Shaquille O’Neal disse que a torcida do Lakers nunca o amou de verdade, e usou a própria experiência para explicar o mesmo com LeBron James. Segundo o pivô, o afeto da arquibancada era de Kobe Bryant, e quem chega depois disputa um lugar que já tem dono.
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- A declaração saiu numa entrevista de Shaquille O’Neal à SiriusXM NBA Radio.
- Shaq passou oito temporadas no Lakers, de 1996 a 2004, e LeBron passou oito anos, de 2018 a 2026.
- Kobe Bryant tinha se aposentado em 2016, dois anos antes da chegada de LeBron.
- LeBron levou o time ao título de 2020, depois de seis temporadas seguidas fora dos playoffs.
- A camisa 34 de Shaq foi aposentada pelo Lakers em 2013, nove anos após a saída.
A frase que Shaq soltou no rádio
A conversa aconteceu na SiriusXM NBA Radio, e o pivô não tentou suavizar. “Eles não amavam a mim, amavam o Kobe. Não me amavam”, disse Shaquille O’Neal. Na sequência, ele deu a explicação que interessa: “Isso é o que a gente chama de B.O.B, irmão, o business of basketball. Quando eles pegam um cara como eu, quando eu estou no comando, eu sou um homem difícil de lidar. As coisas têm que ser do meu jeito, e às vezes as pessoas não concordam com isso.”
O fecho é o que dá o tom da fala. “Aí você acaba saindo. Eu consigo entender os dois lados”, completou. Não é a queixa de quem se sente injustiçado. É a leitura de quem já ocupou o papel do estrangeiro dentro da própria franquia e reconhece que o desconforto tinha causa.
O espelho de 2004
A comparação não é retórica, ela tem simetria de calendário. Shaq chegou em 1996 e foi adorado de cara. O problema começou quando Kobe virou superstar e a arquibancada escolheu um lado. Em 2004, depois da rivalidade interna azedar de vez, o pivô pediu para sair e foi mandado ao Heat. Passou anos alfinetando o ex-companheiro em público antes de fazer as pazes.
A reconciliação veio, e com ela a camisa 34 pendurada no ginásio em 2013. Ou seja, o próprio Shaq é a prova de que a relação pode ser remendada. Só que levou nove anos entre a saída e a homenagem, e isso diz muito sobre o tempo que essa torcida leva para perdoar.
Oito anos, um título e nenhuma estátua
O caso de LeBron tem uma diferença incômoda. Ele chegou em 2018 com Kobe aposentado havia dois anos, ou seja, ocupou um espaço que ainda estava quente. Encerrou um jejum de seis temporadas fora dos playoffs e entregou o título de 2020, que é exatamente o tipo de feito que costuma comprar amor eterno em Los Angeles. Não comprou.
Foram oito anos, o mesmo tempo de Shaq, com um saldo que divide a torcida até hoje. A diferença é que a saída de Shaq foi uma explosão pública e a de LeBron foi quase silenciosa: ele avisou a franquia pelo empresário Rich Paul poucas horas antes de a agência livre abrir, em 30 de junho, e depois levou mais de três semanas para decidir o destino.
O que muda agora que ele está na Filadélfia
LeBron assinou com o Sixers, um time que já era forte sem ele. E a leitura que circula por lá é a de que a cidade está disposta a abraçar o jogador de um jeito que o sul da Califórnia nunca esteve. Se isso se confirmar, vai reforçar a tese do Shaq: o problema nunca foi o desempenho, foi o encaixe.
Há um detalhe que a fala do pivô ilumina sem querer. Ele fala em “business of basketball” como quem descreve um mecanismo, não uma traição. Torcida do Lakers não julga contratação, julga pertencimento, e pertencimento não se conquista com temporada boa. Kobe e Magic Johnson construíram o vínculo em carreiras inteiras, não em ciclos.
Talvez seja por isso que a conversa sobre estátua ainda trave. O Lakers tem estátuas para quem virou identidade da franquia, e LeBron passou oito anos sendo outra coisa: o jogador mais importante do elenco, sem nunca ter sido o dono do lugar. Shaq levou nove anos para atravessar essa distância. LeBron acabou de começar a contar os dele.