Magic Johnson e Kobe Bryant ganharam cinco títulos cada um pelo Lakers, e é aí que a semelhança termina. Magic distribuiu 11,2 assistências por jogo e Kobe marcou 25,0 pontos. Os números dos dois vestindo esta camisa estão logo abaixo, lado a lado.

Siga o Lakers Brasil no Instagram

Duelo pelo Lakers · Magic x Kobe
Magic Johnson
Magic Johnson
1979-80 a 1995-96
Kobe Bryant
Kobe Bryant
1996-97 a 2015-16
Cada eixo é normalizado pelo maior valor entre os dois.
Minutos Pontos % de cestas % de 3 pontos Assistências Rebotes Roubos de bola Tocos 36,736,1 19,525,0 52,044,7 30,332,9 11,24,7 7,25,2 1,91,4 0,40,5
Pontos por jogo
19,5
25,0
Rebotes por jogo
7,2
5,2
Assistências por jogo
11,2
4,7
Aproveitamento de quadra
52,0%
44,7%
Jogos pelo Lakers
906
1.346
Temporadas
13
20
Só o que cada um fez vestindo Lakers. Médias por jogo na temporada regular.
Os dois ganharam cinco títulos com a camisa. Rostos: NBA.

O que a tabela mostra em uma olhada

Kobe jogou 440 partidas a mais e marcou quase o dobro de pontos no total. Ele é o maior pontuador da história da franquia, com 33.643, e ninguém chega perto. Magic parou em 17.707, com sete temporadas a menos de carreira e uma aposentadoria no meio do caminho.

Mas o número que separa os dois de verdade não é o de pontos. É o de assistências: 11,2 contra 4,7. Magic terminou com 10.141 passes para cesta pelo time, mais do que os dois seguintes da lista somados, segundo os recordes da franquia. Kobe nunca teve essa função e nunca quis ter.

Magic fazia os outros marcarem

Magic entrou na liga com 20 anos e 2,06 metros armando o jogo, o que na época não existia. A vantagem era de leitura, não de velocidade: ele enxergava por cima da defesa e achava o companheiro antes de a defesa se fechar. O Showtime não foi um apelido de marketing, foi a descrição do método, com contra-ataque saindo de rebote defensivo e a bola chegando na frente do adversário.

Os 52,0% de aproveitamento de quadra dizem o resto. Magic quase nunca forçou arremesso difícil, porque não precisava: o time inteiro girava em volta da decisão que ele tomava com a bola na mão. Marcar 19,5 por jogo, nesse arranjo, é um efeito colateral.

Kobe marcava sozinho

Kobe fez o caminho inverso. Chegou aos 18 anos vindo do ensino médio, passou os três primeiros anos no banco e transformou o resto da carreira em uma disputa consigo mesmo. Os 44,7% de quadra são baixos para um dos maiores pontuadores da história, e a explicação está no tipo de arremesso que ele escolheu: o mais difícil, quase sempre marcado, muitas vezes com o relógio acabando.

Foi uma escolha, não um defeito. Em boa parte daquelas temporadas o Lakers não tinha um segundo criador, e o plano de ataque terminava com a bola na mão dele. O recorde de 81 pontos em um jogo contra o Raptors, em 2006, é o retrato mais claro do arranjo: um time inteiro esperando que ele resolvesse.

Cinco anéis cada, ganhos de jeitos opostos

A conta de títulos empata, e é a única que empata. Magic ganhou os cinco dele em nove temporadas, entre 1980 e 1988, sempre como o dono da bola de um elenco cheio de gente do Hall da Fama. Kobe ganhou três ao lado de Shaquille O’Neal, como o segundo nome do time, e mais dois já como o primeiro, em 2009 e 2010, quando a franquia foi montada em volta dele.

É por isso que a comparação direta engana. Magic pegou um time pronto e o fez funcionar melhor do que a soma das partes. Kobe pegou um time que dependia dele e o carregou até onde dava. Os dois números que resumem isso são o 11,2 e o 25,0, e nenhum dos dois é melhor que o outro. São descrições de trabalhos diferentes.

O que fica de fora da tabela

Média por jogo não mede tudo, e vale dizer o que este comparativo não cobre. Não cobre defesa, onde Kobe tem nove seleções de primeiro time e Magic nenhuma. Não cobre a lesão que tirou Magic aos 32 anos, no auge, nem os dois anos finais de Kobe jogando machucado em um time ruim, que puxaram as médias dele para baixo. E não cobre o que cada um representou fora da quadra, que não cabe em coluna de planilha.

O que a tabela faz é acabar com a discussão errada. Ninguém precisa escolher entre os dois, porque eles não disputaram a mesma vaga. O Lakers teve, em cinquenta anos, um jogador que fez todo mundo em volta ficar melhor e outro que decidiu não precisar de ninguém. Ganhou cinco vezes com cada um.

Este é o primeiro de uma série de duelos entre nomes da franquia, sempre contando só o que cada um fez vestindo Lakers. Os próximos comparam Kobe com Doncic, Doncic com LeBron e Shaquille O’Neal com Kareem Abdul-Jabbar.