Sam Amick, do The Athletic, disse que o Thunder deveria tirar Shai Gilgeous-Alexander da bola e citou Luka Doncic como o exemplo a não repetir. “Não dá para passar cinco anos jogando basquete estilo Luka”, afirmou. A frase é sobre desgaste, e chega quando o Lakers inteiro depende do corpo dele.
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Como o nome de Doncic entrou nessa conversa
O assunto não era o Lakers. No podcast de Kevin O’Connor, do Yahoo Sports, a pauta era como o Thunder pode evoluir depois de perder o título para o Knicks. O’Connor levantou a hipótese de uma mudança sutil no ataque de Oklahoma City, apoiada nas escolhas de draft com capacidade de criação e na evolução dos jovens do elenco, o que permitiria a Gilgeous-Alexander jogar mais longe da bola.
Sam Amick, convidado do episódio, concordou. E para explicar por que a mudança faz sentido, foi buscar o exemplo do outro lado da conferência.
“Você não consegue passar cinco anos jogando o basquete estilo Luka em Dallas, nem na versão do Lakers. Isso vale para o Shai, pela longevidade dele e pelo desgaste, ainda mais com o J-Dub fora na temporada passada, quando vimos o Shai tendo que fazer tudo toda noite.”
Sam Amick, do The Athletic, no podcast de Kevin O’Connor
Ele completou a ideia dizendo que seria natural olhar para um MVP de duas temporadas seguidas e propor uma troca de rota: “vamos mexer um pouco nisso, arrumar ajuda para você e tirar você da bola”.
O elogio que é também um diagnóstico
Não é ataque ao Doncic. É o contrário: o modelo de jogo dele virou referência tão clara que a liga inteira sabe descrevê-lo em uma frase. Só que a referência agora aparece na coluna dos custos, não na dos méritos. Jogar como Doncic passou a significar, no vocabulário dos analistas, concentrar posse, criar tudo e pagar isso com o corpo.
Nós publicamos há dois dias a conta que sustenta esse raciocínio: a taxa de uso de Doncic está em um patamar que nenhum campeão da NBA sustentou. Quando o mesmo argumento aparece do outro lado da conferência, para justificar aliviar o astro de um rival, ele deixa de ser opinião de podcast e vira leitura corrente da liga.
Vale lembrar de onde vem a comparação. Amick citou a temporada passada do Thunder, quando Jalen Williams ficou fora e Gilgeous-Alexander teve que resolver o jogo sozinho, noite após noite. É exatamente a rotina que Doncic cumpriu em Dallas e cumpre em Los Angeles, com a diferença de que em Oklahoma City isso foi exceção, e no Lakers é o projeto.
A ironia da lesão de abril
Tem um detalhe que fecha o círculo. A lesão na coxa que tirou Doncic de circulação aconteceu em abril, contra o próprio Thunder. Ou seja, o time que agora discute como poupar o seu melhor jogador foi o adversário em quadra no dia em que o desgaste do outro cobrou a fatura.
Os dois entraram na liga no mesmo draft, em 2018. Gilgeous-Alexander tem 28 anos e começa a nona temporada; Doncic tem 27. A diferença é que um chega ao ano novo com a conversa sobre reduzir carga já em andamento dentro da própria franquia, e o outro chega como o eixo único de um time que se reformulou inteiro ao redor dele.
O que isso significa para o Lakers
O Lakers não tem a folga que o Thunder tem. Oklahoma City manteve o núcleo reunido e pode distribuir a criação entre vários jogadores sem perder qualidade. Em Los Angeles, a alternativa a Doncic com a bola é Austin Reaves, e depois disso a curva cai rápido.
Foi por isso que Robert Horry escalou Gilgeous-Alexander à frente de Doncic no quinteto ideal dele há poucos dias. O argumento de quem prefere o canadense nunca foi talento bruto, foi previsibilidade: um joga todos os jogos, o outro decide a temporada e some quando o corpo cobra a conta.
A temporada começa em 21 de outubro. Se a comissão técnica do Lakers encontrar um jeito de tirar dez por cento da carga de Doncic sem tirar dez por cento do ataque, terá resolvido o problema que um rival já colocou em voz alta.