A briga do Lakers no Oeste em 2026-27 não é pelo primeiro lugar, e sim pelo direito de começar os playoffs em casa. Com Spurs e Thunder aparentemente fora de alcance, a disputa real é por uma das quatro primeiras posições, e nela o time encontra quatro concorrentes diretos. Já mostramos quantas vitórias isso custa; agora interessa saber contra quem.
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O topo já tem dono, e não é briga do Lakers
A premissa vem de Jackson Frank, do Silver Screen and Roll, e é desconfortável de aceitar mas difícil de contestar: San Antonio e Oklahoma City parecem ter se descolado do resto da conferência. Sobra uma classe média larga e disputadíssima, onde o Lakers entra como candidato sério a top-4 sem nenhuma garantia.
Isso muda o jeito de olhar a temporada. Não adianta medir o time contra o Thunder em janeiro. O que decide se o Luka Doncic abre os playoffs na Crypto.com Arena ou na casa do adversário são os confrontos diretos contra quatro times específicos, e cada um deles chega com uma fragilidade própria.
Minnesota é a ameaça número um
O backcourt novo é o motivo. LaMelo Ball ao lado de Anthony Edwards forma a dupla de maior potencial ofensivo da faixa, dois criadores que se cobrem mutuamente e facilitam a vida de quem só precisa finalizar. Com Jaden McDaniels e Rudy Gobert atrás, a defesa continua de pé.
O problema está no que vem depois dos cinco primeiros nomes. Saíram Julius Randle e Naz Reid, Donte DiVincenzo se lesionou, e o time ficou leve em volume de três e em defesa de ponto de ataque. A rotação depende de Bones Hyland, Terrence Shannon Jr., Jaylen Clark e Joan Beringer se firmarem, o que ninguém pode garantir em setembro. Foi para esse elenco que Jonathan Kuminga escolheu ir depois de recusar Los Angeles.
Houston não pede licença
É o time mais chato de enfrentar na temporada regular, e os números dizem por quê: 52 vitórias em cada um dos dois últimos anos, com série de playoffs sediada. O estilo agressivo e atlético nos dois lados da quadra rende vitória em fevereiro mesmo quando não rende em maio.
A volta de Fred VanVleet reorganiza tudo. Ele reduz os erros de saída de bola e tira de Kevin Durant a obrigação de iniciar jogada, devolvendo o veterano ao papel de finalizador, que é onde ele machuca mais. Steven Adams eleva um rebote ofensivo que já era bom ao patamar de melhor da liga. Com Alperen Sengun, Amen Thompson, Tari Eason, Marcus Smart, Jabari Smith Jr. e Reed Sheppard, são nove jogadores confiáveis. As dúvidas sobre o ataque deles aparecem nos playoffs, não na corrida por posição.
Denver tapou o buraco pela metade
O Denver chega diminuído e ainda assim perigoso. A eliminação na primeira rodada para um Minnesota desfalcado expôs falta de criação secundária, resistência na marcação e atletismo, e a resposta da offseason foi DeMar DeRozan, Marvin Bagley III e Alpha Diallo, soluções que atacam o sintoma e não a causa. Pior: Peyton Watson, justamente quem endereçava dois desses problemas, saiu para o Cleveland e deixou o time leve nas alas.
Mas Nikola Jokic entrega temporada de primeiro time da liga todo ano, Jamal Murray vem da melhor campanha pessoal da carreira e Aaron Gordon segue sendo o teto do que um coadjuvante pode ser. São quatro temporadas seguidas com pelo menos 50 vitórias e ataque entre os cinco melhores. Quem aposta contra costuma se arrepender.
Utah é o azarão de quem ninguém fala
Aqui a distância é grande e vale dizer com todas as letras: o Utah venceu 22 jogos e terminou em décimo quinto na temporada passada. Chegar ao top-4 seria um salto fora de proporção.
O que sustenta a menção é o talento ofensivo acumulado. Lauri Markkanen, Jaren Jackson Jr., Keyonte George e Darryn Peterson formam um grupo que arremessa bem e se encaixa no sistema de movimentação sem bola de Will Hardy. Se algum time do grupo de baixo tem chance de furar a fila, é esse. O mais provável, ainda assim, é que ele fique no play-in e atrapalhe os outros pelo caminho.
A conta do Lakers
Nenhum dos quatro chega redondo. Minnesota tem rotação curta, Houston trava no meia-quadra, Denver ficou raso nas alas e Utah é jovem demais. O Lakers também não chega redondo, e é exatamente por isso que essa faixa vai ser decidida no detalhe: quem perde menos jogo bobo em novembro, quem segura a rotação de pé em janeiro, quem tem o confronto direto no bolso em março.
O time terminou a temporada passada em quarto no Oeste. Repetir aquilo virou, de uma hora para outra, o teto realista de uma franquia acostumada a falar em título. Não é rebaixamento de ambição, é leitura de conferência: para começar em casa, o Lakers vai ter que tirar a vaga de alguém que também acha que merece.