Três perguntas definem a temporada 2026-27 do Lakers: se Doncic e Reaves sustentam sozinhos o ataque sem LeBron James, se a defesa sai do 20º lugar da NBA e se o elenco refeito na offseason aguenta briga de título. O time assinou mais de US$ 440 milhões em contratos para responder.
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- Doncic fez 33,5 pontos por jogo na última temporada e Reaves marcou 23,3.
- Lakers terminou em 20º na defesa da NBA, cedendo 115,5 pontos a cada 100 posses.
- Walker Kessler chegou do Utah por quatro anos e US$ 130 milhões em sign-and-trade.
- Quentin Grimes assinou por US$ 60 milhões; Sexton e Mamukelashvili completaram a reforma.
- Elenco tem 16 jogadores e precisa cortar um antes do início de outubro.
Doncic e Reaves aguentam carregar o ataque sozinhos?
LeBron James assinou com o Philadelphia 76ers e levou embora a única alternativa que o Lakers tinha quando a bola parava. O que sobrou é um par: Doncic, que fez 33,5 pontos por jogo, e Austin Reaves, que fez 23,3. Somados, 56,8 pontos por noite. Parece muito. Não é, quando não existe um terceiro nome capaz de criar o próprio arremesso num jogo de playoff travado.
A conta que a comissão técnica de JJ Redick precisa fechar é simples e desconfortável. Para o time se manter no pelotão de cima do Oeste, a dupla provavelmente precisa passar dos 60 pontos combinados. Isso significa Doncic acima de 35 por jogo, número que ele nunca sustentou por uma temporada inteira, e Reaves assumindo de vez o posto de segundo criador que o contrato de quatro anos e US$ 185 milhões já pagou adiantado.
Collin Sexton foi contratado justamente para aliviar esse peso. Ele ataca a cesta, tira falta e resolve posse curta com o time cansado. Mas Sexton é um pontuador de segunda unidade, não um criador para o quarto período. A diferença entre esses dois papéis é onde a temporada do Lakers se decide.
A defesa sai do 20º lugar?
Aqui está o problema mais concreto. Na temporada passada, o Lakers foi o 20º da NBA em eficiência defensiva, cedendo 115,5 pontos a cada 100 posses. Um time que quer chegar longe não defende assim. E a offseason, em vez de corrigir na cara, trocou uma peça por outra de perfil diferente.
Marcus Smart, que era o melhor defensor de perímetro do plantel, foi para o Houston Rockets. LeBron, mesmo aos 41 anos, ainda entregava lances defensivos decisivos. Os dois saíram. O que entrou no lugar tem virtude clara em outro setor da quadra.
Walker Kessler é a aposta. O pivô veio do Utah numa sign-and-trade de quatro anos e US$ 130 milhões, e o Lakers ainda mandou duas primeiras rodadas sem proteção, de 2031 e 2033, além de trocas de posição no draft em 2028 e 2030. É muita ficha em um jogador que resolve o garrafão, protege o aro e finaliza alley-oop, coisa que Doncic sabe alimentar de olhos fechados. O que Kessler não faz é defender armador na linha de três pontos.
O próprio pivô já avisou como pretende pagar a conta. “Mexe com você saber que uma organização acredita em você desse jeito. Eu vou atravessar uma parede de tijolos por eles”, disse Kessler à ESPN, depois de confirmar que o ombro operado está liberado. Sobre jogar ao lado do novo companheiro de garrafão, foi direto: “Vai ser muito divertido. Nunca joguei com um armador desse tamanho, um cara que é um pesadelo de marcação sozinho.”
Essa tarefa de perímetro cai em Quentin Grimes, contratado por quatro anos e US$ 60 milhões, e em Matisse Thybulle, que assinou o mínimo. Se os dois derem conta do recado, o time sobe cinco ou seis posições na tabela defensiva. Se não derem, o Lakers vai passar a temporada inteira apagando incêndio no perímetro com um pivô excelente parado embaixo da cesta.
O elenco refeito dá para brigar por título?
O plantel de 2026-27 quase não se parece com o do ano passado. Além de Kessler e Grimes, chegaram Sandro Mamukelashvili, por quatro anos e US$ 52 milhões, e Sexton, por dois anos e US$ 19 milhões. Kevon Looney, Thybulle e Ziaire Williams entraram pelo mínimo. Rob Pelinka gastou fundo de gaveta e primeira rodada de draft para montar isso em poucas semanas.
O quinteto projetado tem quatro nomes fechados: Doncic, Reaves, Grimes e Kessler. A quinta vaga, de ala-pivô, segue em aberto entre Mamukelashvili, que abre espaço com o arremesso, Jarred Vanderbilt, que defende e rebota, e Thybulle. Cada escolha muda o time inteiro: com Mamukelashvili, o ataque respira e a defesa afunda; com Vanderbilt, o inverso.
Nem todo mundo comprou a ideia. Kendrick Perkins, campeão da NBA como jogador e hoje analista da ESPN, resumiu a cobrança que existe sobre a franquia em três palavras, “título ou fracasso”, e no mesmo fôlego duvidou que o time tenha com o que sustentar isso. Ele lembrou que o Lakers vai pagar cerca de US$ 90 milhões por temporada só à dupla principal.
“Não tem um time no mundo, não tem um jogador no mundo que tenha medo de Luka e Austin Reaves. São dois caras que são passivos defensivamente.”
Kendrick Perkins, campeão da NBA e analista da ESPN
É provocação de programa de TV, e Perkins vive disso. Mas o incômodo tem endereço real: o elenco atual do Lakers foi construído com precisão em torno de um único jogador, com margem pequena para lesão e nenhuma para erro de encaixe.
O que ainda falta resolver antes de outubro
Tem um detalhe burocrático com consequência esportiva: o plantel está com 16 jogadores e o limite da temporada regular é 15. Alguém sai antes da bola subir. E, nesta semana, a franquia mudou de dono num negócio de US$ 12,5 bilhões, com Josh Kushner e Bob Iger no comando. Diretoria nova costuma querer digital própria no elenco.
O calendário não ajuda a esconder nada. As respostas para as três perguntas vão aparecer nas primeiras três semanas, contra times que já sabem exatamente para onde olhar quando Doncic pega a bola no alto do garrafão. O Lakers passou a offseason inteira montando a resposta. Agora precisa dizer em voz alta.