Austin Reaves acertou 44,3% de longe na campanha de 2023 e nunca mais passou de 32% em um playoff. Foram 16 jogos somados nas 3 campanhas seguintes, com aproveitamento de 28,7%, o que joga uma dúvida grande em cima do segundo maior salário do time e da bola que ele vai dividir com Doncic.
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O arremesso não some, ele encolhe
Na temporada regular Reaves é previsível no melhor sentido. Foram 36,7%, 37,7% e 36,0% de três nas três últimas, uma faixa estreita que qualquer time assina embaixo para um jogador que também cria. Em 2025-26 ele chegou a 23,3 pontos, 5,5 assistências e 4,7 rebotes em 51 jogos, com linha de 49,0% de quadra, 36,0% de três e 87,1% de lance livre.
O teto dessa versão dele apareceu em uma noite contra o Sacramento, com 51 pontos, 11 rebotes e 9 assistências, recorde pessoal e a prova de que o problema de abril não é falta de repertório.
O que muda é o mês de abril. Em 2023, quando o time foi até a final do Oeste, ele acertou 39 dos 88 arremessos de três, 44,3%. Nas três campanhas seguintes a conta virou 31 de 108, ou 28,7%, com o pior recorte no último playoff: 9 de 35.
Dezesseis jogos contra dezesseis jogos
Aqui entra a ressalva que o próprio dado exige, e vale dizer antes de qualquer conclusão: as três últimas campanhas tiveram 5, 5 e 6 jogos. São eliminações rápidas, e uma série curta amplifica qualquer sequência ruim. A coincidência ajuda a leitura, porque 5 mais 5 mais 6 dá exatamente os 16 jogos de 2023. Dá para comparar volume com volume, em vez de comparar uma campanha longa com um recorte de uma semana.
De onde vêm os arremessos dele
O Basketball Index, que classifica cada arremesso pela dificuldade, coloca Reaves no terceiro percentil da liga em qualidade de arremesso de três. Não é um elogio disfarçado nem uma crítica à mão dele: quer dizer que ele arremessa de longe em situações difíceis, quase sempre criando o próprio espaço. A separação aparece no número: 40,4% quando ele recebe e arremessa, 32,2% quando arremessa saindo do drible.
No playoff a defesa adversária empurra justamente para o segundo tipo. Com scouting pronto e rotação encurtada, some o arremesso aberto e sobra o arremesso saindo do drible, que é o pior dele. A queda de abril não é mistério de cabeça fria, é a mudança da dieta de arremessos.
O que a defesa mostra, e é mais fácil de arrumar
Na mesma base, o perfil defensivo dele é desigual de um jeito curioso. Reaves aparece no 97º percentil defendendo longe da bola e no 68º em marcação individual, números de um defensor melhor do que a fama. O buraco está em passar por bloqueio, onde ele cai para o 19º percentil, e é exatamente aí que o playoff insiste, jogada após jogada.
É a parte mais corrigível das duas. Passar por bloqueio é trabalho de pé e de antecipação, coisa de vídeo e de repetição. Mudar a dieta de arremessos depende de outra pessoa, e essa pessoa já está no elenco.
A conta que a renovação cobra
Reaves assinou por quatro anos e US$ 185 milhões, em formato 3+1, a maior renovação da história da NBA para um jogador que não foi draftado. Com Luka Doncic ao lado, os dois formaram a dupla que mais pontuou na liga em 2025-26, somando 56,8 pontos por noite. O contrato não foi assinado pelo Reaves de fevereiro, foi assinado pelo Reaves de abril, e é em abril que o número dele cai.
Existe um caminho óbvio para isso melhorar sozinho, e ele não passa por treino extra. Com Doncic conduzindo mais posses, a parcela de arremessos que chega aberta tende a crescer, e o 40,4% de catch-and-shoot é a prova de que, quando a bola chega no tempo certo, o problema desaparece. A pergunta de outubro não é se Reaves sabe arremessar. É quantas vezes o time vai conseguir entregar a bola a ele do jeito que ele acerta, e se isso continua valendo quando a série chega no quinto jogo e o adversário já decorou tudo que o Lakers faz.