O Lakers deve fechar a temporada 2026-27 perto de 49 vitórias, na quarta posição do Oeste. A conta parte de um detalhe que a campanha de 53-29 escondeu: o saldo de pontos foi de um time de 46-36, e aproveitamento em jogo apertado não se repete. É a resposta em número para as três perguntas que já levantamos.
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- O Lakers fez 53-29 em 2025-26, mas o saldo de pontos foi de um time de 46-36.
- Fechou 22-8 em jogos decididos por até cinco pontos nos cinco minutos finais, melhor marca da NBA.
- Com Doncic e Reaves juntos em quadra, a campanha foi de 30-11. Os dois sem LeBron, 9-2.
- A defesa terminou em 20º, cedendo 115,5 pontos a cada 100 posses, e ainda perdeu Marcus Smart.
- A projeção do Lakers Brasil é 49-33, quarta posição no Oeste, com vantagem de quadra na primeira rodada.
O que o 53-29 escondia
Cinquenta e três vitórias colocaram o Lakers entre os quatro primeiros do Oeste na temporada passada. O problema é que o time não jogou como um time de 53 vitórias. O saldo de pontos ao longo dos 82 jogos foi compatível com uma campanha de 46-36, sete vitórias abaixo do que apareceu na tabela.
A diferença tem endereço. O Lakers terminou 22-8 em jogos decididos por até cinco pontos nos últimos cinco minutos, o melhor aproveitamento da liga inteira naquele recorte. Somou a isso uma abertura de treze vitórias seguidas, que inflou a base logo de cara e deu ao restante da temporada uma gordura que o desempenho não sustentava.
Não é sorte no sentido preguiçoso da palavra. É a estatística que menos se repete de uma temporada para outra em toda a NBA. Times que dominam o fim de jogo num ano quase sempre voltam para perto do meio a meio no ano seguinte. Quem projeta 2026-27 a partir do 53-29 está partindo de um número que já estava emprestado.
O que saiu, o que entrou e o que ainda falta cortar
Saíram quatro nomes que jogavam: LeBron James, para o Philadelphia 76ers, Marcus Smart, para o Houston Rockets, Rui Hachimura, para o Clippers, e Deandre Ayton, negociado com Washington. Os dois primeiros doem mais, porque um resolvia posse travada e o outro era o melhor defensor de perímetro do plantel atual.
A reposição foi cara e concentrada no garrafão. Walker Kessler chegou do Utah numa sign-and-trade de quatro anos e US$ 129,5 milhões, e custou ainda duas primeiras rodadas sem proteção e duas trocas de posição no draft. Quentin Grimes assinou por quatro anos e US$ 60 milhões, Sandro Mamukelashvili por quatro anos e US$ 52 milhões, Collin Sexton por dois anos e US$ 19 milhões. Kevon Looney, Matisse Thybulle e Ziaire Williams entraram pelo mínimo. Jaden Hardy veio na troca do Ayton. Austin Reaves renovou por quatro anos e US$ 184,7 milhões.
Sobrou um detalhe burocrático com efeito esportivo: são dezesseis contratos garantidos para quinze vagas. Alguém sai antes de outubro, e a decisão vai dizer se a comissão técnica prioriza defesa ou arremesso na nona posição da rotação.
A dupla é o piso, e o piso é mais alto do que parece
É aqui que a projeção para de cair. Luka Doncic fez 33,5 pontos, 8,3 assistências e 7,7 rebotes por jogo, acertando 47,6% de quadra e 36,6% dos arremessos de três, em 64 jogos. Reaves fez 23,3 pontos, 5,5 assistências e 4,7 rebotes, com 49% de quadra, 36% de três e 87,1% nos lances livres, em 51 jogos.
Juntos em quadra, a campanha do time foi de 30-11. E, no recorte em que os dois jogaram sem LeBron, 9-2. A ressalva honesta é o tamanho da amostra: são onze jogos, pouco para cravar qualquer coisa. Mas é a única amostra existente do time que vai a campo agora.
Brian Windhorst, da ESPN, resumiu essa leitura no podcast The Hoop Collective. “Reaves e Luka são tão bons, e existe uma amostra razoável mostrando que esses caras jogando juntos vão gerar um bom número de vitórias, mesmo com deficiências em outros lugares”, disse.
“Os três melhores jogadores deles são muito bons. Eu acho que eles se encaixam. Eu acho que vão ganhar muitos jogos.”
Brian Windhorst, analista da ESPN, no podcast The Hoop Collective
A deficiência que ele não nomeia tem nome. A defesa terminou em 20º lugar na NBA, cedendo 115,5 pontos a cada 100 posses, e perdeu justamente quem marcava armador. Kessler conserta o aro, não conserta a linha de três pontos. Se Grimes e Thybulle não derem conta do perímetro, o time vira uma equipe que precisa vencer no ataque todas as noites, e isso cansa em abril.
O calendário dá em outubro e cobra em fevereiro
A temporada começa em 21 de outubro, em casa, contra o Warriors, e é a primeira vez desde 2018-19 que o Lakers não abre a noite de estreia da NBA. Dois dias depois recebe o Clippers. Outubro é generoso: quatro dos seis primeiros jogos acontecem a distância curta de Los Angeles.
A conta muda a partir de novembro. Somados, outubro e novembro trazem dez jogos em casa e onze fora, e o mês fecha com quatro seguidos como visitante, em San Antonio, Memphis, Houston e New Orleans. Ao longo do ano são quinze sequências de jogos em dias seguidos, uma a mais que na temporada passada.
O trecho que decide fica em pleno inverno: sete jogos fora de casa entre 28 de janeiro e 8 de fevereiro, a tradicional viagem do Grammy, com visita ao Knicks, atual campeão. Antes disso, no dia 25 de dezembro, o Lakers recebe o Sixers de LeBron. São 34 jogos em TV nacional, e o calendário completo mostra que quase nada disso acontece longe dos holofotes.
A conta fechada: 49-33
Somando as partes, e nos dois sentidos. Para baixo: o saldo de pontos da temporada passada valia 46 vitórias, não 53, e o 22-8 em jogo apertado tende a voltar para perto do equilíbrio. Para cima, e isso pesa mais do que costuma pesar nessas contas: aquele saldo foi construído num ano em que Doncic jogou 64 partidas e Reaves 51. No recorte em que os dois estavam juntos em quadra, o time andou a 30-11, ritmo de sessenta vitórias em 82 jogos.
É por isso que a projeção não desce até o piso. Kessler acrescenta proteção de aro justamente onde a defesa era 20ª, a comissão técnica de JJ Redick tem pela primeira vez uma pré-temporada inteira com Doncic desde o primeiro dia, e ninguém precisa mais desenhar a rotação em volta de um veterano de 41 anos. A saída de LeBron e de Smart cobra o preço dela, principalmente no perímetro. Mas cobra de um time cujo teto, com a dupla em pé, é bem mais alto que 46.
Chega-se a 49-33. No Oeste que o Spurs abre vindo de 62-20 e de uma final de NBA, e em que o Thunder ainda tem o melhor jogador da liga nas duas últimas temporadas, isso significa quarta posição, entrada direta nos playoffs e vantagem de quadra na primeira rodada.
Dezessete títulos criam uma régua em que quarenta e nove vitórias soam pouco. Só que essa projeção não é teto, é o cenário em que nada de extraordinário acontece. Se Doncic passar de setenta jogos, se Grimes segurar o perímetro e se o corte do décimo sexto contrato entregar defesa em vez de arremesso, o número sobe sem que a franquia precise de reforço nenhum em fevereiro. A conta está toda na mão deles.