O Lakers pode ter ganhado um aliado inesperado: a troca que levou Giannis Antetokounmpo ao Miami Heat. Ao contratar o grego, o Heat ficou travado no primeiro apron e, se Andrew Wiggins recusar sua opção de US$ 30,2 milhões, Los Angeles surge como destino natural para o ala que o time de Doncic persegue há quase um ano.
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- Heat ficou travado no primeiro apron após contratar Giannis e Bobby Portis.
- Miami tem cerca de US$ 18,1 milhões para preencher quatro vagas no elenco.
- Wiggins tem opção de jogador de US$ 30,2 milhões para 2026-27.
- Lakers projeta manter quase US$ 50 milhões de folga mesmo renovando Reaves.
- Em 2025-26, Wiggins fez 15,5 pts, 4,9 reb e 2,1 bolas de três por jogo.
O efeito dominó da troca de Giannis
Quando Miami trouxe Antetokounmpo e Bobby Portis de Milwaukee, a franquia saltou de candidata discreta a ameaça real no Leste. Mas todo movimento desse tamanho cobra um preço, e o preço aqui é financeiro.
O analista de teto salarial Yossi Gozlan, da newsletter Third Apron, apontou que o Heat usou o mecanismo de exceção de troca de 125% para fechar o negócio e, com isso, ficou travado no primeiro apron. Sobram cerca de US$ 18,1 milhões para fechar quatro vagas de elenco. É pouco para quem agora joga com a fatura de um superastro.
Gozlan listou dois caminhos para Miami abrir espaço: negociar o ala Nikola Jovic ou torcer para que Wiggins recuse sua opção de jogador. É a segunda hipótese que interessa a Los Angeles.
Wiggins, um alvo antigo do Lakers
Não é assunto novo. Há quase um ano o nome de Wiggins aparece colado ao do Lakers. Em novembro passado, o jornalista Jake Fischer relatou que o ala estava “firmemente na lista” de alvos da franquia caso o Heat o colocasse no mercado.
O interesse faz sentido. Com 2,01 metros, Wiggins ainda é um dos melhores alas de dois lados da liga. Na temporada 2025-26, somou 15,5 pontos, 4,9 rebotes, 2,7 assistências, 1,1 roubo, 1,0 toco e 2,1 bolas de três convertidas por partida, com versatilidade defensiva no perímetro.
A capacidade do ex-primeira escolha geral de marcar várias posições e aliviar a carga defensiva sobre Doncic e Austin Reaves sempre agradou à comissão. As conversas, segundo múltiplos relatos, vêm do verão passado, mas travaram: o pedido de Miami era alto e o Heat nunca pareceu disposto a abrir mão do jogador. O cenário, agora, mudou.
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A rara folga financeira do Lakers
Diferente da maioria dos candidatos ao título, o time tem espaço para ser oportunista. Projeções da liga indicam que o Lakers pode manter quase US$ 50 milhões de flexibilidade mesmo após renovar Reaves com um novo contrato.
Esse tipo de folga vira ativo se Wiggins decidir recusar a opção. E o calendário pesa: o ala completa 31 anos na próxima temporada, o que pode representar sua última chance real de assinar um contrato longo e relevante. A opção garante US$ 30,2 milhões por uma temporada; abrir mão dela é apostar em segurança por vários anos.
Poucos times conseguem oferecer as duas coisas ao mesmo tempo: uma função competitiva e dinheiro de sobra. O Lakers é um deles.
Sign-and-trade entra no jogo
Há ainda um terceiro desenho possível: a troca com assinatura. As prioridades de Miami viraram de cabeça para baixo depois de Giannis. O Heat precisa de arremesso e profundidade em volta da nova dupla de estrelas, Antetokounmpo e Bam Adebayo, e ainda tem decisões pesadas envolvendo o agente livre Norman Powell.
Se Wiggins quiser um vínculo mais longo enquanto o Heat busca flexibilidade, os dois lados ganham incentivo para costurar uma operação que mande o ala para outro endereço e devolva valor a Miami. Para o Lakers, é uma porta difícil de ignorar.
A prioridade número um da franquia segue sendo um pivô de impacto ao lado de Doncic. Mas a busca por alas de dois lados, capazes de elevar o teto do elenco, nunca saiu de pauta. Wiggins marca quase todas as caixas: defende pontuadores de elite, joga ao lado de vários armadores e oferece pontuação secundária sem exigir a bola o tempo todo.
O que ainda pode travar
Nada disso acontece sem o primeiro gatilho: Wiggins precisa abrir mão de US$ 30,2 milhões garantidos. É uma decisão de risco para um atleta perto dos 31 anos, e ninguém aposta nela como certa. A troca de Giannis não entregou Wiggins ao Lakers. Ela apenas destrancou uma porta que parecia fechada, e em Los Angeles, com quase US$ 50 milhões na mão, portas destrancadas raramente passam despercebidas.