Luka Doncic tem subido a quadra sem a bola em boa parte dos ataques do Lakers, e a ideia de JJ Redick pode mudar o jeito como o time inteiro joga nesta temporada. O camisa 77 continua sendo o centro de tudo, mas agora chega à jogada de outro jeito.
O que mudou
Quem notou primeiro foi Khobi Price, do California Post, que acompanha os treinos do Lakers. Segundo ele, Doncic tem iniciado mais posses sem a bola e corrido para usar os bloqueios dos companheiros antes de recebê-la. Em vez de esperar no meio da quadra, quicando a bola e chamando o pivô para o corta-luz, ele aparece já em movimento, e a defesa precisa decidir na hora o que fazer.
A lógica é usar a atração que ele exerce. Poucos jogadores da liga puxam tanta atenção quanto Doncic com a bola, e Redick quer que essa atenção comece antes. Quando ele corre para um bloqueio, dois defensores olham para ele, e alguém fica livre do outro lado. Se a bola chega nas mãos dele, a vantagem já está criada. Se não chega, outro companheiro ataca um adversário fora de posição.
Redick não entrou em detalhes sobre o desenho, mas deixou claro que gostou do que viu até aqui.
“Dá para olhar qualquer jogo, ou qualquer treino, e achar coisas boas para construir em cima. Então, sim, é animador.”
JJ Redick, técnico do Lakers
Por que Redick quer isso
Com a bola nas mãos o tempo todo, Doncic carrega um peso enorme no ataque, e o restante do time corre o risco de virar espectador. Tirar a bola dele no começo da jogada divide esse trabalho e obriga os outros quatro a se mexer. É também um jeito de guardar energia para o fim dos jogos, quando o Lakers mais precisa dele decidindo.
Doncic chegou em forma ao camp, depois de um verão de corridas, e isso ajuda no novo papel. Jogar sem a bola exige correr mais, cortar mais e brigar com os bloqueios, coisas que um armador acostumado a ditar o ritmo parado não faz com tanta frequência.
Os números da estreia mostram os dois lados do teste. Doncic marcou 21 pontos em apenas 16 minutos, e o Lakers distribuiu 29 assistências, sinal de que a bola rodou. Mas ele também cometeu 5 perdas de bola, um preço comum quando o time ainda está aprendendo onde cada um deve estar.
Quem ganha com isso
O primeiro beneficiado é quem vai segurar a bola no lugar dele. Austin Reaves, que saiu do relatório de lesões e deve estrear na pré-temporada nesta quinta, é o candidato natural. Collin Sexton, quando voltar, também. Os dois sabem criar com a bola e liberam Doncic para fazer o papel de finalizador, que ele faz tão bem quanto o de armador.
Quentin Grimes é outro nome. Redick disse que ele pode “criar algumas vantagens” e que, “na ação do segundo lado, pode finalizar vantagens no ataque”. Em português simples: quando a defesa se desmonta para cuidar de Doncic, Grimes recebe do outro lado e ataca quem chega atrasado.
Na defesa, o desenho combina com o que o Lakers mostrou na estreia. Ziaire Williams, Matisse Thybulle, Grimes, Jake LaRavia e Adou Thiero pressionaram a quadra inteira, e Doncic fez questão de elogiar o grupo depois do jogo, dizendo que aquela energia era contagiante para todo mundo e inspiradora para ele.
O que ainda falta testar
O sistema ainda não foi visto com o time completo. Reaves, Sexton e Walker Kessler perderam os dois primeiros jogos, e sem o pivô o Lakers não teve o bloqueador que deve ser o principal parceiro de Doncic nessas ações. É com Kessler em quadra que a ideia de Redick vai ser posta à prova de verdade.
O Lakers recebe o Kings nesta quinta, às 23h30 de Brasília, em Los Angeles. Doncic aparece como dúvida no relatório de lesões, sem motivo divulgado, e a confirmação de quem joga só vem com Redick, antes da bola subir. Se ele estiver em quadra, vale prestar atenção no começo de cada ataque: a bola pode estar em outras mãos.