Collin Sexton virou o armador dos minutos de descanso de Luka Doncic no Lakers: esteve em quadra em 80% do tempo em que o craque ficou no banco nos três jogos dos dois juntos. Quando Doncic voltar, é dele a missão de sustentar o trecho que vinha sendo o ponto fraco do banco.
O reserva dos minutos sem Doncic
Sexton perdeu a pré-temporada e a estreia por causa da panturrilha e só entrou na rotação no primeiro clássico contra o Clippers. Desde então, JJ Redick montou para ele um papel bem definido. O armador entra no fim do primeiro quarto, como na estreia, quando substituiu Austin Reaves, e fica em quadra quando Doncic vai descansar.
Nos três jogos em que os dois estavam disponíveis, contra Clippers, Jazz e Blazers, Doncic passou 32 minutos no banco. Sexton esteve em quadra em 25 deles. É o trecho que decide se o banco segura ou entrega a vantagem dos titulares.
O dado que mais diz sobre o papel é a fatia dos arremessos. Com Doncic em quadra, Sexton tenta 24% dos arremessos de quadra do Lakers enquanto está jogando, e passa boa parte das posses longe da bola. Com o esloveno no banco, a fatia sobe para 39%. Ele deixa de ser coadjuvante e vira o primeiro a atacar.
O que os números mostram até aqui
O resultado desses minutos ainda é tímido. Nos três jogos, o Lakers fez 60 pontos e sofreu 62 com Sexton em quadra e Doncic no banco. Sexton marcou 13 deles, com 17 arremessos tentados. Não é um rombo, mas também não é o reforço que o banco pedia.
E o banco pede. Nos cinco jogos da temporada, os reservas do Lakers fizeram 31,8 pontos por jogo, contra 43,2 dos reservas adversários. Só contra o Jazz a segunda unidade levou a melhor. Sexton chegou com contrato de dois anos e US$ 19 milhões exatamente para mudar essa conta.
Há um sinal de alerta na outra ponta. Nos 25 minutos em que dividiu a quadra com Doncic, o Lakers perdeu por 14 pontos. A amostra é pequena e mistura noites diferentes, mas mostra que os dois ainda não se encontraram. Com o esloveno conduzindo, Sexton fica sem a bola, e o aproveitamento de 30% nas bolas de três na temporada (6 de 20) pesa nesse papel.
A noite que mostrou a versão que funciona
Contra o Clippers, sem Doncic, Sexton teve a bola desde o início e fez 21 pontos em 21 minutos, a maior marca dele na temporada. Acertou 6 de 11 arremessos de quadra e 4 de 7 de três. Os 11 pontos finais do Lakers no terceiro quarto foram todos dele, com duas bolas de três em posses seguidas. Como mostramos na análise do clássico, foi ali que o jogo se resolveu.
Com ele em quadra, o Lakers venceu por 23 pontos. Nos 27 minutos sem ele, perdeu por 7. A defesa explica parte da diferença, e a marcação dele em Cam Christie virou assunto depois do jogo. “Eu sabia que ele não queria a bola”, disse Sexton, que resumiu o próprio jeito: “Quando eu piso entre essas linhas, somos nós contra eles”.
Redick reconheceu o estilo. “Às vezes é difícil até chamar a atenção dele, porque ele se fecha no jogo. Ele fica completamente ligado”, contou o técnico, que elogiou o jeito agressivo com que ele ataca a defesa adversária.
Como a rotação deve ficar contra o Warriors
Doncic perdeu o clássico por dores nas costas e segue listado como dúvida para sexta. Ziaire Williams, com dores no pé, está na mesma situação. Se o esloveno voltar, Quentin Grimes, que foi titular no lugar dele, retorna ao banco, e o elenco atual volta à divisão das primeiras semanas: Grimes e Sexton repartindo os minutos de armação entre os reservas.
O jogo em San Francisco vale pela fase de grupos da Copa da NBA e traz um teste específico. O banco do Warriors fez 56 pontos na estreia da temporada, o maior número que os reservas do Lakers enfrentaram até aqui. É exatamente nos minutos sem Doncic que esse duelo acontece.
Com o esloveno de volta, os pontos de Sexton deixam de ser a notícia. O número que vai importar é outro: o placar dos dez minutos por jogo em que Doncic estiver no banco. Até aqui, essa conta fechou quase empatada. Contra o Clippers, ela mostrou até onde pode chegar.