Encerrado o Draft, o Lakers foi à caça de elenco. Depois de um segundo round morno na quarta-feira, a franquia fechou cinco contratos de uma vez: dois two-way, com Peter Suder e AK Okereke, e três Exhibit-10, com William Kyle III, Robbie Avila e Chase Ross. É o pacote que monta o time de Summer League e alimenta o farm system na busca pelo próximo Austin Reaves.
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- O Lakers fechou cinco contratos pós-Draft: dois two-way (Suder, Okereke) e três Exhibit-10 (Kyle, Avila, Ross).
- William Kyle III saiu de Syracuse com 8,4 pontos, 7,1 rebotes e 2,5 tocos por jogo.
- Robbie Avila, melhor da Atlantic 10, acertou 41% dos 4,6 triplos por jogo.
- Chase Ross liderou a Big East com 2,3 roubos e foi all-defense da conferência.
O segundo round morno e o trabalho de verdade
O segundo round do Draft passou em branco para o Lakers na quarta-feira, sem nenhuma escolha que mexesse com a torcida. Mas é justamente quando o telão do Draft se apaga que a engrenagem da franquia acelera. A reconstrução do fundo do elenco, longe dos holofotes, é onde o time historicamente encontra valor. A lógica é simples: enquanto os primeiros nomes do Draft chegam com contrato e expectativa, o ouro de verdade pode estar nos atletas que ninguém chamou. Foi assim que apareceu um certo armador não draftado do Oklahoma alguns anos atrás.
Os dois two-way: o andar de cima do recrutamento
Antes dos Exhibit-10 vieram os vínculos mais valiosos da leva. Peter Suder e AK Okereke fecharam contratos two-way, a categoria que permite ao atleta transitar entre o elenco principal e os South Bay Lakers, na G League, com direito a até 50 partidas pela equipe da NBA ao longo da temporada. É um degrau acima do convite de pré-temporada: o two-way não garante folha salarial cheia, mas coloca o jogador muito mais perto da rotação do que um Exhibit-10 colocaria.
William Kyle III, o atleta que a franquia garimpou
O primeiro Exhibit-10 saiu para William Kyle III, pivô formado em Syracuse. A trajetória dele é de mochileiro do basquete universitário: foram três escolas em quatro anos, incluindo uma temporada na UCLA em 2024-25, antes de fechar a carreira do outro lado do país, com os Orange. Pelo time de Nova York, jogou 28,1 minutos por noite e somou 8,4 pontos, 7,1 rebotes e 2,5 tocos por partida.
Bastam alguns segundos de qualquer compilação de lances para entender o alvo. Kyle é um atleta explosivo nas duas pontas, ameaça constante de enterrada no alley-oop e protetor de garrafão capaz de alterar o arremesso adversário. Subdimensionado para a posição, o que ajuda a explicar por que não foi draftado, ele compensa com mola e timing. É o tipo de aposta de baixo custo e teto alto que a franquia adora colocar em quadra no verão.
Robbie Avila, o oposto exato no garrafão
O segundo Exhibit-10 ficou com Robbie Avila, vindo de Saint Louis e eleito o melhor jogador da Atlantic 10. Antes dos números, os apelidos, alguns dos melhores que o basquete universitário já produziu. Tem o “Milk Chamberlain” e tem o “Cream Abdul-Jabbar”, trocadilhos com lendas que já garantem o carinho da arquibancada.
Em quadra, Avila é o avesso de Kyle. Pivô de estilo moderno, abre o garrafão e mira de fora: foram 12,8 pontos por jogo com 41% de aproveitamento nos 4,6 triplos tentados por noite, além de 4,1 assistências e 4,5 rebotes. O passe e o arremesso são reais. O problema é o atletismo. A falta de explosão e de velocidade lateral tende a travá-lo quando o nível subir, e o mais provável é que o brilho dele fique restrito ao Summer League, como queridinho da torcida, sem render minutos relevantes na temporada.
Chase Ross, a defesa como passaporte
O terceiro acordo foi com Chase Ross, de Marquette. No último ano como sênior, ele somou 14,3 pontos, 4,2 rebotes, 3,4 assistências e impressionantes 2,3 roubos de bola por jogo, líder da Big East no fundamento. O ataque oscilou, com 42,1% de aproveitamento de quadra e apenas 29,5% nas bolas de três. Mas o cartão de visita está na outra metade: Ross foi escolhido para o time de melhores defensores da Big East. Defesa de perímetro é moeda forte para quem quer sobreviver no fim do elenco.
O que muda com os Exhibit-10
Partindo do princípio de que Cameron Carr e Adou Thiero também vão jogar, o Lakers fecha rápido o elenco de Summer League. Vale lembrar o que é, na prática, um contrato Exhibit-10: trata-se de um vínculo de pré-temporada, sem garantias, mas com um detalhe estratégico. Ele é incentivado de modo que, ao ser cortado, o jogador recebe um bônus se decidir assinar com o time da G League ligado à franquia. É a ferramenta clássica para alimentar o farm system, no caso, os South Bay Lakers.
Nenhum desses nomes nasce com promessa de protagonismo. Mas o roteiro de Austin Reaves provou que o caminho do não draftado ao rotativo da NBA existe, e que ele costuma começar exatamente aqui, num ginásio de Las Vegas em julho. Cinco apostas, perfis distintos, um único objetivo: achar o jogador que ninguém viu chegar. O Lakers não está procurando uma estrela no Summer League. Está procurando a próxima exceção.