeiro teste da defesa nova, sem troca de marcação.
O treino que passou do ponto
O Lakers abriu o training camp na terça-feira, em El Segundo, e voltou à quadra na quarta para a segunda sessão. Foi essa que saiu do roteiro. A comissão técnica tinha um plano para a parte final do treino, e o plano não sobreviveu ao ritmo dos jogadores: Redick tirou algumas atividades e mudou o que restava.
Na entrevista depois do treino, o técnico deixou claro que o corte foi elogio, não bronca.
“Foi ótimo. A gente teve de mudar o último terço do treino porque os caras estavam dando tudo, com muito contato físico. Cortamos algumas coisas, mas foi maravilhoso.”
JJ Redick, técnico do Lakers, depois do treino de quarta-feira
A fala foi registrada por Khobi Price, do California Post, e pelo Lakers Wire. A entrevista inteira está no vídeo abaixo.
Sandro Mamukelashvili, que chegou em julho, descreveu o mesmo clima por dentro. “Foi muito intenso. Todo mundo com a mão em cima, muito físico. A gente tenta dar o tom desde o começo do treino e levantar o companheiro.”
A marcação começa mais longe da cesta
Perguntado sobre quem tinha se destacado, Redick não escolheu um nome. Escolheu um grupo, o das alas, e explicou o que pediu a elas. “Conversamos sobre onde a marcação começa. Pegar a bola mais cedo, incomodar mais cedo, gastar o relógio da posse mais cedo. E acho que o nosso trabalho físico longe da bola tem sido muito bom.”
Na prática, é subir a pressão. Quanto mais longe da cesta o adversário é incomodado, mais segundos ele perde para organizar a jogada e menos sobra para a decisão final. Uma posse que começa com o armador sendo pressionado no meio da quadra costuma terminar em arremesso apressado.
Quentin Grimes contou como isso tem aparecido nos coletivos. “A intensidade está alta desde o começo. A gente quis dar o tom na defesa, mostrar o time que queremos ser. Marcando a quadra inteira, todo mundo, os cinco trocando de um a cinco.”
A frase parece bater de frente com a ideia que Redick apresentou no fim de semana, de manter Kessler perto do aro em vez de trocar tudo. Não bate. O próprio Grimes disse que o time testou formações mais baixas naquele dia, e sem um pivô de verdade em quadra a troca geral é a saída natural. Com Kessler, o desenho segue o mesmo: as alas apertam lá fora e empurram o ataque para dentro, onde ele espera.
Kessler gostou do que viu na frente dele
O pivô é quem mais ganha com alas agressivas, porque cada drible forçado para o meio termina no braço dele. Depois dos primeiros treinos, Kessler foi direto. “Acho que vamos ser um time de defesa muito chato de enfrentar, estou sendo sincero. Vendo esses caras grudados na bola no perímetro, dá para ver que temos muita arma defensiva.”
Ele sabe do que fala. Na última temporada inteira, em 2024-25 pelo Jazz, deu 2,4 tocos por jogo em 58 partidas. Em 2025-26 jogou só cinco vezes antes de uma lesão no ombro esquerdo, e chega ao Lakers com a defesa do garrafão inteira nas costas.
Os nomes que ele tinha em mente são conhecidos de quem acompanha o camp. Austin Reaves já tinha reclamado, em tom de elogio, de passar dois dias tentando pontuar contra Matisse Thybulle e Ziaire Williams. Somando Grimes e Adou Thiero, são quatro alas na briga pelas vagas que ainda estão abertas no quinteto do elenco atual.
O tamanho do conserto
O entusiasmo de treino tem um ponto de partida que não ajuda. Na temporada passada, o Lakers terminou fora do terço de cima da liga em defesa, e a distância para os melhores é grande.
São quase nove pontos a cada 100 posses de diferença para o Thunder, campeão de defesa da temporada. A conta de Redick para fechar essa distância passa por três peças que não estavam aqui: Kessler no garrafão, Thybulle e Williams no perímetro, e uma regra de minutos que ele mesmo chamou de meritocracia. Quem defende, joga.
Treino não vale vitória
Nada disso tem placar ainda. Coletivo de training camp coloca o time contra ele mesmo, e a defesa costuma brilhar também porque o ataque ainda está aprendendo os movimentos novos. O primeiro teste de verdade chega no dia 5, contra o Kings, na abertura da pré-temporada.
Até lá, o dado que existe é este: em dois dias de camp, a defesa do Lakers já venceu um adversário, o roteiro do próprio treinador.