Adam Silver contou que foi pego de surpresa quando Mark Walter decidiu vender o Lakers, e que o espanto veio do motivo da venda, mais do que do valor recorde de US$ 12,5 bilhões. O comissário falou numa conferência nos Estados Unidos, duas semanas depois de a liga explicar o que sabia sobre o dono do Lakers.
O que Silver disse
O comissário da NBA falou na quinta-feira, na conferência In The Arena, organizada pela empresa de mídia Puck. Perguntado sobre a venda mais cara da história da liga, ele separou as duas coisas que chamaram atenção no negócio e disse que só uma delas o surpreendeu.
“Minha surpresa inicial teve menos a ver com o preço e mais com o fato de existir um motivo para vender o Lakers. Claro que eu sabia, pelos jornais, o que o Mark Walter estava enfrentando, mas não sabia que, naquele momento, ele estava prestes a vender o time.”
Adam Silver, comissário da NBA, na conferência In The Arena
A fala foi registrada por Mike Vorkunov, do The Athletic. Silver contou ainda que não recebeu aviso prévio de Walter: soube do negócio quando os compradores procuraram a liga para dizer que tinham um acordo apalavrado.
Por que a frase pesa
Dono de franquia da NBA não costuma pegar o comissário de surpresa. A liga acompanha de perto quem compra e quem vende, e qualquer troca de controle precisa passar pela aprovação dos outros donos. Quando Silver diz que não sabia, admite que a decisão de Walter foi tomada sem que a liga fosse consultada.
A frase também ajuda a responder uma pergunta que o torcedor do Lakers faz desde o anúncio. Walter comprou o controle do time há pouco mais de um ano, encerrando décadas de comando da família Buss. Vendeu antes de completar a segunda temporada no comando. O “motivo para vender” de que Silver fala não foi explicado por ele, e o comissário tomou cuidado de não entrar nesse terreno.
O que se sabia pelos jornais
O “o que ele estava enfrentando” tem endereço. Nas últimas semanas, Walter virou alvo de uma ação coletiva na Justiça da Flórida, aberta por um comprador de previdência que acusa empresas ligadas a ele de esconder para onde ia o dinheiro dos segurados. O Lakers aparece na peça como um dos destinos do dinheiro, mas não é réu e não é acusado de nada. A liga já tinha dito que não encontrou sinal de alerta sobre Walter quando aprovou a compra dele.
Silver não comentou o processo nem ligou a venda a ele. A frase dele se limita a dizer que conhecia o noticiário e que, mesmo assim, não esperava a venda naquele momento.
Em setembro, quando a liga explicou como tinha avaliado Walter antes de aprovar a compra, a discussão nos Estados Unidos girou em torno de uma pergunta: o processo de aprovação da NBA olha o suficiente para quem compra um time? O vídeo abaixo, do Locked On Lakers, analisa a defesa que Silver fez da liga naquela ocasião.
A declaração desta quinta-feira acrescenta uma camada a essa conversa. Se nem a liga sabia que Walter pretendia vender, a estabilidade que a compra de 2025 parecia trazer durou menos do que qualquer um imaginava, inclusive quem aprovou o negócio.
O que vem agora
Bob Iger, ex-presidente da Disney, e Josh Kushner, fundador do fundo de investimentos Thrive Capital, pagaram US$ 12,5 bilhões e já apresentaram a investidores o plano de quase triplicar o valor da franquia em dez anos, como contamos quando Pelinka falou pela primeira vez dos novos donos. A venda ainda precisa da aprovação dos donos da liga, e é por isso que a diretoria evita falar do assunto.
Para o time em quadra, nada muda nesta pré-temporada. Pelinka segue no comando do basquete, Redick conduz o camp e a pré-temporada começa na segunda-feira, contra o Kings, em Sacramento. O que a frase de Silver deixa é a sensação de que, no Lakers de 2026, até a liga descobre as mudanças junto com o torcedor.