O Lakers continua na caça a Jonathan Kuminga, mas um alerta vindo de dentro da liga jogou dúvida sobre a aposta: para um assistente técnico da NBA, o ala de 23 anos não evoluiu em nada mensurável desde que chegou à liga. A negociação depende de um sign-and-trade com o Hawks e segue travada.

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Resumo rápido
  • Lakers mantém conversas por sign-and-trade com o Hawks para contratar Jonathan Kuminga, de 23 anos.
  • Assistente técnico da NBA: “é difícil apontar uma coisa em que ele melhorou de verdade”.
  • Pedida do jogador gira em torno de US$ 25 milhões por ano; oferta do Lakers, US$ 10 milhões.
  • Sétima escolha do draft de 2021, Kuminga perdeu espaço com Steve Kerr antes da troca para Atlanta.

Um free agent que serve de espelho

Ala atlético, versátil, capaz de contribuir dos dois lados da quadra e ainda sem contrato em pleno mês de julho. A descrição serve para LeBron James, que também aguarda definição sobre o próprio futuro, mas o nome que movimenta os bastidores é outro. Jonathan Kuminga virou o personagem central da reta final da offseason do Lakers, que trata a vaga de ala como a última lacuna real do elenco para a temporada 2026-27.

O interesse não é novo. A franquia acompanha o jogador desde o início da free agency e mantém as conversas vivas mesmo depois de semanas sem avanço concreto. Kuminga chegou à NBA como a sétima escolha do draft de 2021, cercado de projeções de All-Star e do rótulo de ala two-way capaz de decidir jogos nas duas pontas. Aos 23 anos, ainda carrega o rótulo. O problema é que carrega apenas ele.

O alerta que veio de dentro da liga

A avaliação mais dura sobre o jogador veio de um assistente técnico da NBA ouvido por Sean Deveney, do Heavy Sports. O recado ao Lakers foi direto.

“Ele é atlético, tem talento e ainda tem só 23 anos. Mas a gente o viu muito antes de ele chegar à liga e no começo da carreira. E hoje, se você observa o jogo dele, é difícil apontar uma coisa em que ele melhorou de verdade. No rebote, talvez, ele esteja um pouco melhor. Mas arremesso? Não. Defesa? Não. Controle de bola, criação de jogadas, nada disso. Nunca houve um momento em que você dissesse: olha, ele adicionou isso ao jogo dele”, afirmou o treinador.

A segunda parte do recado resume o incômodo da liga com o jogador. “Queriam que ele encontrasse uma função e ficasse excelente nela, e isso simplesmente não aconteceu. Você torce para que, em algum momento, a ficha caia, porque o talento está ali.”

A conta que não fecha

Qualquer chegada a Los Angeles passa por um sign-and-trade com o Hawks, última equipe do ala. E é aí que a negociação trava. Segundo o noticiário americano, o estafe de Kuminga busca um salário na casa dos US$ 25 milhões por ano, enquanto a oferta do Lakers até aqui ficou perto de US$ 10 milhões. Além do abismo entre pedida e proposta, um sign-and-trade exige contrato de pelo menos três temporadas, um compromisso longo que a diretoria reluta em assumir por um jogador que ainda não provou valer o investimento.

O Hawks, por sua vez, tem a própria régua. A franquia de Atlanta não demonstrou pressa em facilitar a saída e avalia o que consegue extrair do Lakers na compensação. Sem um meio-termo salarial entre as partes, a conversa sobre jogadores e escolhas envolvidos nem chega a avançar de verdade.

Talento nunca foi o problema

A trajetória recente ajuda a entender a desconfiança. Na temporada passada, Steve Kerr, um treinador conhecido pela boa relação com os elencos que comanda, tirou Kuminga da rotação principal do Warriors antes de o jogador ser negociado com o Hawks. Em Atlanta, houve lampejos de bom basquete, mas nada que convencesse a franquia a se mexer para mantê-lo.

O arremesso de três segue abaixo da média para a posição, e a defesa, sustentada por ferramentas físicas raras, aparece e some sem explicação. É exatamente o tipo de perfil que divide diretorias: o teto continua altíssimo, o piso continua incerto.

O Lakers precisa de um ala titular, atlético e de dois lados da quadra, e Kuminga é o nome disponível que mais se aproxima dessa descrição no papel. A pergunta que o alerta deixa no ar é se a franquia estaria contratando o jogador que ele pode ser ou o jogador que ele tem sido. Até aqui, ninguém na NBA conseguiu transformar o segundo no primeiro.