Collin Sexton entra no camp do Lakers sem um papel definido. Pode ser o sexto homem que o time procurava para o banco ou ganhar minutos ao lado de Doncic e Reaves, que dividem a bola. A contratação é o teste da ideia de que o Lakers ganha mais quando pede menos de Doncic.
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O que ele diz que quer ser
No Media Day, Sexton não pediu vaga de titular. Disse que vê valor em sair do banco e mudar o ritmo do jogo. “Entrar vindo do banco e trazer essa faísca é uma coisa grande na NBA. Essa faísca costuma ajudar os titulares também. Acho essa função muito importante, e é algo com que eu consigo contribuir logo de cara”, afirmou.
Também explicou por que escolheu Los Angeles depois de passar a maior parte da carreira em times que não brigavam por nada, em Cleveland, Utah, Charlotte e Chicago. “É a chance de ganhar, de estar em um palco grande e de chegar para tentar fazer diferença na vitória”, disse, em entrevista reproduzida pelo Yahoo Sports. “A vontade de ganhar sempre esteve aí. Mas é difícil ganhar na NBA.”
O arremesso não está em discussão
O que Sexton faz com a bola na mão ninguém questiona. Na temporada passada, dividida entre Hornets e Bulls, ele fez 15,4 pontos em 23,7 minutos, com 48,5% de quadra e 40,1% nas bolas de três. Desde a temporada de calouro, em 2018-19, nunca teve média abaixo de 14 pontos. Convertendo para 36 minutos, a régua que iguala quem joga muito com quem joga pouco, ele pontua quase no ritmo de Reaves:
O dado mostra o tamanho do trunfo e, ao mesmo tempo, o tamanho do problema. Sexton é, de longe, o melhor pontuador do banco do Lakers. Mas é um pontuador do mesmo tipo dos dois titulares que já comandam o ataque: armador baixo, que gosta de atacar a cesta com a bola na mão.
A dúvida é de encaixe
A crítica mais repetida à contratação foi feita pelo Silver Screen and Roll, que acompanha o Lakers: o time gastou a exceção de espaço salarial em um armador baixo quando o buraco mais evidente, deixado pela saída de LeBron, estava na ala, e não na armação. Com Doncic e Reaves no quinteto, sobra pouca bola para um terceiro criador em quadra ao mesmo tempo.
A defesa é o outro ponto. Sexton sabe disso e, em julho, contou que passou a offseason estudando Marcus Smart e Avery Bradley, dois armadores que o Lakers já usou como marcadores. “Como eu posso estar no lugar certo? Como posso fazer jogada na defesa?”, disse. Com 1,91 m, ele não vai marcar ala, e a defesa que Redick desenhou pede exatamente alas longos pressionando o perímetro.
Onde Redick pode usá-lo
A saída mais natural é a que o próprio Sexton descreveu: liderar a segunda unidade. O Lakers pode escalonar os minutos, deixando sempre Doncic ou Reaves em quadra, e usar Sexton como o criador principal quando um dos dois descansa. É ali que ele tem a bola que precisa sem tirar a bola de ninguém.
Existe também a hipótese de quinteto. Com Grimes favorito à quarta vaga e a quinta aberta, parte da imprensa americana lembrou que Redick pode testar Sexton no lugar de um ala, apostando em volume de arremesso. Parece menos provável, pelo que o técnico disse sobre defesa, mas é ele quem decide, e o camp foi aberto com o aviso de que ninguém tem minuto garantido.
No banco, a disputa é pesada. Bronny James, Jaden Hardy e o calouro Cameron Carr brigam pelos mesmos minutos de armação, e Bronny foi o último a sair do primeiro treino. O elenco do Lakers ainda tem 16 contratos garantidos para 15 vagas. Sexton, pelo contrato que assinou, não está nessa linha de corte.
A pré-temporada começa em 5 de outubro, contra o Kings. Ali Redick começa a responder à pergunta que a contratação deixou no ar em julho: se Sexton é o luxo de um time que já tinha quem criasse, ou a peça que faltava para Doncic não precisar carregar tudo sozinho.