O Clippers abre o training camp sem Kawhi Leonard, James Harden e Ivica Zubac, o trio que decidiu os dois jogos que ele venceu contra o Lakers em 2025-26. O vizinho que levou a maior punição da NBA por burla ao teto salarial virou time em reconstrução, e o caminho de Luka Doncic no Oeste mudou junto.
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O que o Clippers perdeu em sete meses
O desmonte começou no prazo de trocas. No começo de fevereiro, Harden foi para o Cavaliers, e Darius Garland fez o caminho contrário. Em 5 de fevereiro, Zubac e Kobe Brown seguiram para o Pacers, que mandou Bennedict Mathurin, Isaiah Jackson, duas escolhas de primeira rodada e uma de segunda.
O último a sair foi Kawhi. A troca com o Raptors estava acertada desde 30 de junho, mas ficou parada até a liga concluir a investigação sobre os contratos de publicidade do ala. Saiu em 14 de setembro: o Clippers recebeu Brandon Ingram, Gradey Dick, as primeiras rodadas do Raptors de 2031 e 2033, o direito de inverter escolhas em 2027 e duas segundas rodadas.
A punição anunciada em 2 de setembro levou o resto. Multa de US$ 30 milhões, as escolhas de primeira rodada do próprio time de 2029 a 2033, um ano de suspensão para o dono Steve Ballmer e para a presidente de negócios Gillian Zucker, e seis meses para Lawrence Frank, o chefe do basquete. O caso entrou na pauta da reunião do conselho de governadores, a mesma em que Adam Silver explicou o que a liga sabia sobre o dono do Lakers.
Quem responde pela franquia agora é o advogado John Gibson, governador e CEO interino, com Trent Redden como presidente interino de operações de basquete. Na mensagem em vídeo que o time divulgou em 23 de setembro, Gibson confirmou Tyronn Lue no cargo e admitiu o tamanho do buraco.
“Os desafios à nossa frente são grandes, mas a nossa determinação também.”
John Gibson, governador e CEO interino do Clippers, em vídeo de 23 de setembro
O clássico que o Lakers reencontra em outubro
Na temporada passada, a série terminou empatada e cada time defendeu a própria casa. O Lakers venceu por 135 a 118 em novembro, pela Copa da NBA, e por 125 a 122 em fevereiro, com 38 pontos de Doncic. O Clippers ganhou por 103 a 88 em dezembro e por 112 a 104 em janeiro, os dois no Intuit Dome. Kawhi passou dos 30 pontos em dois dos quatro jogos.
O último encontro foi o de fevereiro, já sem Harden e Zubac do outro lado, e é o retrato do que o Lakers deixa de enfrentar: Kawhi fez 31 pontos, e o Clippers ainda teve uma bola de três para empatar no fim.
Em 2026-27, os dois se cruzam logo de cara. O Clippers é o segundo adversário do Lakers, em 23 de outubro, na Crypto Arena, e cinco dias depois o Lakers devolve a visita no Intuit Dome. Os dois times dividiram a Crypto Arena por 25 temporadas, até o Clippers se mudar para Inglewood, em 2024. Desde então, o clássico tem mando de verdade, e a temporada passada mostrou isso.
O rival que chega é outro. Garland e Ingram, que nunca jogaram juntos, são o centro do time. Ao lado deles estão Bradley Beal, Brook Lopez, Keaton Wagler, escolha 5 do draft, e Rui Hachimura, que trocou o Lakers pelo vizinho em julho por dois anos e US$ 28 milhões. Ingram ainda se recupera de uma cirurgia no calcanhar feita em maio. Um olheiro ouvido pela Sports Illustrated na prévia da temporada resumiu a dúvida: “O Clippers vai ser interessante de ver. Mas não sei se vai haver resposta fácil para eles.”
Onde isso mexe na briga por mando de quadra
O Clippers terminou 2025-26 em nono, com 42 vitórias, longe da faixa do Lakers. O efeito não está na tabela de cima, está no calendário. Na temporada passada, uma vitória separou o terceiro, o quarto e o quinto do Oeste: Nuggets com 54, Lakers com 53 e Rockets com 52. Com a margem desse tamanho, quatro jogos contra um adversário em reconstrução são quatro chances de abrir distância, e empatar a série de novo seria desperdício.
Quem ficou mais forte está em outra prateleira. O Spurs volta com quase todo o time que foi às Finais e ainda contratou Tobias Harris. O Thunder perdeu Lu Dort, Isaiah Joe e Aaron Wiggins, mas mantém a base da melhor defesa da temporada passada. E os rivais diretos pelo mando se mexeram: o Timberwolves trouxe LaMelo Ball, o Rockets recupera Fred VanVleet e ganhou Marcus Smart, o Nuggets apostou em DeMar DeRozan. Já mostramos quem ameaça o mando de quadra do Lakers, e o Clippers não aparece na lista.
A ESPN, no levantamento publicado depois da agência livre, pôs o Clippers em 25º no índice de força e em 24º no ranking de força da liga. É a queda de um time que foi aos playoffs em quatro das cinco temporadas anteriores e que agora passa cinco drafts sem as próprias escolhas.
O Lakers também chega mudado, com Doncic, Austin Reaves e Walker Kessler no lugar de uma era inteira. A diferença é que a reconstrução dele foi escolha, e a do vizinho foi imposta pela liga. Em outubro, a cidade continua com dois times, mas só um deles entra na temporada contando os jogos do outro como vitórias que não pode deixar escapar.