Luka Doncic participou de quase todas as escolhas do Lakers nesta offseason e contou isso sem rodeios. Perguntado sobre quanto a diretoria o ouviu na montagem do elenco, o camisa 77 respondeu com duas palavras que dizem muito sobre o novo Lakers.
O que Doncic contou
A frase saiu da mesma entrevista a Chris Mannix, da Sports Illustrated, em que Doncic admitiu o arrependimento por ter jogado lesionado contra o Thunder, em abril. Quando o assunto foi a montagem do elenco, ele não precisou de muitas palavras. Perguntado sobre quanto foi consultado, respondeu: “Provavelmente tudo”.
Em seguida, explicou o que achou do resultado.
“Temos um ótimo time. Acho que somos muito profundos, o que é importante, principalmente para os playoffs. Contra alguns caras eu já tinha jogado, mas não conhecia pessoalmente, e fiquei muito impressionado com todo mundo.”
Luka Doncic, à Sports Illustrated
O primeiro verão sem LeBron
A resposta ganha peso pelo momento. Foi o primeiro verão em oito anos em que o Lakers montou o time sem LeBron James, que saiu para o 76ers. Sem o maior nome da história recente da franquia, a diretoria de Rob Pelinka passou a construir tudo em volta de Doncic, e ouvir o principal jogador virou parte do processo.
O resultado é um elenco com a cara do que ele gosta. Walker Kessler chegou para ser o pivô que bloqueia e protege o aro, a peça que Doncic sempre teve ao lado nos melhores anos em Dallas. Quentin Grimes, ex-companheiro dele no Mavs, e Jaden Hardy, que dividiu dois anos e meio de quadra com ele, também vieram. Sandro Mamukelashvili e Collin Sexton completam o grupo de reforços que deve girar em volta do esloveno.
Os primeiros sinais
A pré-temporada ainda é curta, mas alguns desses nomes já responderam. Mamukelashvili soma 42 pontos em três jogos e foi o cestinha do banco na vitória sobre o Kings, nesta quinta. Grimes tem 40 pontos no mesmo período e virou titular. Hardy, que conhece Doncic há anos, soma 27.
O principal reforço, porém, ainda não entrou em quadra. Kessler perdeu os três primeiros jogos com uma lesão no dedo, e Redick garantiu que ele joga antes do fim da pré-temporada. É a parceria com ele que mais interessa a Doncic, e a que vai dizer se as escolhas desta offseason funcionam. Até lá, Looney e Mamukelashvili dividem o garrafão, e o time segue perdendo a briga dos rebotes.
O lado bom e o lado arriscado
Ter o principal jogador envolvido nas decisões é comum entre as estrelas da NBA, e costuma ajudar a manter o astro feliz e comprometido. LeBron teve esse peso durante boa parte dos anos em Los Angeles. A diferença é que agora a responsabilidade também passa a ser de Doncic: se o elenco funcionar, o mérito é dele junto com a diretoria; se não funcionar, a cobrança chega até ele.
Doncic parece confortável com isso. Na mesma entrevista, disse que o novo time tem jogadores que “não têm medo” e que, sem LeBron, a expectativa sobre ele não é pressão, é uma honra. O Lakers volta a jogar na terça, contra o Warriors, em Los Angeles, e a estreia oficial na temporada é em 21 de outubro.