Derek Fisher disse que comparar Austin Reaves com Kyrie Irving não é justo com o próprio Reaves. A frase saiu na rádio 97.1 The Fan LA, na mesma rodada de entrevistas em que ele afirmou que o Lakers não piora sem LeBron. O alvo dele é o plano de Dallas.
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A frase que Fisher usou
A conversa era sobre repetir em Los Angeles o que Doncic fez em Dallas: um armador de elite, um segundo criador ao lado e uma final de NBA no fim. Fisher travou na segunda parte.
“Não sei se a gente deveria estar comparando alguém com o Kyrie Irving. Não é justo com o Austin Reaves fazer parecer que o plano em Los Angeles é melhor, sendo que o Kyrie Irving estava naquele time. E isso não é desrespeito com o Austin. É mais entender a grandeza do Kyrie do que dizer que o Austin é menos.”
Derek Fisher, pentacampeão pelo Lakers, na rádio 97.1 The Fan LA
Quem fala é alguém que passou treze temporadas jogando ao lado de Kobe Bryant e sabe o tamanho do segundo nome de um time campeão. A defesa que ele faz de Reaves é por outro caminho, e é o caminho certo.
O que Reaves virou desde o ano de calouro
Reaves entrou na NBA sem ser escolhido no Draft e fez 7,3 pontos por jogo na primeira temporada. Na última, foi a 23,3, o melhor número da carreira. A subida foi ano a ano, sem degrau para trás.
Foi essa curva que fez a franquia pagar a maior extensão que um jogador não draftado já assinou na NBA, quatro anos e US$ 185 milhões, como já contamos aqui.
Por que a comparação com Kyrie não fecha
O ponto de Fisher não é que Reaves joga pouco. É que o Kyrie do ano das Finais era outro patamar de jogador, e usar aquele time como régua coloca em Reaves uma tarefa que nunca foi a dele.
| Jogador | Temporada | Pontos | Assistências | Três |
|---|---|---|---|---|
| Kyrie Irving | 2023-24, Dallas | 25,6 | 5,2 | 41,1% |
| Austin Reaves | 2025-26, Lakers | 23,3 | 5,5 | 36,0% |
Nos pontos e nas assistências a distância é pequena, e Reaves distribui até um pouco mais. A diferença aparece no arremesso de fora, e ela é grande: cinco pontos percentuais separam um arremessador de elite de um arremessador bom. Em um time em que Doncic atrai dois marcadores toda posse, é justamente esse número que decide se a defesa adversária pode largar o segundo homem.
Tem ainda o que a tabela não mostra. Kyrie chegou a Dallas com um título e uma carreira inteira de jogos decisivos nas costas. Reaves está construindo a dele agora, e jogou 51 partidas na temporada passada por causa da lesão no oblíquo.
A parte que ninguém comenta daquele time de Dallas
Fisher não parou no Kyrie, e é aqui que a fala fica útil para o Lakers de agora. Ele lembrou que Daniel Gafford e Dereck Lively II renderam muito acima do que se esperava e do que custavam, e que aquele time chegou às Finais também por causa disso.
A tradução para 2026-27 é direta. Se o modelo de Dallas depende de dois pivôs baratos rendendo acima da conta, o Lakers tem Walker Kessler e Sandro Mamukelashvili na mesma função, e nenhum dos dois precisa virar estrela para o plano funcionar. Precisam pegar rebote, finalizar o que Doncic serve e sustentar a defesa do garrafão.
Visto assim, a defesa que Fisher fez de Reaves é menos um elogio e mais um alívio: a temporada do Lakers não depende de um jogador não draftado do Arkansas virar Kyrie Irving. Depende de ele seguir sendo o que já é, e do resto do time fazer a parte que em Dallas coube a quem ninguém citava.